A ideia inicial do artista Vik Muniz e da Fundação José Luiz Setúbal era fazer mosaicos que formassem imagens de crianças utilizando ingredientes alimentícios, já que o projeto prevê arrecadar fundos para iniciativas de combate à insegurança alimentar do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Mas o que Vik Muniz decidiu alimentar foi o “apetite voraz das crianças por detalhes”, para que elas brincassem com os olhos, se divertissem ao buscar as próprias imagens e se verem nas minúcias de cada um dos grandes painéis que adornarão as paredes de um hospital pediátrico.
Real e artificial se misturam em mosaicos para formar fisionomias diversas – “para a criança, quanto mais diferente melhor”, diz o artista – e rostos felizes, sinais de positividade contra o medo. A imagem maior foi criada com inteligência artificial. “Eu buscava ícones. A IA, que uso como ferramenta, me permitiu chegar a crianças-arquétipos.”
De grandes dimensões, as obras são finalizadas à mão. Cada imagenzinha-elemento é colada, e nelas há sim crianças de verdade, além das virtuais. Depois tudo é fotografado e refotografado, com técnicas que criam a ilusão de textura, em um longo processo. Das sete obras previstas no projeto, três já estão prontas. Elas serão expostas no novo Sabará Hospital Infantil, a ser inaugurado em 2027 no município de São Paulo. Na ação, Vik Muniz doou parte de seu cachê ao UNICEF. Outro montante foi doado pela Fundação José Luiz Setúbal, que encomendou os painéis.

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