O paradoxo da comida

A reconstrução das políticas públicas de alimentação e nutrição fez o Brasil sair novamente do Mapa da Fome – e em tempo recorde. Mas esse avanço importante é confrontado por um cenário em que a fome e a obesidade coexistem como expressões de um mesmo sistema alimentar. Mais que garantir calorias, o desafio agora é melhorar a qualidade da alimentação de todos os brasileiros e deter a crescente prevalência de sobrepeso e obesidade
Ilustração de Bárbara Quintino

O que está sobre a mesa

Em menos de dois anos, o Brasil reduziu a fome grave em 68% e aumentou em 75% o número de domicílios com segurança alimentar. Em julho de 2025, o país saiu do Mapa da Fome pela segunda vez. Apesar da boa notícia, um problema avança na direção oposta: ultraprocessados estão presentes no cardápio diário de até 89% das crianças entre 2 e 4 anos – proporção maior do que a de quem come frutas, verduras ou legumes todos os dias.


Em julho de 2025, o Brasil voltou a deixar o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).1 O país já havia alcançado esse marco em 2014,2 depois de mais de uma década de construção de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional. Dessa vez, porém, a recuperação ocorreu em menos de quatro anos, evidenciando a capacidade institucional acumulada e a rapidez com que instrumentos já testados puderam ser reativados.

Tal avanço, no entanto, veio acompanhado de um descompasso. Enquanto os indicadores de subnutrição melhoravam, uma tendência crescente, associada principalmente ao consumo de alimentos ultraprocessados, chamava atenção: os índices de sobrepeso e obesidade. Com foco em crianças e adolescentes, este artigo percorre essa contradição, examinando como as políticas públicas de alimentação e nutrição retomadas e/ou fortalecidas ao longo dos últimos dois anos ajudaram a recuperar a segurança alimentar e o que ainda precisa mudar para que o Brasil coma mais – e melhor.

O estado da fome

A segurança alimentar e nutricional (san) teve uma trajetória acidentada neste primeiro quarto de século, com progressos expressivos, recaídas duras e uma nova virada. O melhor momento chegou em 2013, quando cerca de 77,4% dos domicílios brasileiros estavam em segurança alimentar, e apenas 3,2% enfrentavam insegurança alimentar (InSAN) grave, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).3 Depois de anos de políticas públicas consistentes de combate à fome, o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI, na sigla em inglês), publicado pela FAO, divulgava em 2014 a saída do Brasil do Mapa da Fome.

As edições anteriores da Pnad apontavam para este cenário desde 2004. Era o resultado de um esforço de construção de políticas públicas de alimentação e nutrição que teve início em 2003, com o lançamento do Programa Fome Zero. A iniciativa trazia um novo paradigma ao combate à fome,4 abandonando a ideia puramente assistencialista e reconhecendo a alimentação como um direito humano. O programa articulou políticas públicas existentes (e, antes, segregadas), criou novas políticas, incentivou ações interministeriais e fortaleceu a participação social.

A deterioração desse cenário se evidenciou quando a Pesquisa de Orçamentos Familiares5 apontou 36,7% dos domicílios em insegurança alimentar (4,6% grave) em 2017-2018 – um retrocesso expressivo. Os números espelharam o início de um desmantelamento das políticas públicas estabelecidas até então, processo que se intensificou nos anos posteriores. O pior viria depois: o II Inquérito de Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 (VigiSAN 2021-2022), elaborado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan), mostrou que cerca de 33 milhões de brasileiros passavam fome.6

Em julho de 2025, o Brasil alcançou um novo marco: a segunda saída do Mapa da Fome, confirmada pelo SOFI. Publicado anualmente, o relatório da FAO mede a segurança alimentar por meio de dois indicadores complementares: a Prevalência de Subalimentação (PoU, na sigla em inglês) e a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES, na sigla em inglês). O Brasil saiu do mapa pelo PoU – mas o FIES, como veremos, conta uma história mais complexa (ver quadro acima). 

Sair do mapa não significa erradicar a fome. Os dados do FIES para o triênio 2022-2024 mostram que o Brasil ainda tem cerca de 7 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave (3,4% da população) e mais de 28 milhões em insegurança moderada ou grave (13,5%). São números significativamente menores do que os do triênio anterior – 6,6% e 18,4%, respectivamente –, mas revelam que a vulnerabilidade persiste para uma parcela expressiva da população.

[Hoje] o Brasil come mais, mas não come melhor. Enquanto os indicadores de subnutrição recuam, os de sobrepeso e obesidade avançam, impulsionados em grande medida pelo consumo de alimentos ultraprocessados

Os dados econômicos reforçam esse avanço e revelam uma contradição aparente. Comer bem ficou mais caro: ainda segundo o SOFI, o custo de uma dieta saudável – composta por cereais integrais, leguminosas, vegetais e quantidades moderadas de ovos, laticínios e carnes – subiu no Brasil. E, mesmo assim, mais gente passou a conseguir arcar com ela: em 2021, 29,8% da população não tinha recursos financeiros para pagar uma alimentação adequada; em 2024, esse percentual caiu para 23,7%. A queda ocorreu a despeito do aumento do custo da dieta saudável no Brasil calculado pela FAO, que segue tendência de alta nos últimos anos, indo de US$ 3,15 diários por pessoa em 2017 a US$ 4,69 em 2024. 

Esses números são confirmados pela fonte oficial mais recente do país: o módulo de Segurança Alimentar da Pnad Contínua (PnadC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançado no último trimestre de 2023. O quadro atual se aproxima dos recordes históricos de 2013: 72,4% dos domicílios brasileiros estão em segurança alimentar, e a distribuição de insegurança alimentar leve, moderada e grave é cerca de 16%, 6,6% e 5%, respectivamente. Em relação ao pior momento – o VigiSAN 2021-2022 –, a segurança alimentar cresceu 75% e a insegurança grave caiu 68%. Uma recuperação notável em menos de dois anos.

A PnadC também revela quem são as pessoas mais expostas à fome no Brasil. A insegurança alimentar grave atinge de forma desigual os domicílios chefiados por mulheres, por pessoas negras e por trabalhadores em ocupações informais ou instáveis. A fome também é mais presente em famílias com menor renda, mais filhos e mais moradores dividindo o mesmo teto. (Ver quadro Quem são os mais vulneráveis à fome no Brasil, na página seguinte.)

Desde 2023, o Ministério da Saúde aplica nas unidades de atenção primária um instrumento simples e revelador: a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria). Com apenas duas perguntas, o profissional de saúde consegue identificar se uma família corre risco de passar fome – um rastreamento que nunca havia sido feito de modo sistemático nessa escala. O levantamento mais recente da Tria,9 com dados de novembro de 2023 a maio de 2025, indica que, dos 20,5 milhões de domicílios respondentes, cerca de 1,5 milhão (7%) apresentaram algum risco de insegurança alimentar – um total de cerca de 5 milhões de pessoas.


Duas formas de medir a fome

O SOFI utiliza dois indicadores para avaliar a segurança alimentar. O primeiro é a Prevalência de Subalimentação (PoU), que estima a proporção da população cuja ingestão habitual de energia alimentar é insuficiente para manter uma vida normal, ativa e saudável. É o indicador que define o Mapa da Fome – o qual reúne países com PoU superior a 2,5%. Foi pelo PoU que o Brasil saiu do mapa em julho de 2025.

O segundo indicador é a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES), baseada em inquéritos sobre condições e comportamentos que refletem acesso limitado a alimentos. O FIES classifica as populações em insegurança alimentar moderada e grave – e mede uma dimensão que o PoU não captura: a experiência vivida de quem não sabe se vai ter o que comer.

Os dois indicadores medem aspectos distintos do mesmo problema. Um país pode sair do Mapa da Fome pelo PoU e ainda registrar milhões de pessoas em insegurança alimentar pelo FIES – como é o caso do Brasil, que soma cerca de 7 milhões de pessoas em insegurança grave e mais de 28 milhões em insegurança moderada ou grave, segundo os dados do triênio 2022-2024.


Quem são os mais vulneráveis à fome no Brasil

A insegurança alimentar grave não atinge a população de maneira uniforme. Dados da Pnad Contínua mostram que ela incide com mais intensidade em domicílios chefiados por mulheres, por pessoas negras e por trabalhadores em ocupações informais ou instáveis. Famílias com menor renda, mais filhos e mais moradores sob o mesmo teto também estão entre as mais expostas.

Esses recortes se sobrepõem. Dados do Programa Bolsa Família revelam que a composição familiar mais comum entre os beneficiários é a família monoparental chefiada por mulher com filho.7 Sozinhas, essas mulheres gerenciam os lares e cuidam das crianças – uma sobrecarga que dificulta a entrada no mercado de trabalho e leva à adesão a ocupações informais, instáveis e sem benefícios trabalhistas.

Essa sobrecarga tem um efeito em cadeia: de acordo com pesquisa do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS),8 a dificuldade de trabalhar reduz a renda, que reduz o acesso a alimentos, que aprofunda a vulnerabilidade. Qualquer que seja o recorte analisado – raça, renda, ocupação –, é a mulher quem aparece com mais frequência no rosto da fome no Brasil.


Os caminhos para a segurança alimentar e nutricional

A rápida recuperação não foi POR ACASO. O Brasil sabia o que precisava fazer porque já tinha conhecimento acumulado: retomou o modelo de políticas públicas de alimentação e nutrição construído nos anos 2000 e 2010, atualizando-o para os desafios do presente.

O primeiro e mais significativo passo foi o lançamento do Plano Brasil sem Fome, em agosto de 2023. Com três metas até 2030 – tirar o Brasil do Mapa da Fome, reduzir a insegurança alimentar e reduzir as taxas de pobreza da população –, o plano articula 24 ministérios em torno de três eixos: 1) acesso à renda, redução da pobreza e promoção da cidadania; 2) segurança alimentar e nutricional; 3) mobilização para o combate à fome.10 Na prática, isso se traduziu em busca ativa no Cadastro Único (para ma-
pear e acessar as populações-foco das políticas públicas), a valorização do salário mínimo, reajuste dos valores distribuídos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae, de extrema importância para a saúde infantil), criação de editais para apoio a cozinhas comunitárias (outro acesso de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social à alimentação adequada e saudável) e reinstalação das instâncias do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que integra esforços entre governo e sociedade civil.

O retorno do Sisan se concretizou com a reestruturação da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) e a recriação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), extinto em 2019. O sistema opera agora com base no III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan),11 que define as estratégias empregadas entre 2025 e 2027 e traz metas voltadas especificamente a crianças e adolescentes – como o aumento do número de escolas no Programa Saúde na Escola e o acompanhamento das condicionalidades de educação e saúde do Bolsa Família para beneficiários de 4 a 17 anos. O plano tem, porém, uma fragilidade relevante. Ao contrário das duas edições anteriores, que estabeleciam metas claras de atualização e implementação de guias alimentares (Guia alimentar para a população brasileira e Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos), a versão atual trata esses documentos apenas como um referencial teórico – sem renovar o compromisso político com sua aplicação efetiva. 

Outras políticas não foram extintas, mas pausadas ou enfraquecidas. É o caso do Pnae, a política pública de alimentação e nutrição mais antiga do país. O programa serve refeições a mais de 40 milhões de estudantes em cerca de 150 mil escolas em todos os municípios do Brasil. Para muitas crianças de baixa renda, é a única refeição do dia. Com orçamento congelado por seis anos, o Pnae sobreviveu graças à sua gestão descentralizada e ao repasse de recursos a governos locais via Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).12 Em 2023, o Pnae teve seus valores per capita finalmente reajustados, com aumentos que variaram entre 28% e 39% de acordo com a etapa e a modalidade do ensino.13 O novo orçamento destinou R$ 5,3 bilhões por ano ao programa. O alívio, porém, foi breve – o programa voltou a ser congelado. Segundo o Observatório da Alimentação Escolar, seriam necessários pelo menos R$ 300 milhões14 adicionais para recuperar o poder de compra perdido. 

As mudanças do Pnae também foram qualitativas. A Resolução CD/FNDE nº 3/202515 estabelece uma transição gradual da composição das refeições escolares: o limite para compra de alimentos processados e ultraprocessados caiu de 20% para 15% em 2025 e será de 10% em 2026. No sentido oposto, o piso para alimentos in natura e minimamente processados subiu para 80% em 2025 e chegará a 85% em 2026. A resolução também recomenda evitar alimentos com a lupa na rotulagem frontal, o símbolo criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para alertar sobre o excesso de açúcar, sódio e gordura saturada. Uma sinalização clara de que a merenda escolar também precisa mudar em qualidade. 

O maior impacto positivo em segurança alimentar e nutricional nos últimos dois anos, no entanto, veio provavelmente do novo Programa Bolsa Família (PBF). Rebatizada de Auxílio Brasil em 2021, com notável descaracterização,16 a política pública ganhou novo desenho em 2023 (ver quadro ao lado).

Apesar de recente, o novo Bolsa Família já tem evidências de eficácia na redução da pobreza na primeira infância.17 Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único mostra que o pagamento do Benefício Primeira Infância (BPI) aumentou de 64% para 84% a proporção de famílias com crianças da primeira infância resgatadas da pobreza em comparação com os meses iniciais do Bolsa Família, quando o BPI ainda não tinha sido distribuído. Somados os demais benefícios, o percentual chega a 91%. O programa está associado à proteção contra a pobreza de quase 20 milhões de famílias.

Os efeitos do Bolsa Família vão além da renda. Uma pesquisa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Fundação Oswaldo Cruz e outras instituições avaliou os efeitos do programa em sua primeira etapa, entre 2004 e 2019. Os resultados mostram que, no período, o Bolsa Família evitou mais de 700 mil mortes e 8 milhões de internações hospitalares, com impacto especialmente forte entre crianças com menos de 5 anos.18 Em municípios com alta cobertura do programa, a mortalidade infantil teve queda de até 33%. Dados mais recentes divulgados pelo MDS,19 que incluem a fase do Auxílio Brasil, mostram avanços em indicadores importantes em beneficiários na primeira infância: entre 2019 e 2023, a magreza acentuada diminuiu 21,5%; a estatura baixa para a idade, 31,2%; e a muito baixa, 43%. O risco de sobrepeso encolheu 26%.

O Programa Cisternas, lançado em 2003, também foi retomado em 2023 após um período de quase paralisação – entre 2020 e 2022, apenas 3 mil cisternas foram entregues por ano, contra um pico de 150 mil em 2014. Com a retomada, o programa somou 70 mil entregas até maio de 2025 e ganhou nova abrangência geográfica: além do Semiárido nordestino, passou a atender também a Amazônia e o Rio Grande do Sul. Os impactos da política vão além do acesso à água. Uma pesquisa da UFBA, do Ipea e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) revelou o surpreendente efeito de que, a cada semana de exposição de gestantes às cisternas, o peso dos bebês ao nascer aumenta em média 1,7 grama20 – ganho de peso comparável, e em alguns casos superior, ao observado em estudos que avaliam programas de transferência de renda. Isso se explica pelo fato de que as gestantes, ao terem água disponível em seu domicílio, são poupadas do trabalho extenuante de buscar água longe de casa, o que é prejudicial à saúde gestacional. 

Outras iniciativas completam esse conjunto de políticas. O Gás do Povo – programa que substituiu o Auxílio Gás, com o mesmo espírito – garante o insumo básico para cozinhar. O Programa Cozinha Solidária reconhece uma solução criada pela sociedade civil organizada21 e a fortalece por meio de apoio financeiro, fornecimento de alimentos e, futuramente, formação de colaboradores. Destacam-se, ainda, medidas mais internas do governo, como a volta do Mapa InSAN (que identifica municípios com famílias do Bolsa Família cujas crianças estão em déficit nutricional) e o lançamento do CadInsan (indicador que mapeia o risco de fome em municípios brasileiros, sinalizando famílias prioritárias para ações emergenciais).


Como o novo Bolsa Família é estruturado

Reestruturado em 2023, o Programa Bolsa Família opera com um valor mínimo de R$ 142 por pessoa e R$ 600 por domicílio. A esses valores-base, somam-se benefícios adicionais de acordo com a composição familiar:

Benefício Primeira Infância (BPI):
R$ 150 adicionais para cada criança de até 6 anos;

Benefício Variável Familiar:
R$ 50 adicionais para cada criança ou adolescente de 7 a 17 anos, gestante ou nutriz.

O programa também passou a articular de forma mais estruturada as áreas de assistência social, saúde e educação. As condicionalidades – como a realização do pré-natal, o cumprimento do calendário de vacinação e a frequência escolar mínima – passaram a ser acompanhadas com maior atenção, especialmente para as famílias com dificuldade de cumpri-las.


A tendência de má nutrição

O brasil come mais, mas não come melhor. Enquanto os indicadores de subnutrição recuam, os de sobrepeso e obesidade avançam, impulsionados em grande medida pelo consumo de alimentos ultraprocessados.

Essa contradição aparece com clareza nos dados do Sisvan,22 sistema que agrega informações nutricionais das populações atendidas pelos serviços da Atenção Primária à Saúde – a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2021 e 2025, os índices de subnutrição caíram nos três grupos analisados: a prevalência de altura muito baixa para a idade recuou de 5,68% para 4,83% entre crianças de até 5 anos; de 3,26% para 2,05% entre crianças de 5 a 10 anos; e de 2,85% para 1,73% entre adolescentes. 

Tendência semelhante aparece nos indicadores de peso baixo e peso muito baixo para a idade. As quedas são mais graduais – o que faz sentido, já que os percentuais já eram baixos. Na primeira infância, o peso baixo para a idade recuou de 2,77% para 2,27%; entre as crianças maiores, de 3,08% para 2,62%. No caso dos adolescentes, o indicador disponível é a relação entre Índice de Massa Corporal por idade (IMC/idade), em que a magreza acentuada, por exemplo, segue o mesmo caminho: queda de 1,08% para 0,86%.

O cenário se inverte quando olhamos para sobrepeso e obesidade. Entre 2021 e 2025, os três grupos analisados mostram prevalências muito superiores às de subnutrição – e em alta. Quase uma em cada cinco crianças de até 5 anos (19,84%) está em risco de sobrepeso. Entre os adolescentes, 11,21% já têm sobrepeso. A obesidade, embora em percentuais menores, chega a quase 6% entre crianças de 5 a 10 anos – ainda assim, um número maior do que todos os indicadores de magreza. O problema, portanto, não é pequeno. E está crescendo. 

A exposição precoce a ultraprocessados aumenta as chances de construção de hábitos nocivos à saúde. Um padrão alimentar baseado nesses alimentos amplia o risco de desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, deficiência em micronutrientes e síndrome metabólica

Outro ponto importante são as trajetórias recentes de alta, opostas às curvas de magreza e magreza acentuada. Entre 2021 e 2023, os índices de sobrepeso e obesidade chegaram a cair levemente entre crianças de 5 a 10 anos e adolescentes – mas essa aparente melhora coincide exatamente com o período de maior fome no Brasil. Quando falta comida, os índices de sobrepeso recuam por conta da privação. A partir de 2023, com a recuperação da segurança alimentar, os percentuais voltaram a subir. O risco de sobrepeso entre crianças de 5 a 10 anos foi de 14,96% para 15,89% no período; e a obesidade, de 5,54% para 5,9%. Na primeira infância, o sobrepeso subiu de 7,86% para 8,34%. 

Os dados do Sisvan são confirmados pelo SOFI: o sobrepeso em crianças brasileiras de até 5 anos vem crescendo de forma consistente ao menos desde 2019, passando de 9,2% para 10,9% em 2024. A tendência acompanha o que acontece em adultos: a obesidade entre maiores de 18 anos nas capitais brasileiras saiu de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel),23 e seguiu subindo entre 2019 e 2022 de acordo com o SOFI. 

O crescimento desses indicadores encontra reflexo nos dados de consumo alimentar, também obtidos pelo Sisvan. O sistema mostra que o aleitamento materno exclusivo para crianças de até 6 meses teve aumento tímido entre 2021 e 2025, indo de 53% para 57%, com estagnação nos últimos três anos. Na fase da introdução alimentar, entre 6 meses e 2 anos, o consumo de alimentos ultraprocessados é significativo: entre 30% e 35% no período, com pico de 44% em 2022. Os dados de recordatório alimentar também indicam a presença massiva de ultraprocessados no padrão alimentar de crianças e adolescentes. Nessa metodologia, o respondente é perguntado sobre a presença de ultraprocessados no consumo alimentar do dia anterior. No inquérito entre crianças de 2 a 4 anos, de 5 a 9 anos e de adolescentes (10 a 19 anos), entre 2021 e 2025, os ultraprocessados estiveram presentes em altíssimos percentuais, variando de 77% a 89%. Em todos os anos e grupos analisados, o consumo de ultraprocessados foi superior ao consumo de verduras e legumes – que variou de 64% a 73%.

A exposição tão precoce a ultraprocessados é bastante preocupante, já que ela amplia as chances de construção de hábitos alimentares nocivos à saúde ao longo da vida.24 Além disso, um padrão alimentar baseado nesses alimentos comprovadamente causa uma série de desfechos indesejados, como o aumento do risco de desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, deficiência em micronutrientes, síndrome metabólica e adicção alimentar, entre outros.25 As consequências do consumo desses alimentos são uma realidade global: no início de setembro de 2025, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) constatou que, pela primeira vez, a obesidade superou a desnutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar no mundo todo – um resultado da exposição generalizada ao marketing de alimentos ultraprocessados.26


A classificação NOVA

Desenvolvida por pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo (USP), liderados pelo epidemiologista Carlos Monteiro, a classificação NOVA organiza os alimentos em grupos de acordo com a extensão e o propósito do processamento industrial, e não apenas pela composição nutricional. Ela é o referencial adotado pelo Guia alimentar para a população brasileira e vem orientando políticas públicas de alimentação e nutrição no Brasil desde 2014, além de influenciar guias alimentares de outros países.

A NOVA divide os alimentos em quatro grupos.

Alimentos in natura ou minimamente processados: são obtidos diretamente de plantas ou animais (partes comestíveis como grãos, frutas, folhas, raízes, carnes, ovos, leite) e podem passar por processos como limpeza, secagem, moagem, pasteurização, resfriamento ou congelamento, sem adição de outras substâncias que os descaracterizem. Exemplos: frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes frescas, leite pasteurizado, café torrado e moído.

Ingredientes culinários processados: são substâncias extraídas de alimentos do primeiro grupo ou diretamente da natureza, por processos como prensagem, moagem ou refino, usadas em pequenas quantidades para temperar e cozinhar. Exemplos: óleos vegetais, azeite, manteiga, gordura, açúcar, farinha de trigo, sal de cozinha.

Alimentos processados: são produtos obtidos pela adição de sal, açúcar, óleo ou outras substâncias do segundo grupo a alimentos in natura ou minimamente processados, em geral com o objetivo de aumentar a durabilidade e tornar o consumo mais conveniente. Costumam envolver poucos ingredientes e processos relativamente simples (como salga, fermentação, enlatamento, cozimento), que poderiam ser feitos em ambiente doméstico. Exemplos: conservas de legumes, peixes em conserva, frutas em calda, queijos, pães artesanais.

Alimentos ultraprocessados: são formulações industriais feitas predominantemente de substâncias derivadas de alimentos (como amidos modificados, óleos refinados, proteínas isoladas) e de aditivos de uso tipicamente industrial, com pouco ou nenhum alimento in natura na composição. Frequentemente contêm corantes, aromatizantes, emulsificantes, espessantes, realçadores de sabor e outros aditivos que imitam ou intensificam cor, sabor e textura dos alimentos do primeiro grupo. Exemplos: refrigerantes, bebidas adoçadas em pó ou prontas, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, cereais matinais açucarados, macarrão instantâneo, bolos e misturas para bolo, embutidos (salsicha, nugget, hambúrguer reconstituído), pizzas e pratos prontos congelados.

Desde sua proposição, a NOVA ganhou reconhecimento internacional e passou a embasar centenas de estudos epidemiológicos que associam o alto consumo de alimentos ultraprocessados a maior risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, depressão e aumento da mortalidade por todas as causas. Assim, uma formulação frequentemente usada em materiais de educação alimentar é que, especialmente no caso dos ultraprocessados, quanto maior sua participação na dieta, maior tende a ser o risco de desfechos negativos em saúde. A regra de ouro do Guia alimentar resume essa orientação: “Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”.


Caminhos para o futuro

As repercussões da tendência de má nutrição na infância (e nas demais fases da vida) não são uma novidade e, embora com atraso, o Brasil começa a se preparar para enfrentá-las. Em 2023, os municípios de Niterói e Rio de Janeiro sancionaram leis que proíbem a venda e a distribuição de alimentos ultraprocessados em escolas. No mesmo ano, o Decreto Federal nº 11.82127 estabeleceu diretrizes para a promoção da alimentação adequada e saudável no ambiente alimentar no sentido de priorizar alimentos in natura e minimamente processados e proteger os estudantes da exposição a ultraprocessados. Em junho de 2025, Paulista (PE) foi o primeiro município a aprovar um projeto de lei com base no decreto.28 Em São Paulo, um projeto de lei municipal semelhante está em tramitação, fruto de um movimento liderado por estudantes adolescentes.29

Outras iniciativas ampliam esse movimento. O Decreto nº 11.820,30 também de 2023, instituiu a Política Nacional de Abastecimento Alimentar, com foco na priorização dos alimentos in natura e minimamente processados e no abastecimento em regiões de desertos e pântanos alimentares. Em 2024, o Decreto Federal nº 11.93631 foi além e alterou a composição da cesta básica, vedando a inclusão de ultraprocessados. E a Estratégia Intersetorial de Prevenção da Obesidade (Decreto nº 12.680/2025), em implementação no país, deve vigorar até 2034, com foco no aleitamento materno exclusivo no mínimo até os 6 meses de idade, na diversidade da alimentação complementar de crianças com até 2 anos e no incentivo ao consumo de alimentos in natura e minimamente processados.

A presença da classificação de alimentos NOVA em diversas políticas públicas não é coincidência – é o resultado de mais de uma década de consolidação de um referencial técnico brasileiro que ganhou reconhecimento internacional. Há pouco mais de dez anos, o Ministério da Saúde lançou o Guia alimentar para a população brasileira,32 cujo princípio central pode ser resumido numa frase: prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados a ultraprocessados. O guia tornou-se base e inspiração para políticas públicas no Brasil e referência para outros países – um caso raro em que a ciência brasileira pautou a agenda global de alimentação saudável (ver quadro A classificação nova, na p. 9).

O caminho adiante é longo. A insegurança alimentar não foi erradicada. Apesar dos avanços, existe um núcleo duro da fome – uma parcela da população que segue sem acesso suficiente a alimentos. Baseado em integrantes do Cadastro Único (CadÚnico), o relatório do CadInsan33 ajuda a traçar o perfil desse grupo: proporcionalmente, são moradores das regiões Norte e Nordeste, famílias chefiadas por pessoas negras, indígenas e quilombolas. Para essas populações, os obstáculos se acumulam, desde isolamento geográfico, vulnerabilidade econômica, infraestruturas precárias e, ainda, a falta de dados mais precisos sobre suas condições – lacuna que o próprio CadInsan se propõe a preencher. 

Uma das formas mais eficazes de ampliar o alcance das políticas públicas é a adesão dos municípios ao Sisan. Ao aderir, o município se compromete a criar instâncias de participação que abrem o caminho para um diagnóstico local da situação alimentar e desenvolver um plano de segurança alimentar, o que facilita o acesso a diversas iniciativas, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Pnae. Até julho de 2025, 1.816 municípios brasileiros – pouco menos de um terço do total – haviam aderido ao sistema. 

Apesar da centralidade do Sisvan como meio de consolidação de informações sobre o estado nutricional e a alimentação da população nacional, o sistema tem limitações A cobertura é desigual: mais robusta em algumas regiões que em outras e mais consistente no monitoramento de crianças do que de adolescentes. Seus resultados também divergem dos inquéritos nacionais,34 o que se explica pelo fato de o Sisvan registrar apenas quem acessa a Atenção Primária. Nesse sentido, é necessário construir formas de monitorar o estado nutricional de crianças e adolescentes não monitorados pelo Sisvan, além de qualificar a cobertura do sistema.

Mesmo com esses desafios, o Brasil tem muito a ensinar ao mundo – e o faz por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do governo federal. Mas quando o assunto é qualidade da alimentação, o país tem muito a aprender, sobretudo com os vizinhos latino-americanos. Embora tenha sido pioneiro em identificar os malefícios dos ultraprocessados na saúde humana, o Brasil falha quando o assunto é regulação. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ilustra a distância: se adotássemos medidas regulatórias em vigor em países como Argentina, Chile, Bolívia e Peru, cerca de 60% da publicidade de alimentos em mídias sociais traria alertas sobre o consumo excessivo de alimentos não saudáveis.35 

O maior obstáculo, no entanto, não é técnico – é político. O lobby das entidades que lucram com a venda desses alimentos atua para atrasar, amenizar ou até mesmo inviabilizar iniciativas. A reforma tributária de 2024 é um exemplo: os ultraprocessados escaparam do imposto seletivo (à exceção das bebidas adoçadas, que serão taxadas). Outro caso emblemático é a Resolução da Diretoria Colegiada no 24 (RDC 24), publicada pela Anvisa em 2010 para evitar que consumidores (principalmente crianças) sejam expostos a práticas agressivas de marketing de alimentos e bebidas não saudáveis.36 A indústria contestou a competência regulatória da agência no caso, abrindo um imbróglio que já dura quase 16 anos.37 Uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal pode reverter o cenário, reconhecendo a autoridade técnica da Anvisa.

Mesmo diante desses entraves, uma parcela das crianças e adolescentes começa a se conscientizar. Além dos estudantes que impulsionaram o projeto de lei limitador desses alimentos no ambiente escolar, o tema foi destaque no Programa Jovem Senador 2025. Entre os três projetos de lei sugeridos pelos 27 participantes, um visa regulamentar a rotulagem, a apresentação e a publicidade de alimentos ultraprocessados,38 proibindo estratégias direcionadas ao público infantojuvenil e tornando obrigatórias as advertências sobre riscos à saúde. São os mesmos jovens que cresceram expostos a esses alimentos exigindo, agora, proteção para as próximas gerações. O Brasil que liderou o combate à fome tem as ferramentas – e, cada vez mais, a pressão – para liderar também o combate à má nutrição.

Notas

1. Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO); International Fund for Agricultural Development (IFAD); United Nations Children’s Fund (UNICEF); World Food Programme (WFP); World Health Organization (WHO). The State of Food Security and Nutrition in the World 2025. Rome: FAO, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.4060/cd6008en. Acesso em: 8 mar. 2026.

2. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O estado da segurança alimentar e nutricional no Brasil: um relato multidimensional. Brasília: FAO, 2014.

3. Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad): segurança alimentar, ano 2013. Sumário executivo. Brasília: IBGE, 2013. Disponível em: https://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/pesquisas/documentos/pdf/ficha_148.pdf. Acesso em: 8 mar. 2026.

4. Silva, José Graziano da; Grossi, Mauro Eduardo Del; França, Caio Galvão de (orgs.). Fome Zero: a experiência brasileira. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2010. Disponível em: https://www.gov.br/mda/pt-br/acervo-nucleo-de-estudos-agrarios/nead-especial-1/7-fome-zero-portugues-2013-a-experiencia-brasileira.pdf. Acesso em: 8 mar. 2026.

5. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF): 2017-2018. Primeiros resultados. Rio de Janeiro, 2019. 

6. Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN). II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil (II VIGISAN): relatório final. São Paulo: Fundação Friedrich Ebert; Rede PENSSAN, 2022.

7. Brasil. Secretaria de Comunicação Social. Com mais 147,7 mil crianças incluídas em maio, Bolsa Família chega a nove milhões de beneficiários na primeira infância. Brasília, 19 maio 2023. Notícia. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2023/05/com-mais-147-7-mil-criancas-incluidas-em-maio-bolsa-familia-chega-a-nove-milhoes-de-beneficiarios-na-primeira-infancia. Acesso em: 8 mar. 2026.

8. Costa, Joana Simões de Melo; Pinheiro, Luana Simões; Leal, Matheus Gomes da Silva; Russo, Felipe Mendonça. Ser mãe é padecer no paraíso? Penalidades do trabalho de cuidados nas trajetórias laborais de mulheres com filhos na primeira infância. In: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate: Primeira Infância, Brasília, DF, n. 36, p. 60-81, 2024.

9. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Triagem para Risco para Insegurança Alimentar (Tria): Relatório preliminar. Brasília: Ministério da Saúde, 2023-2025. Disponível em: https://relatorioaps.saude.gov.br/tria. Acesso em: 8 mar. 2026.

10. Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Plano Brasil Sem Fome. Brasília, DF: MDS, 2023.

11. Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (2025-2027). Brasília, DF: MDS, 2025.

12. Andrade, Marina Lazarotto de; Milhorance, Carolina; Parnes, Hannah Ribeiro. Policy Dismantling and Resilience: a Proposal for an Analytical Framework Based on the Case of the Food and Nutritional Security Policy in Brazil. Brazilian Political Science Review, v. 18, n. 2, p. 1-37, 2024. DOI: 10.1590/1981-3821202400020005.

13. Brasil. Ministério da Educação (MEC). Governo Federal reajusta valores da alimentação escolar. Brasília, 14 mar. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2023/marco/governo-federal-reajusta-valores-da-alimentacao-escolar. Acesso em: 8 mar. 2026.

14. Simeon, Yuri. Congresso rejeita reajuste do PNAE; novo PL coloca em risco pontos centrais. Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, 20 dez. 2024. Notícia. Disponível em: https://alimentacaosaudavel.org.br/blog/congresso-rejeita-reajuste-do-pnae-novo-pl-coloca-em-risco-pontos-centrais/12178/. Acesso em: 8 mar. 2026.

15. Brasil. Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Conselho Deliberativo. Resolução CD/FNDE nº 3, de 4 de fevereiro de 2025. Altera a Resolução CD/FNDE nº 6, de 8 de maio de 2020, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, Edição 27, p. 41, 7 fev. 2025.

16. De Sordi, Denise. Empobrecimento, fome e pandemia: o Auxílio Emergencial, o fim do Programa Bolsa Família e o Auxílio Brasil, 2019-2022. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 30, supl., e2023032, 2023. DOI: 10.1590/S0104-59702023000100032.

17. Da Mata, Daniel; Osorio, Rafael Guerreiro; Carvalho, Davi; Costa, Joana. O Novo Bolsa Família e a redução da pobreza de renda na Primeira Infância. In: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate: Primeira Infância, Brasília, DF, n. 36, p. 150-158, 2024.

18. Cavalcanti, Daniella Medeiros et al. Health effects of the Brazilian Conditional Cash Transfer programme over 20 years and projections to 2030: a retrospective analysis and modelling study. The Lancet Public Health, v. 10, n. 7, p. e548-e558, Jul. 2025. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanpub/article/PIIS2468-2667(25)00091-X/fulltext. Acesso em: 8 mar. 2026.

19. Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome. Segurança alimentar e nutricional das crianças de 0 a 6 anos beneficiárias do Bolsa Família: uma análise longitudinal. Brasília: MDS, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/caisan/monitoramento-da-san/Seguranca_alimentar_e_nutricional_das_criancas.pdf. Acesso em: 8 mar. 2026.

20. Emanuel, Lucas; Da Mata, Daniel; Pereira, Vitor; Sampaio, Breno. Impactos do Programa Cisternas na saúde infantil. In: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate: Primeira Infância, Brasília, DF, n. 36, p. 82-101, 2024.

21. De Sordi, Denise. Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST): solidariedade e reconstrução da esfera pública (2021-2022). Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 15, p. 1-21, 2023. DOI: 10.5007/1984-9222.2023.e92392.

22. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan): relatórios de acesso público. Brasília: Ministério da Saúde, 2021-2025. Disponível em:  https://sisaps.saude.gov.br/sisvan/relatoriopublico/index. Acesso em: 8 mar. 2026.

23. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2006-2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em:  https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_2006_2023_estado_nutricional.pdf. Acesso em: 8 mar. 2026.

24. Gama, Guilherme. Crianças que consomem ultraprocessados se tornam adultos mais obesos. Jornal da USP, São Paulo, 29 jul. 2024. Seção Ciências. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/criancas-que-consomem-ultraprocessados-se-tornam-adultos-mais-obesos/. Acesso em: 8 mar. 2026.

25. Khandpur, Neha et al. Ultra-Processed Food Consumption among the Paediatric Population: An Overview and Call to Action from the European Childhood Obesity Group. Annals of Nutrition & Metabolism, v. 76, n. 2, p. 109-113, 2020. DOI: 10.1159/000507840.

26. United Nations Children’s Fund (UNICEF). Feeding Profit: how food environments are failing children. Child Nutrition Report 2025. New York, UNICEF, September 2025.

27. Brasil. Decreto nº 11.821, de 12 de dezembro de 2023. Dispõe sobre os princípios, os objetivos, os eixos estratégicos e as diretrizes que orientam as ações de promoção da alimentação adequada e saudável no ambiente escolar. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, Edição Extra, p. 2, 12 dez. 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/d11821.htm. Acesso em: 8 mar. 2026.

28. Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Município pernambucano de Paulista aprova Projeto de Lei sobre alimentação adequada e saudável nas escolas. Gov.br, Brasília, 16 jun. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/noticias-e-conteudos/desenvolvimento-social/noticias-desenvolvimento-social/municipio-pernambucano-de-paulista-aprova-projeto-de-lei-sobre-alimentacao-adequada-e-saudavel-nas-escolas. Acesso em: 8 mar. 2026.

29. Pacheco, Victória. Jovens pressionam vereadores por proibição de ultraprocessados em escolas de SP. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 ago. 2025. Folha Social+. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-social-mais/2025/08/jovens-pressionam-vereadores-por-proibicao-de-ultraprocessados-em-escolas-de-sp.shtml. Acesso em: 8 mar. 2026.

30. Brasil. Decreto nº 11.820, de 12 de dezembro de 2023. Institui a Política Nacional de Abastecimento Alimentar e dispõe sobre o Plano Nacional de Abastecimento Alimentar. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Edição Extra, p. 1, 12 dez. 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/d11820.htm. Acesso em: 8 mar. 2026.

31. Brasil. Decreto nº 11.936, de 5 de março de 2024. Dispõe sobre a composição da cesta básica de alimentos no âmbito da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e da Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 1, 6 mar. 2024. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2024/decreto-11936-5-marco-2024-795353-publicacaooriginal-171158-pe.html. Acesso em: 8 mar. 2026.

32. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 8 mar. 2026.

33. Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome. CadInsan: indicador de risco de insegurança alimentar municipal a partir dos dados do CadÚnico. Brasília: MDS, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/caisan/monitoramento-da-san/Relatorio_CadINSAN.pdf. Acesso em: 8 mar. 2026.

34. Mrejen, Matías; Cruz, Maria Vitória; Rosa, Leonardo. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) como ferramenta de monitoramento do estado nutricional de crianças e adolescentes no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 39, n. 1, e00169622, 2023. DOI: 10.1590/0102-311XPT169622. 

35. Souza, Juliana de Paula Matos. Regulação da publicidade de alimentos direcionada à criança e ao adolescente no meio digital: experiências internacionais e perspectivas brasileiras. 2025. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde – Saúde da Criança e do Adolescente) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2025.

36. Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 24, de 16 de junho de 2010. Dispõe sobre os procedimentos e requisitos técnicos para a notificação e o registro de alimentos e embalagens de alimentos, de uso repetido, isentos da obrigatoriedade de registro, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 55, 17 jun. 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/rdc0024_16_06_2010.html. Acesso em: 31 ago. 2025.

37. Barbosa, Isabel et al. A Anvisa e o caso da publicidade de alimentos e bebidas não saudáveis. JOTA, 25 ago. 2025. Opinião e Análise. Disponível em: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-anvisa-e-o-caso-da-publicidade-de-alimentos-e-bebidas-nao-saudaveis. Acesso em: 31 ago. 2025.

38. Brasil. Senado Federal. Jovem Senador termina com sugestões de selo sustentável e vale-livro estudantil. Jovem Senador, Brasília, 22 ago. 2025. Notícia. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/jovemsenador/home/noticias-1/externas/2025/08/jovem-senador-termina-com-sugestoes-de-selo-sustentavel-e-vale-livro-estudantil. Acesso em: 31 ago. 2025.

Os Autores(as)

Murilo Bomfim Lobo Braga

Murilo Bomfim Lobo Braga é jornalista, bacharel em nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e pesquisador colaborador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP. Ao lado de Patricia Jaime escreveu o artigo “Dez anos do Guia alimentar para a população brasileira: história, ciência e política”, publicado na Revista de Epidemiologia e Serviços de Saúde.

Ana Paula Bortoletto Martins

Ana Paula Bortoletto Martins é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública pela FSP-USP, onde leciona desde 2023. É pesquisadora científica no Nupens desde 2009 e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da USP desde 2021.

Patricia Constante Jaime

Patricia Constante Jaime é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública pela FSP-USP. É coordenadora e pesquisadora no Nupens e na Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da USP.

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