A Stanford Social Innovation Review Brasil lança a edição especial O que está sobre a mesa, dedicada ao tema da segurança alimentar e nutricional. Com oferecimento do Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável, frente de filantropia e advocacy da Fundação José Luiz Setúbal (FJLS), o especial nasce como desdobramento do 7º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância, realizado em São Paulo em outubro de 2025. Esta é a segunda edição dedicada à temática, seguindo o especial [In]Segurança Alimentar, que abordou os temas da 4ª edição do Fórum, realizada no final de 2022.
A edição busca ampliar e aprofundar os debates do evento, articulando diferentes perspectivas sobre fome, alimentação, infância, território, clima, políticas públicas e sistemas alimentares. No artigo de abertura, “O paradoxo da comida”, Murilo Bomfim Lobo Braga, Ana Paula Bortoletto Martins e Patricia Constante Jaime discutem o contraste entre a redução da fome e o crescimento do sobrepeso e do consumo de ultraprocessados no Brasil. Já em “A arquitetura do consumo”, Walter Belik mostra como o que comemos no dia a dia é moldado por preço, tempo, publicidade e disponibilidade.
A crise alimentar do povo indígena Yanomami é o ponto de partida de “Além da fome”, de Ana Elisa Bersani e Maria Auxiliadora Lima de Carvalho. De acordo com o artigo, compreender as causas da crise exige articular saúde, território e modos de vida e repensar as respostas públicas. A relação entre alimentação e agenda climática aparece em “Da floresta à escola”, de Clara Ribeiro Camargo, Gabriela Mariano Mendonça e Maurício Fernandes de Alcântara. O texto conecta experiências locais e decisões globais para apontar possibilidades de integração entre sistemas alimentares e clima.
Em “O clima na conta da infância”, pesquisadores do projeto FomeS analisam como eventos extremos, desigualdade e vulnerabilidade territorial se combinam na experiência da fome. Também a partir de uma leitura territorial, “Mapear para proteger”, de Maria de Fátima Carvalho, Gisele Ane Bortolini, Milena Serenini, Patrícia Chaves Gentil e Lilian Rahal, apresenta uma matriz diagnóstica voltada à crise do clima construída com base em escuta comunitária em territórios indígenas.
Em “Quem organiza o que vai para o seu prato?”, Claudia Cheron König, Renan Rosolem Machado, Bruno Valim Magalhães, Bruna Líria Avelhan, Sulamita Oliveira de Santana e Ricardo Jerônimo Mota examinam como as escolhas alimentares são condicionadas por renda, tempo e acesso no cotidiano das famílias. O papel da escola como eixo de transformação aparece em “Alimentação escolar como política de futuro”, de Bruno Valim Magalhães, Claudia Cheron König, Lívia Martins, Ana Clara Cathalat, Vinicius Limongi e Letícia Barbosa do Valle.
A edição traz ainda três Histórias do campo. Em “Mulheres indígenas transformam a alimentação escolar”, Rodrigo Pedroso relata a atuação da associação Mapana na Amazônia, discutindo a reorganização de sistemas alimentares a partir de agricultura tradicional, organização comunitária e políticas públicas. Em “Quando a ciência encontra o território”, Bruno Valim Magalhães, Claudia Cheron König, Maria Paula Albuquerque e André Luzzi apresentam experiências de ciência cidadã, dados territoriais e governança pública na construção da vigilância da fome em São Paulo. Já em “Creches amigas do peito”, Fernanda Ravagnani mostra como uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo trabalha equipe, família e ambiente para incentivar o aleitamento materno dentro das unidades educacionais.
O especial se encerra com uma obra do artista plástico Vik Muniz em “Crianças feitas de crianças”, reforçando a centralidade da infância na discussão sobre segurança alimentar e nutricional.
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