Alimentação escolar como política de futuro

Quando compras públicas e logística territorial são organizadas como política de Estado, a alimentação escolar deixa de ser apenas assistência social e funciona como infraestrutura pública para a transição de sistemas alimentares. Experiências no Sul Global mostram como a cooperação internacional pode transformar essa política em motor de saúde, desenvolvimento local e resiliência

Quem organiza o que vai para o seu prato?

A decisão sobre o que comer parece pessoal, mas é moldada por fatores que começam antes da cozinha. Tempo disponível, orçamento doméstico, rotina de trabalho e preferências familiares influenciam o que chega à mesa. Uma pesquisa qualitativa realizada em cinco capitais brasileiras mostra como essas condições estruturam escolhas cotidianas – e por que informação sozinha não basta para sustentar uma alimentação saudável

Mapear para proteger

Indicadores tradicionais registram a crise quando ela já está instalada. Nos territórios indígenas, os sinais de risco aparecem antes – na roça, no rio, no calendário das chuvas. Uma matriz construída com validação técnica e escuta comunitária transforma saberes territoriais em base para decisões públicas mais precoces e eficazes

Da floresta à escola

Pela primeira vez realizada na Amazônia, a COP 30 mostrou que sistemas alimentares também fazem parte da agenda climática. Em Belém, alimentos da sociobiodiversidade amazônica abasteceram a conferência e revelaram o potencial das cadeias produtivas locais. O próximo passo é transformar essa experiência em legado – levando esses mesmos alimentos das florestas e rios amazônicos para a mesa das escolas

A arquitetura do consumo

O Brasil produz mais do que nunca – e come cada vez mais a mesma coisa. Soja e milho dominam os campos; ultraprocessados avançam nos pratos. Essa uniformidade não é acidente: tem raízes históricas, causas estruturais e consequências que vão além da saúde individual. Entender o paradoxo de uma agricultura abundante e uma dieta empobrecida exige olhar para todo o sistema – da semente à prateleira, da política agrícola ao carrinho de supermercado

O paradoxo da comida

A reconstrução das políticas públicas de alimentação e nutrição fez o Brasil sair novamente do Mapa da Fome – e em tempo recorde. Mas esse avanço importante é confrontado por um cenário em que a fome e a obesidade coexistem como expressões de um mesmo sistema alimentar. Mais que garantir calorias, o desafio agora é melhorar a qualidade da alimentação de todos os brasileiros e deter a crescente prevalência de sobrepeso e obesidade