Toda manhã, uma senhora atravessa a passos rápidos o portão de uma escola pública de ensino fundamental na zona sul de Los Angeles, a 74th Street Elementary School. É Linda Ricks, uma gerente administrativa aposentada que sempre foi atuante na comunidade. Ela chega ali sem nenhuma formação especial, sem parafernália tecnológica, sem um manual pedagógico. Sua presença é o que conta.
Ricks é voluntária do Generation Xchange (GenX), um projeto que conecta idosos a alunos do ensino fundamental em bairros onde tanto as crianças como os mais velhos costumam se sentir ignorados. O papel de Ricks é simples: escutar, orientar e lembrar aos estudantes que eles importam.
Em uma das turmas está Celeste Madal, uma aluna da quarta série de olhar vivaz e uma discreta determinação. “Sinto como se alguém contasse comigo”, diz a menina. “E sei que esse alguém sabe que eu consigo.”
Esse “alguém” é Linda Ricks.
Juntas, as duas simbolizam o que talvez seja a força mais subestimada do nosso tempo: o poder das relações humanas para despertar o potencial de cada indivíduo. Na última década, escolas participantes do GenX registraram avanços no desempenho de leitura e no comportamento dos alunos. O projeto também traz resultados positivos aos voluntários: seu senso de propósito cresce, a saúde física melhora e a rotina mais ativa faz até com que percam peso.
Enquanto a inteligência artificial invade a mídia e atrai bilhões em investimentos, Ricks e Madal praticam uma inteligência que não pode ser automatizada. Trata-se da inteligência da sintonia, do cuidado, do conhecer – e do saber como conhecer – o outro. É o que podemos chamar de inteligência relacional: a capacidade profundamente humana de construir confiança, lidar com conflitos, reparar rupturas e criar sentidos com os demais. E é possível que venha a ser a habilidade mais importante da nossa era, a essência do que significa ser plenamente humano em um mundo cada vez mais regido por algoritmos e automação.
A inteligência humana não evoluiu apenas pela lógica ou pela invenção, mas pela conexão entre os seres. Nossos ancestrais sobreviveram não porque calculavam mais rápido, mas porque souberam cooperar – aprenderam a se comunicar e entender uns aos outros, a contar histórias, a resolver conflitos e a se unir para cuidar. Hoje, quando máquinas nos superam em análise e simulam empatia de modo cada vez mais convincente, o que há de mais genuinamente humano em nós começa a se revelar com maior nitidez. A inteligência relacional desponta como a próxima grande fronteira do desenvolvimento humano.
Estamos entrando em um momento decisivo da evolução. O grande desafio do nosso tempo não é saber se a inteligência artificial vai avançar – isso é inevitável –, mas se seremos capazes de cultivar a inteligência relacional necessária para que esse avanço contribua para o desenvolvimento humano, em vez de miná-lo. Em uma era marcada pela solidão, pela fragmentação social e pela substituição da presença humana pela tecnologia, a inteligência relacional está ameaçada e, ao mesmo tempo, tornou-se mais necessária do que nunca. O futuro da aprendizagem, do trabalho, da saúde e da democracia dependerá mais de como vamos estruturar nossas vidas e as instituições para fortalecer as relações humanas do que da inteligência que as máquinas venham a alcançar.
Para responder a esse desafio, não basta promover novas tecnologias. É preciso investir na infraestrutura relacional: no desenho intencional de ambientes, escolas, locais de trabalho, sistemas de saúde, comunidades e plataformas digitais que faça da conexão humana a regra, não a exceção. Isso significa tirar tempo da produção individual e devolvê-lo à convivência, substituir o isolamento pelo encontro e transformar o cuidado – hoje um encargo privado – em um bem de interesse público. Quando funciona, essa infraestrutura promove a aprendizagem, a resiliência, a confiança e a capacidade coletiva de resolver problemas. Sem ela, a solidão cresce, instituições se enfraquecem e a tecnologia passa a simular o que a sociedade deixou de prover. Construir essa infraestrutura relacional não é mero ideal: é condição imprescindível para o florescimento do ser humano na era da inteligência artificial.
A evolução da inteligência humana
Para entender o desafio atual, é preciso olhar para o longo processo de desenvolvimento que fez de nós quem somos hoje (ver “Coevolução da inteligência humana e social”, p. 34). A evolução da inteligência humana descreve uma trajetória que vai da simples sobrevivência à criação de símbolos e, por fim, a sistemas de significados compartilhados. Os primeiros hominídeos desenvolveram habilidades básicas de resolução de problemas e fabricação de ferramentas à medida que o cérebro se expandia para lidar com um entorno cada vez mais complexo. Com o tempo, porém, o crescimento de grupos humanos passou a exigir novas competências: cooperação, ensino e empatia. É aí que surge a inteligência social.
Segundo a hipótese do cérebro social, associada ao antropólogo Robin Dunbar, o neocórtex humano não teria se expandido primordialmente para permitir o raciocínio abstrato ou invenções técnicas, mas para lidar com a complexidade das relações humanas – algo essencial à sobrevivência de uma espécie social como a nossa. O cérebro humano parece otimizado para sustentar cerca de 150 relações relevantes. Esse número corresponde ao tamanho típico de um grupo de caçadores-coletores, de uma aldeia neolítica, de um casamento contemporâneo ou até de nosso círculo mais ativo nas redes sociais. Essa capacidade de criar vínculos e cooperar virou o verdadeiro motor da evolução.
Com o surgimento do Homo sapiens, a linguagem transformou enormemente o modo como o ser humano pensava e se relacionava, permitindo o raciocínio abstrato, a imaginação e o julgamento moral. Essa revolução cognitiva tornou possível compartilhar histórias, planejar o futuro e criar identidades coletivas que extrapolavam laços de parentesco ou tribais. Narrar histórias, fofocar e cantar não eram meros prazeres culturais, mas necessidades evolutivas: instrumentos para cultivar confiança e senso de pertencimento em grupos humanos cada vez maiores.
Com o avanço da civilização, a inteligência se tornou cada vez mais cultural e coletiva. O conhecimento passa a ser registrado e transmitido por meio da escrita, de instituições e de tecnologias, permitindo seu acúmulo ao longo de gerações e entre diferentes sociedades. Nesse processo, o ser humano se torna um agente da evolução cultural, transmitindo saberes por meio de normas, rituais e processos de educação. A dimensão relacional atravessa todas as etapas desse desenvolvimento.
O neurocientista Matthew Lieberman mostrou que o cérebro humano é fundamentalmente orientado para a conexão social. A necessidade de pertencer é tão básica quanto a necessidade de comida ou água. Estudos mostram que a privação de contato afeta o crescimento do cérebro e compromete o desenvolvimento infantil. No século 13, o imperador Frederico II, do Sacro Império Romano-Germânico, teria ordenado um experimento cruel: privar um grupo de bebês de fala, toque ou qualquer afeto, garantindo apenas alimentação e cuidados básicos, para ver que língua “espontânea” surgiria – se latim, grego ou outra qualquer. Nunca se soube o resultado, pois nenhum bebê sobreviveu. Ainda que tenha muito de lenda, a história segue viva porque expressa uma verdade profunda: sem relações sociais, o ser humano não se desenvolve, e talvez nem sobreviva.

Essa mesma constatação se repetiu de forma trágica no século 20 em orfanatos públicos na Romênia. Durante o regime de Nicolae Ceaușescu, milhares de crianças foram confinadas em instituições onde suas necessidades físicas eram minimamente atendidas por um rodízio de cuidadores, mas sem nenhum cuidado relacional. Bebês passavam horas no berço, raramente tocados ou estimulados. As consequências foram devastadoras: graves atrasos cognitivos, retraimento emocional, dificuldades de linguagem e problemas de saúde mental duradouros. Estudos mostraram que mesmo posteriormente, quando muitas dessas crianças foram adotadas, a privação precoce de relações estáveis e afetuosas continuou a marcar seu desenvolvimento cerebral.
Em um exemplo contemporâneo, o economista Scott Rozelle, da Universidade Stanford, documentou atrasos de desenvolvimento em milhões de crianças de zonas rurais da China cujos pais migraram para cidades em busca de trabalho. Embora necessidades físicas básicas sejam comumente atendidas por avós ou outros responsáveis, muitas dessas crianças crescem sem uma interação consistente e sensível com adultos – sem conversar, brincar, ler juntos e estabelecer sintonia emocional – justo nos anos mais críticos para o desenvolvimento do cérebro. O resultado é um vasto experimento social que mostra como a falta de interação humana atenta e afetiva pode comprometer a cognição, a linguagem e o crescimento emocional. Quase metade dos bebês e crianças pequenas na zona rural da China apresenta atrasos no desenvolvimento de habilidades cognitivas. Através de séculos e em contextos muito distintos, a lição é clara: o desenvolvimento do cérebro humano não se dá no isolamento; é construído, literalmente, na relação com outras pessoas.
Ao longo de milênios, a inteligência humana evoluiu da sobrevivência individual para a intencionalidade compartilhada: a capacidade exclusivamente humana de conjugar atenção, emoção e propósito com outras pessoas. No último século, sob forte influência das economias industrial e informacional, a inteligência passou a ser definida e medida principalmente pelo QI (quociente de inteligência): a inteligência associada ao raciocínio lógico, à análise e à resolução de problemas. Nas últimas três décadas, ganhou destaque também a chamada inteligência emocional, popularizada pelo psicólogo Daniel Goleman: a capacidade de reconhecer e regular emoções, ter empatia e compreender estados emocionais do outro.
Mas QI e inteligência emocional talvez não sejam mais suficientes como marcadores da inteligência humana em uma era em que a máquina já supera o homem em tarefas analíticas e até simula empatia de modo convincente. Em um estudo de 2024, pacientes consideraram que o ChatGPT mostrava mais empatia do que médicos humanos. A próxima fronteira da evolução humana pode ser, portanto, a inteligência relacional: a capacidade de construir confiança, lidar com diferenças, reparar rupturas nos relacionamentos e criar significado em conjunto. Nesse sentido, a próxima etapa na evolução da inteligência não será artificial, mas profundamente humana.
Crise relacional
É urgente compreender melhor a inteligência relacional, pois a maneira como nos relacionamos hoje não está contribuindo para que desenvolvamos todo nosso potencial. À primeira vista, pode parecer que estamos mais conectados do que nunca: smartphones vibram o tempo todo com mensagens, redes sociais permitem acompanhar a vida dos outros em tempo real, podemos trabalhar, iniciar relacionamentos ou estudar sem sequer sair de casa. Ainda assim, nossa capacidade de construir relações está se deteriorando.
Em 2023, o então cirurgião-geral dos Estados Unidos, Vivek Murthy, declarou a solidão uma epidemia de saúde pública. Seus efeitos seriam comparáveis aos de fumar 15 cigarros por dia. O isolamento crônico aumenta o risco de doenças cardíacas em 29%, de acidente vascular cerebral em 32% e de demência em 50%. Economistas estimam que o custo para a economia estadunidense – em perda de produtividade, gastos maiores com saúde e mortes prematuras – é de cerca de US$ 400 bilhões por ano.
Não é uma crise limitada aos Estados Unidos. Desde 2018, o Reino Unido tem um ministro dedicado ao combate à solidão. Países como Japão e Canadá lançaram campanhas em âmbito nacional para enfrentar o isolamento social. Na Coreia do Sul, o problema é tão sério que o governo agora oferece incentivos financeiros a jovens adultos para que simplesmente saiam de casa e retomem o convívio social. É um problema global, alimentado por mudanças profundas na forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos.
O problema começa cedo. Pesquisas mostram que bebês vivenciam cada vez menos turnos conversacionais com seus principais cuidadores. Dados da pesquisa RAPID-EC da Universidade Stanford, que acompanha a experiência de famílias com crianças de até 5 anos desde a pandemia de covid-19, apontam para pais mais estressados, menos disponíveis emocionalmente e mais dependentes de aparelhos eletrônicos para acalmar ou entreter os filhos. Cada vez que checamos o celular – nos Estados Unidos, uma média de 205 vezes por dia em 2024 – corremos o risco de interromper um momento de interação. O número de amigos que as crianças têm vem diminuindo, assim como o tempo dedicado a conviver e brincar. Já o uso de tecnologia cresce rapidamente: hoje, 40% das crianças estadunidenses com menos de 2 anos já têm um dispositivo móvel próprio. Estudos indicam que a probabilidade de atrasos na comunicação é cinco vezes maior entre crianças pequenas expostas a mais de quatro horas diárias de telas.
A desconexão avança pela adolescência. Nos Estados Unidos, pesquisas indicam que há anos adolescentes vêm reduzindo a interação presencial com outros jovens. Uma revisão de estudos mostra que entre 2003 e 2022, por exemplo, o tempo de socialização presencial entre adolescentes caiu mais de 45%. No Reino Unido, uma em cada cinco crianças diz se sentir só “com frequência ou sempre”. O isolamento tem efeitos no desenvolvimento do cérebro e no desempenho escolar: a probabilidade de notas mais baixas é 22% maior entre adolescentes que se sentem mais isolados.
Relações próximas e de apoio entre professores e alunos nos primeiros anos estão associadas a um melhor desempenho acadêmico no futuro, mesmo quando se controlam fatores como nível socioeconômico e QI. As relações humanas são o alicerce da aprendizagem
Nesse cenário, a inteligência artificial avança rapidamente, ocupando o espaço deixado pela falta de vínculos humanos. Milhões de pessoas já usam companheiros de IA como Replika.ai, Character.ai e o Xiaoice, na China. Segundo algumas estimativas, mais de 1 bilhão de pessoas recorrem a esses sistemas em busca de amizade, apoio psicológico ou até relacionamentos amorosos. Em 2024, a Character.ai informou que seus usuários passaram, em média, 93 minutos por dia interagindo com seus bots. Companhia e apoio emocional – antes usos marginais na internet – hoje estão entre os principais motores da adoção da IA, segundo um artigo recente da Harvard Business Review. Entre os jovens, em particular, cresce o número daqueles cujo vínculo com máquinas substitui o relacionamento com humanos. Segundo a Common Sense Media, cerca de um em cada três adolescentes considera conversas com companheiros de IA tão ou mais satisfatórias do que aquelas com amigos na vida real.
Por que tanta gente busca na inteligência artificial uma forma de se relacionar? Porque somos programados para criar vínculos e a IA está ocupando um vazio deixado pelo enfraquecimento dos laços humanos. A máquina está sempre à disposição, prestando atenção e nos dando a razão. Um chatbot nunca nos interrompe. Uma “namorada de IA” nunca se irrita. Um amigo artificial sempre está em sintonia com nosso estado de espírito. Para quem sofre de ansiedade social, sente-se deprimido ou solitário, pode ser um enorme conforto. Estudos indicam que companheiros de IA são capazes de reduzir a solidão entre idosos e, em certos casos, contribuir para a saúde mental de jovens adultos.
Contudo, se nossas relações mais seguras forem com máquinas, a tolerância à complexidade da intimidade humana pode diminuir – e, com ela, a própria inteligência relacional que constrói. Relações de verdade têm atritos: mal-entendidos, silêncios, expectativas frustradas. Exigem paciência, capacidade de ceder, humildade, traquejo e sabedoria. Pesquisadores da Universidade Stanford observaram que muitos jovens adultos que mantêm conversas com chatbots acabam confundindo máquinas com seres humanos, e que essas ferramentas podem gerar vieses e equívocos com consequências perigosas. No Japão, homens que desenvolvem vínculos duradouros com “namoradas de IA” relatam interesse cada vez menor em ter um relacionamento no mundo real e em formar família, fenômeno que desperta preocupações maiores sobre o isolamento social e a fragilidade demográfica.
Essas dinâmicas começam cada vez mais cedo. Crianças hoje recebem muito mais incentivo e elogios de máquinas do que de humanos – conforme estimativas, até 13 vezes mais. Estudos mostram ainda que usuários de sistemas de IA relacional os consideram mais “humanos” e emocionalmente próximos do que os próprios humanos responsáveis por seu cuidado. Mas embora o encorajamento constante seja importante, há algo no cuidado humano que as máquinas simplesmente não conseguem fazer: ajudar a criança a lidar com frustrações, perceber nuances, enfrentar decepções e reconstruir vínculos quando expectativas não se cumprem. Esses momentos de ruptura e reparação são fundamentais para um desenvolvimento social e emocional saudável.
A inteligência artificial, portanto, não está apenas mudando a maneira como interagimos com a tecnologia. Pode também estar transformando o ambiente de relações em que a própria inteligência humana se desenvolve – alterando a quem recorremos, o que esperamos uns dos outros e quanto esforço estamos dispostos a dedicar ao desafiador e insubstituível trabalho de construir vínculos com outras pessoas.
COEVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA HUMANA E SOCIAL
A inteligência humana evoluiu em conjunto com as distintas formas de organização social: da sobrevivência e cooperação iniciais, passando pela linguagem, a cultura e instituições, até a era analítica e o mundo atual, mediado pela IA. A nova fronteira é a inteligência relacional: a capacidade do ser humano de se relacionar, confiar, colaborar e compartilhar significados.

Infraestrutura relacional para um mundo melhor
Há sinais de que nossa inteligência relacional esteja se atrofiando justamente quando mais precisamos dela. Para mudar isso, é preciso investir na infraestrutura relacional que a sociedade necessita para vicejar: famílias, escolas, lugares de trabalho e comunidades concebidas para fortalecer a empatia, a confiança e os vínculos humanos.
Parte de nossa crise relacional decorre da tecnologia e da falta de maior consciência sobre como a usamos. A tecnologia tem o poder de fortalecer ou fragilizar a infraestrutura relacional. Raramente é neutra. Se quisermos que amplie a inteligência relacional, em vez de corroê-la, precisamos pautar seu uso por alguns princípios básicos:
Ampliação, não automação: É preciso liberar as pessoas para o contato presencial, face a face. Usar a tecnologia para eficiência – resumir conteúdos, organizar agendas, coordenar tarefas – para que as pessoas possam se dedicar a ouvir, orientar e cuidar.
Pontes, não barreiras: O sucesso deve ser medido pelo aumento do contato humano (ex.: ferramentas de tutoria que promovam mais interação do professor com o aluno, e não menos).
Segurança relacional: Toda plataforma digital deve oferecer vias para que a interação migre para o mundo real, práticas transparentes no uso de dados e proteção contra recursos de interface que isolam e manipulam emocionalmente os usuários.
Para criar a sociedade relacional que queremos, precisamos também conceber políticas, rotinas, espaços e incentivos para que a conexão não seja um ato heroico individual, mas o caminho mais natural. Já que a infraestrutura relacional molda toda a nossa existência, devemos pensá-la conforme os estágios de desenvolvimento da vida humana.
Infância | A interação social molda o cérebro desde o nascimento: o olhar, a voz e o toque de quem cuida são sinais que ajudam o bebê a desenvolver confiança. Se o apego é a base do desenvolvimento humano, políticas que o promovem não são um luxo, mas um bem de interesse público.
Licenças remuneradas flexíveis e programas de visita domiciliar são o melhor meio de proteger o “quarto trimestre”: os meses logo após o nascimento, uma fase biologicamente crucial na qual a sensibilidade do cuidador ajuda na regulação do estresse e nas funções executivas do bebê. Em ensaios randomizados, intervenções baseadas na teoria do apego – como os modelos Circle of Security-Parenting e Attachment and Biobehavioral Catch-up (ABC) – já demonstraram ganhos mensuráveis na segurança do apego. Em um dos estudos com o ABC, crianças em acolhimento familiar que participaram do programa passaram a apresentar padrões mais saudáveis de cortisol, marcador biológico da regulação do estresse, além de avanços significativos em funções executivas, em comparação com o grupo de controle.
Quando a criança chega à creche e à escola, a base relacional pode se consolidar ou perder força. Quando sente que é visto e que confiam nele, o aluno se arrisca mais intelectualmente; quando isso não acontece, tende a se retrair. Relações próximas e de apoio entre professores e alunos nos primeiros anos estão associadas a um melhor desempenho acadêmico no futuro, mesmo quando se controlam fatores como nível socioeconômico e QI. As relações humanas são o alicerce da aprendizagem.
A escola pode – e deve – ser projetada para favorecer essas relações. Sistemas de tutoria em pequenos grupos criam espaços seguros para que o aluno possa desacelerar, refletir e se conectar – com outros estudantes, com professores e com a família. Projetos ancorados na comunidade ampliam o repertório de estudantes e seu vínculo com outros adultos. E uma organização do tempo que privilegie menos aulas, porém mais longas, e com uma carga que deixe ao docente tempo para acompanhamento dos alunos, abre espaço para interações mais gratificantes e multidimensionais.
Ao longo da trajetória escolar, modelos que priorizam as relações vêm mostrando efeitos concretos no engajamento e no desempenho de alunos.
Vejamos o caso da Little School, uma das pré-escolas particulares mais disputadas da região de San Francisco, nos Estados Unidos. Seu programa de educação infantil é estruturado com base na chamada “aprendizagem centrada nas relações”, envolvendo professores, colegas e famílias. Avaliações de ambientes de aprendizagem com alta qualidade relacional mostram resultados melhores no desenvolvimento socioemocional e na preparação para o ensino fundamental, na comparação com modelos mais tradicionais. Outra escola estadunidense, a North Carroll Community School, em Maryland, tem como meta promover “conexões com a vida real”: cultivar vínculos profundos, o gosto por aprender e o desenvolvimento do caráter. Seus alunos não só apresentam bom desempenho acadêmico, mas seguem para escolas secundárias competitivas com um repertório socioemocional e autoconfiança mais desenvolvidos. Esses resultados refletem o que décadas de pesquisa vêm mostrando: quando a criança conta com relações estáveis e duradouras, o desenvolvimento cerebral é mais saudável e a capacidade de autorregulação e engajamento aumenta – o que, por sua vez, resulta em um desempenho acadêmico melhor, estabelecendo bases sólidas para a trajetória educacional, a saúde e o bem-estar econômico ao longo da vida.
Resultados semelhantes aparecem também no ensino médio. A Big Picture Learning, uma rede global com mais de 275 escolas, tem como proposta uma mentoria de longo prazo para cada aluno, uma cultura de acompanhamento próximo e estágios de longa duração com profissionais na vida real. Dados longitudinais mostram que seus alunos concluem a escolaridade a taxas iguais ou superiores a médias nacionais, com avanços particularmente expressivos entre estudantes de grupos historicamente marginalizados. Na mesma linha, o UChicago Consortium on School Research constatou que a probabilidade de avanços em leitura e matemática era dez vezes maior em escolas com elevado grau de confiança relacional. O Search Institute, por sua vez, destacou a correlação entre o número de relações significativas na vida de alunos do ensino médio e seus resultados acadêmicos.
Trabalho | Na vida adulta, quando líderes priorizam relações de trabalho autênticas, em que há cuidado – e não só o trabalho a fazer –, a qualidade do trabalho em equipe, a retenção de pessoal e o clima organizacional melhoram.
Um estudo, por exemplo, mostrou que a qualidade das relações no local de trabalho – até que ponto os funcionários sentem que contam com a confiança, o apoio e o respeito de colegas e lideranças – explicou mais de 30% da variação no desempenho dos funcionários. O Project Aristotle, da Google, identificou que a segurança psicológica era o principal fator preditivo da eficácia da equipe, em uma análise de 180 equipes. Já um relatório de 2022 da MIT Sloan Management Review aponta que uma cultura organizacional tóxica é dez vezes mais preditiva da rotatividade de funcionários do que a remuneração.

A Microsoft é uma das líderes no investimento em inteligência relacional. Quando o CEO Satya Nadella iniciou uma virada cultural que incluiu o treinamento de gestores em escuta, empatia e coaching, pesquisas internas dois anos depois registraram um salto de 30% nos índices de colaboração. Além disso, a saída voluntária de funcionários ficou abaixo da média do setor durante a chamada “Great Resignation”: quando, na esteira da pandemia de covid-19, um número recorde de trabalhadores pediu demissão. Analistas atribuem a essa mudança nas relações parte importante do salto no valor de mercado da Microsoft – que sextuplicou desde 2014, quando Nadella virou CEO.
A Microsoft não é a única a colher resultados desse investimento. Empresas com altos níveis de confiança e coesão social superam as demais em inovação, retenção e rentabilidade. Investir em inteligência relacional não é ser complacente – é ser inteligente.
Saúde | Poucas interações são tão íntimas – ou tão decisivas – quanto a relação entre médico e paciente. Ainda assim, calcula-se que médicos gastem quase metade de seu dia em tarefas administrativas, o que reduz o tempo de atendimento e presença com os pacientes e pode acabar comprometendo a qualidade do cuidado.
Na faculdade de medicina da Universidade Stanford, o programa Presence vem investigando como a relação médico-paciente influencia o resultado clínico. A iniciativa já aponta que, quando o paciente se sente emocionalmente conectado ao médico, tende a aderir mais ao tratamento e a relatar melhores resultados clínicos.
Na Cleveland Clinic, o programa de formação Communicate with H.E.A.R.T., que no início da década de 2010 treinou profissionais para desacelerar, reconhecer emoções do paciente e encerrar a interação com gratidão, elevou índices de satisfação de pacientes em 12% em dois anos e reduziu o burnout da equipe em 15%. A qualidade da presença na relação beneficiou ambos os lados. Hoje, o programa está integrado a iniciativas mais amplas de comunicação e formação continuada na instituição. Em outro estudo, a probabilidade de um bom controle glicêmico em pacientes diabéticos era 40% maior entre aqueles atendidos por médicos mais empáticos. E há evidências de que a maior empatia de profissionais da saúde esteja associada a menos processos por erro médico.
Em serviços de pediatria como os organizados pelo Centering Healthcare Institute, em Boston, consultas em grupo reúnem famílias para compartilhar experiências, aprender juntas e construir vínculos. O resultado não é só a melhora em indicadores de saúde infantil, mas a redução da ansiedade dos pais e maior resiliência nas comunidades.
Envelhecimento | Na velhice, manter vínculos continua sendo um fator decisivo para a saúde, a dignidade e a longevidade. O isolamento social entre idosos já é reconhecido como um sério problema de saúde pública, pois é associado a taxas mais elevadas de declínio cognitivo, depressão, doenças cardiovasculares e morte precoce. Uma ampla metanálise mostrou que a solidão crônica eleva em mais de 25% o risco de morte prematura, patamar comparável ao de fatores de risco como obesidade e sedentarismo.
Dados longitudinais do Harvard Study of Adult Development, um dos estudos mais longos já realizados sobre a vida adulta, revelam que relações sólidas estão associadas a melhor saúde física, maior bem-estar psicológico e melhor desempenho cognitivo durante o envelhecimento. Participantes que, na meia-idade, relataram relações sociais satisfatórias apresentaram, anos depois, melhor memória e funções executivas, o que sugere o efeito protetor de vínculos estreitos e de apoio.
A conexão com outras pessoas também parece influir em processos neurodegenerativos. Diversos estudos mostram que redes sociais mais robustas e interações significativas estão associadas a menor risco de demência e a um declínio cognitivo mais lento; idosos com uma vida social mais ativa tendem a preservar por mais tempo a capacidade cognitiva do que aqueles com vínculos mais restritos, mesmo levando em conta outras variáveis de saúde.
Programas que integram os mais velhos a espaços de convivência com outras gerações e modelos de cuidado com vínculos consistentes são promissores. Centros comunitários intergeracionais, espaços compartilhados entre crianças e idosos e equipes estáveis de cuidadores em instituições de longa permanência estão associados a um maior bem-estar emocional, menos sintomas comportamentais e maior qualidade de vida dos residentes. Em instituições que priorizam o cuidado baseado em vínculos, observam-se menores níveis de agitação, menor uso de medicamentos psicotrópicos e, em certos casos, maior longevidade em comparação com modelos tradicionais.
Empresas com altos níveis de confiança e coesão social superam as demais em inovação, retenção e rentabilidade. Investir em inteligência relacional não é ser complacente – é ser inteligente
Rumo a um renascimento relacional
Em resumo, uma infraestrutura relacional sustentada ao longo de toda a vida não é apenas um imperativo moral, mas uma base concreta para a saúde, o aprendizado, o desempenho no trabalho e a resiliência social. Como, então, começar a criar as condições para uma vida melhor em comum?
Todos sabemos das limitações do mundo atual: muita interação mediada por tecnologia e uma arquitetura relacional frágil. Deixada à própria lógica, a tecnologia falhou conosco. É preciso reconhecer que não podemos esperar que se autorregule, nem supor que tenha uma compreensão onisciente do que seja progresso humano. Cabe a nós definir uma agenda para seu uso, assim como definimos limites de velocidade no trânsito, regras que organizam o pouso de aeronaves ou normas internacionais que tornam possível o transporte marítimo de cargas. Em todos esses casos, a regulação serve para otimizar a contribuição da tecnologia à vida humana. Com redes sociais e a inteligência artificial, não deveria ser diferente. O renascimento de que precisamos não passa por inventar máquinas mais inteligentes, mas por cultivar seres humanos com mais inteligência relacional, capazes de confiar, cuidar e construir sentido juntos.
Criar um mundo mais capaz de sustentar relações não será fácil, pois a sociedade ainda subestima o valor que isso tem. Nossas instituições premiam eficiência, não a qualidade dos vínculos. A desigualdade faz com que ambientes que favorecem a conexão fiquem restritos aos privilegiados, que também estão mais protegidos de alguns dos efeitos do isolamento. E o fascínio pela intimidade mediada por máquinas, que pode aliviar a sensação de solidão à custa da inteligência relacional, tende a crescer.
Uma infraestrutura relacional sustentada ao longo de toda a vida não é apenas um imperativo moral, mas uma base concreta para a saúde, o aprendizado, o desempenho no trabalho e a resiliência social
Mas há como reagir. Na educação, é possível acompanhar a qualidade dos vínculos e o senso de pertencimento com o mesmo rigor com que se avalia o desempenho em matemática. Empresas podem tratar a confiança como um ativo estratégico. Assim como investem em infraestrutura urbana, por exemplo, o Estado e a filantropia podem investir nas bases que sustentam uma boa vida em comum, apoiando políticas que preveem o afastamento do trabalho para pessoas que precisam cuidar de seus familiares, espaços de convivência e saúde comunitária. No campo da tecnologia, a IA pode ser projetada para favorecer a intimidade, não para substituí-la.
A seguir, dez recomendações para avançar nessa direção:
1. Incluir inteligência relacional entre metas de políticas públicas. Inteligência relacional, pertencimento, confiança e capital social devem estar entre indicadores como PIB e desempenho escolar. Cidades podem aderir a iniciativas de bem-estar promovidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliam o progresso a partir do florescimento humano, de vínculos e do senso de pertencimento, e não só pelo crescimento econômico. Redes de ensino podem divulgar, ao lado de indicadores de aprendizagem, métricas de vínculos e pertencimento nas escolas.
2. Medir o que importa. Adotar instrumentos já consagrados para avaliar a inteligência relacional: pesquisas de coordenação relacional em equipes; avaliações de vínculos em escolas; indicadores de experiência em hospitais relatada por pacientes; e indicadores de saúde relacional na primeira infância. Após avaliação, vincular o financiamento a melhorias, em vez de penalizar o baixo desempenho.
3. Financiar o tempo. Se relações exigem tempo, isso deve estar no orçamento. Na educação, isso significa reduzir o número de alunos por professor; na saúde, garantir que pacientes sejam acompanhados por profissionais que conhecem sua trajetória e contexto, para haver continuidade; em serviços sociais, limitar o número de casos por profissional, para que o relacionamento não se torne apenas transacional.
4. Usar poder de compra para fortalecer presença. Na hora de selecionar soluções, fundações e governos devem privilegiar tecnologias capazes de ampliar o contato humano – o tempo poupado deve ser reinvestido – e que incluam salvaguardas relacionais, como acesso claro a atendimento humano e protocolos rigorosos de uso de dados para que a tecnologia reforce, e não diminua, a confiança.
5. Reconhecer e certificar práticas relacionais. Incorporar competências de inteligência relacional em processos de credenciamento. Na área da educação, incluir residências com foco na construção de vínculos na formação de professores; na educação continuada na área da saúde, enfatizar a presença; e integrar segurança psicológica na certificação de gestores.
6. Reduzir riscos nos primeiros vínculos. Ampliar programas de orientação sobre apego – intervenções com base em evidências que fortalecem a capacidade de cuidadores de perceber, interpretar e responder a sinais emocionais da criança – em sistemas públicos como visitas domiciliares, proteção à infância, educação infantil e atenção pediátrica primária. É possível expandir esses programas com a articulação de diferentes fontes de recursos públicos para chegar a famílias nos anos mais sensíveis do desenvolvimento.
7. Redesenhar para a conexão. Cada solução vai depender do contexto, mas o princípio é o mesmo: relações devem ser o eixo organizador de instituições. Na escola, isso implica atuar como espaço de conexão no qual professores contribuam para o desenvolvimento relacional dos alunos, inclusive com a ação de estruturas de tutoria: grupos pequenos, estáveis, que se reúnem regularmente com um adulto de referência, responsável por conhecê-los em profundidade, apoiar seu desenvolvimento acadêmico e emocional e manter vínculos com famílias e comunidades. Também é importante avançar para menos aulas – porém mais longas –, dando tempo para que relações se formem e se aprofundem. Na saúde, instituições podem formar equipes pequenas e estáveis de cuidado e consultas conjuntas, reunindo diferentes profissionais com o paciente para fortalecer a confiança e a continuidade do atendimento. No local de trabalho, a conexão pode ser fortalecida com normas claras de reunião (encontros sem notebooks e com turnos de fala definidos) e o respeito a períodos de tempo que permitam a atenção plena e a presença real. Na comunidade, uma solução seria investir em espaços públicos que promovam vínculos: parques pensados para interação, espaços de convivência entre casa e escola onde jovens encontrem pertencimento e possam criar juntos, áreas para famílias em bibliotecas e ambientes intergeracionais de aprendizagem que atraiam pessoas de todas as idades.
8. Domar a tecnologia e adotar rituais de convivência. Incentivar pausas digitais e o uso de telas com limites de tempo. Estudos randomizados mostram com clareza que mesmo restrições de curto prazo podem elevar o bem-estar e, sobretudo, liberar tempo para o convívio presencial. Não se trata de ludismo, mas de treinar a atenção e a capacidade de se relacionar. É possível incentivar famílias a fazer, regularmente, refeições livres de aparelhos – não por nostalgia, mas porque esse contato durante as refeições está ligado a comportamentos de menor risco e melhores resultados no desenvolvimento e na aprendizagem da criança. Equipes podem fazer reuniões semanais para falar sobre questões emocionais, e não só discutir tarefas. Bairros podem organizar eventos de rua, grupos de crianças que vão juntas a pé à escola e calendários de ajuda mútua.
9. Direcionar a IA para a inteligência relacional. No caso de companheiros de IA, adotar protocolos como transparência no uso de dados, encaminhamento para apoio humano diante de sinais de sofrimento emocional e indicadores de desempenho que priorizem mais conexão humana, e não apenas o tempo de uso. Para chatbots, exigir mecanismos de retorno em presença: registrar quanto tempo um funcionário economiza por semana ao usar a ferramenta e quanto desse tempo é efetivamente redirecionado para mentoria, contato com pacientes ou comunicação com famílias.
10. Financiar a inovação em infraestrutura relacional. A filantropia pode impulsionar uma nova geração de soluções voltadas a fortalecer os vínculos que sustentam a vida em sociedade. Investir em infraestrutura relacional significa apoiar sistemas e instrumentos que reforcem a conexão humana: relações entre professores e alunos, redes de cuidado e ecossistemas de mentoria. Assim como a infraestrutura física faz a economia crescer, a infraestrutura relacional amplia o senso de pertencimento e a capacidade coletiva. A filantropia deve garantir que a inovação não sirva apenas à eficiência, mas também à dimensão humana.
Ao tomar essas medidas, podemos dar início à próxima revolução da inteligência humana. Ela não virá de máquinas que pensam mais rápido, mas de pessoas que se relacionam melhor. De escolas que ensinam o cuidado como competência básica. De comunidades que medem o progresso não pela acumulação, mas pela qualidade dos vínculos. De gestores públicos e fundações que investem em infraestrutura relacional a serviço do ser humano.
A próxima inteligência
Embora esse plano para fortalecer a inteligência relacional seja ambicioso, a ideia é simples. Basta voltarmos à escola em Los Angeles onde Linda Ricks segue atuando como voluntária vários dias por semana. Graças em parte a seu apoio, Celeste Madal hoje exibe um dos melhores desempenhos em leitura da turma. Quando perguntam o que aconteceu, a menina dá um sorriso tímido: “A dona Linda acredita em mim. E aí eu também passei a acreditar”.
A voluntária sorri de volta: “Eu só estou ali”, diz. “Às vezes, é o que basta.”
No fim das contas, é isso que a inteligência relacional restitui: um senso de plenitude e a compreensão de que nosso valor não está no que produzimos, mas no que cultivamos.
Estamos em um ponto de inflexão na história humana. A inteligência artificial vai seguir avançando, deslumbrando e transformando tudo ao redor. Mas, em paralelo, outra revolução pode ganhar forma: um renascimento relacional, em que a medida da inteligência não é o poder de processar informações, mas a capacidade de cuidar.
Se escolhermos esse caminho, daqui a um século talvez possamos dizer:
O século 20 nos ensinou a construir máquinas que pensam. O século 21 nos ensinou a construir sociedades que amam.
Leia também: Futuros possíveis (IA)









