O clima na conta da infância

Mudanças climáticas, desigualdade e fragilidade dos sistemas alimentares formam uma combinação capaz de agravar a insegurança alimentar infantil. Ao integrar dados climáticos, sociais e nutricionais, a Plataforma FomeS busca identificar territórios vulneráveis e antecipar crises antes que a escassez se transforme em fome
Ilustração de Bárbara Quintino

O que está sobre a mesa

O Brasil reúne uma grande quantidade de dados sobre clima, saúde e condições sociais – mas essas informações raramente conversam entre si. Sem essa integração, torna-se difícil antecipar onde eventos climáticos extremos podem agravar a insegurança alimentar infantil. A Plataforma FomeS foi criada justamente para cruzar essas bases: o projeto reúne 276 indicadores validados de 44 fontes de dados vinculadas a 17 órgãos públicos, permitindo identificar territórios onde os riscos se acumulam.


A intensificação da crise climática e o aumento da frequência de eventos climáticos extremos têm aprofundado desigualdades sociais e colocado em risco o direito humano à alimentação adequada no Brasil. Secas, enchentes e outros fenômenos climáticos afetam diretamente a produção, a disponibilidade e o acesso aos alimentos. Esses impactos recaem de forma mais severa sobre grupos social e biologicamente vulneráveis – especialmente crianças pequenas, cuja saúde e estado nutricional são particularmente sensíveis a mudanças ambientais e a rupturas no sistema alimentar. Dados recentes mostram que a insegurança alimentar e a fome são mais prevalentes em domicílios com crianças com menos de 5 anos,1,2 evidenciando a vulnerabilidade que se agrava nessa fase com a sobreposição da pobreza, exposição aos eventos climáticos extremos e risco nutricional.

A intersecção entre crise climática, insegurança alimentar e saúde infantil configura um dos desafios mais urgentes do país. A maior ocorrência de eventos climáticos extremos, associada às desigualdades estruturais e às fragilidades no acesso regular e adequado aos alimentos, contribui para agravar a má nutrição infantil em suas múltiplas formas, incluindo desnutrição, deficiência de micronutrientes e o excesso de peso, já presentes nos domicílios em situação de insegurança alimentar. Embora a relação entre eventos climáticos extremos e insegurança alimentar pareça evidente, o monitoramento desses impactos ainda constitui uma lacuna significativa na produção científica. Essa ausência de informação integrada limita a capacidade de gestores públicos de antecipar riscos e planejar respostas intersetoriais. Trata-se, portanto, de um desafio multidisciplinar, que exige o desenvolvimento de metodologias capazes de integrar variáveis ambientais, sociais e de saúde.

Monitorar essas condições e compreender como tais fenômenos se articulam é fundamental para orientar políticas públicas capazes de mitigar riscos à saúde infantil, reduzir iniquidades e proteger os grupos mais expostos aos efeitos da mudança climática. O Brasil dispõe de sistemas de informação voltados ao monitoramento da mudança do clima, da insegurança alimentar, de condições socioeconômicas e da saúde e nutrição da população. No entanto, essas bases de dados permanecem dissociadas, adotam metodologias e periodicidades distintas e apresentam capacidade de integração limitada. Embora iniciativas nacionais e internacionais tenham buscado integrar indicadores diversos, ainda não existe uma plataforma de acesso público que reúna, de forma articulada, determinantes climáticos da fome e da insegurança alimentar e suas relações com a saúde e a nutrição infantil. É nesse contexto que se destaca o caráter inovador do Projeto FomeS.

O projeto surge da inquietação de pesquisadores diante dessas lacunas e busca transformar o cenário disperso e pouco interoperável de dados em um ecossistema articulado de informações. A iniciativa pretende sustentar políticas públicas baseadas em evidências, apoiar o planejamento estratégico de ações locais e qualificar análises que integrem determinantes socioeconômicos, temporais, territoriais e climáticos. Financiado pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto – intitulado “Indicadores de mudanças climáticas, de insegurança alimentar e fome no Brasil e seus impactos na saúde e nutrição infantil (FomeS)” – tem como principal resultado a construção de uma plataforma integrada de indicadores climáticos, sociais e nutricionais. 

De acesso público e gratuito, a Plataforma FomeS visa ampliar o debate sobre as relações entre mudança climática, insegurança alimentar e saúde infantil. Ao reunir dados em um ambiente integrado, a plataforma também busca estimular parcerias entre pesquisadores e gestores e contribuir para a construção coletiva de políticas públicas mais efetivas para as populações vulnerabilizadas. A plataforma adota a insegurança alimentar como eixo central de análise, utilizando a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), que permite identificar diferentes níveis de restrição no acesso aos alimentos – níveis que podem ser agravados pela maior ocorrência de eventos climáticos extremos. Essa abordagem torna mais visíveis as desigualdades que a crise climática tende a aprofundar, especialmente em um país marcado por grandes disparidades sociais, diversidade de biomas e vulnerabilidades estruturais que comprometem o direito humano à alimentação adequada e afetam diretamente a saúde das crianças.


Por dentro do FomeS

O modelo conceitual do projeto foi construído a partir da abordagem de sistemas complexos, que reconhece a interdependência entre os elementos de um sistema. Nessa perspectiva, que busca compreender o sistema como um todo, considerando relações, interações e efeitos emergentes decorrentes dessas conexões,5, 6 mudanças em uma de suas partes podem gerar efeitos significativos tanto no ambiente interno como no externo.

O modelo organiza as possíveis relações entre os eventos climáticos extremos e a má nutrição infantil, tendo a insegurança alimentar como dimensão central. O processo é influenciado por outros fatores determinantes como o sistema alimentar insustentável e injusto, a insegurança hídrica e as desigualdades sociais.


Uma construção coletiva

A plataforma fomeS foi construída com base em um amplo inventário de indicadores e oferece uma interface interativa com painéis dinâmicos – as dashboards – de visualização de dados. O projeto baseia-se nas premissas da pesquisa cidadã e da ciência aberta, buscando ampliar o acesso às informações e democratizar o uso dos dados sobre fome, desigualdades sociais e mudanças climáticas. A plataforma utiliza indicadores validados por especialistas e integra técnicas de análise de dados – incluindo aprendizado de máquina – para apoiar processos de tomada de decisão, formulação e monitoramento de políticas públicas. Seu desenvolvimento é interinstitucional e reúne pesquisadores da área de segurança alimentar e nutricional e da ciência de dados.

O desenvolvimento da plataforma começou em fevereiro de 2024 e foi estruturado em três etapas principais. A primeira etapa consistiu na elaboração do Inventário FomeS, um conjunto estruturado de indicadores voltados ao monitoramento das relações entre eventos climáticos extremos, insegurança alimentar e saúde infantil. Para validar esse inventário, foi utilizado o Delphi, um método de consulta estruturada a especialistas amplamente empregado em estudos sobre temas complexos e multifatoriais.3, 4 A técnica foi desenvolvida em três fases: elaboração do modelo conceitual, pré-seleção de indicadores em bases públicas nacionais e avaliação desses indicadores por especialistas. 

A pré-seleção dos indicadores envolveu consulta a diferentes fontes públicas, como bases governamentais, inquéritos populacionais, repositórios de dados, artigos científicos e relatórios técnicos. Também foram incluídas variáveis demográficas, geográficas, econômicas e sociais que permitem caracterizar o país e apoiar análises territoriais. Todos os indicadores selecionados foram registrados no Inventário FomeS com informações sobre nome, descrição, fonte e base de origem. Os relacionados à insegurança alimentar e às desigualdades sociais foram validados internamente pela equipe do projeto, enquanto os demais foram submetidos à avaliação de especialistas.

A avaliação dos indicadores ocorreu em duas rodadas de consulta a especialistas. A primeira foi realizada de forma virtual, anônima e dentro da interface digital do Inventário FomeS, com a participação de 26 especialistas. Uma matriz de avaliação, composta por seis categorias, analisou a coerência dos indicadores com o modelo conceitual e sua qualidade técnica (validade, confiabilidade, desagregação, historicidade e factibilidade). A segunda rodada ocorreu em uma oficina presencial, com 17 especialistas, cujo objetivo foi a reavaliação de indicadores que não alcançaram consenso na primeira rodada.

Participaram profissionais de áreas diversas do conhecimento – nutrição, medicina, engenharia sanitária e ambiental, física, ciências econômicas, entre outras. Também houve preocupação em assegurar diversidade de gênero e étnica entre os participantes: olhares e saberes diversos ampliam a visão dos problemas avaliados.

Ao final, foram pré-selecionados 322 indicadores, dos quais 276 foram validados para o Inventário FomeS, com uma proporção de consenso final de 79,5% entre os especialistas. Esses indicadores estão disponíveis em 44 fontes de dados vinculadas a 17 órgãos públicos do Brasil. Dessas fontes, 25 provêm de inquéritos populacionais, pesquisas, relatórios e plataformas de análise e 19 consistem em repositórios de registro contínuo (sistema de informação).

A segunda etapa de desenvolvimento consistiu na coleta de dados em bases públicas e na construção da base integrada de informações. Aqui foi utilizado o método de extração, transformação e limpeza de dados, que permite integrar informações provenientes de diferentes sistemas nacionais. O processo envolve coleta e atualização automatizada dos dados, padronização das variáveis e harmonização das informações no tempo e no território, além da verificação da consistência dos dados.

A etapa final se refere à consolidação da Dashboard FomeS, uma interface digital interativa e aberta voltada à visualização integrada dos indicadores validados. A ferramenta está sendo concebida para apoiar diretamente processos de tomada de decisão, transformando dados complexos em informações úteis para gestores públicos, pesquisadores e sociedade civil.


As dimensões analisadas pela Plataforma FomeS

  • Eventos Climáticos Extremos (ECE): Ocorrência de fenômenos como ondas de calor, secas severas, incêndios florestais e chuvas intensas, caracterizada por indicadores de temperatura e precipitação que extrapolam os limites historicamente observados, posicionando-se nas extremidades superiores ou inferiores da distribuição dessas variáveis.8
  • Insegurança Alimentar (IA): Considera a limitação no acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, conforme mensurado pela EBIA. Essa dimensão tem três graus: leve, quando há preocupação ou comprometimento da qualidade; moderada, marcada por restrição quantitativa entre adultos; e grave, quando há privação alimentar severa, inclusive entre crianças.9
  • Má Nutrição Infantil (MNI): Abrange as condições decorrentes de ingestão insuficiente, excessiva ou desequilibrada de energia e nutrientes, incluindo todas as formas de desnutrição (como baixa estatura para a idade, déficit de peso para a idade e baixo peso para a altura), deficiências de micronutrientes, sobrepeso, obesidade e condições crônicas relacionadas à dieta.10
  • Sistema Alimentar Insustentável e Injusto (SAII): Abrange o conjunto de elementos e processos que envolvem a produção, transformação, distribuição, comercialização, preparo, consumo e descarte de alimentos, incluindo aspectos institucionais, sociais e ambientais que afetam sua sustentabilidade e justiça distributiva.11
  • Insegurança Hídrica (IH): Trata-se da dificuldade de acesso à água em quantidade e qualidade adequadas para usos domésticos essenciais, afetando diretamente o bem-estar e a saúde das crianças. Esta dimensão considera tanto a disponibilidade física como a confiabilidade e segurança do recurso hídrico.12, 13
  • Desigualdades Sociais: Refere-se às diferenças persistentes de acesso a bens, recursos e oportunidades entre grupos sociais, independentemente dos talentos, capacidades e desempenhos individuais, expressas de maneira sistemática por categorias de classe, étnico-raciais ou de gênero.14

Contribuição para as políticas públicas

O projeto FomeS dialoga com agendas centrais das políticas públicas nacionais e internacionais e está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente aqueles relacionados à erradicação da fome, à saúde e bem-estar, à igualdade de gênero, à água potável e ao saneamento, à redução das desigualdades e à ação climática.

Os indicadores da plataforma podem apoiar tanto a formulação de novas políticas públicas como o acompanhamento de políticas já existentes e consideradas prioritárias pelo governo. Indicadores relacionados a eventos climáticos extremos, como aqueles sobre períodos prolongados de seca ou risco de enchentes, permitem monitorar impactos regionais das mudanças climáticas e dialogam diretamente com instrumentos como a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e o Plano Clima. Quando observados em conjunto, nas regiões com maior prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave, também fortalecem o monitoramento do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN). 

A plataforma também permite analisar como desigualdades sociais influenciam a exposição aos riscos climáticos. Indicadores relacionados ao acesso à água, à chefia feminina dos domicílios ou à raça e cor dos responsáveis podem ser cruzados com dados climáticos para identificar territórios onde vulnerabilidades sociais e ambientais se sobrepõem, contribuindo para o monitoramento de várias políticas públicas, entre as quais a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), o Plano de Ações Integradas Mulheres e Clima e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. 

Da mesma forma, indicadores sobre o estado nutricional de crianças com menos de 5 anos, quando associados a informações sobre eventos climáticos extremos, podem apoiar a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), assim como dialogar com iniciativas voltadas à proteção da primeira infância, como a Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI), instituída em 2025. 

Apesar dos avanços alcançados pelo projeto, a plataforma enfrenta desafios importantes. Um deles diz respeito à heterogeneidade dos dados nacionais públicos, que estão distribuídos entre diferentes ministérios, secretarias, institutos e esferas de governo. Cada órgão utiliza metodologias, formatos, periodicidades e padrões próprios, o que dificulta a interoperabilidade e gera inconsistências e lacunas importantes.

Outro complicador é o fato de muitos sistemas apresentarem atrasos de atualização, subnotificação ou baixa cobertura territorial, ou imporem excessiva burocracia para acesso. Além disso, a desigualdade afeta a infraestrutura tecnológica, de modo que a conectividade limitada em áreas remotas compromete a transmissão e a integração contínua dos dados. Por fim, a falta de investimento também é um ponto que merece atenção, uma vez que plataformas nacionais exigem manutenção contínua e equipes especializadas.

Esses desafios evidenciam que a inovação tecnológica por si só não resolve a fragmentação institucional. A sustentabilidade da plataforma depende de financiamento contínuo e fortalecimento da cultura de uso de dados na gestão pública.


Seis funcionalidades principais do painel

  1. Módulo de transparência e metadados dos indicadores: O painel incorpora um módulo integrado de metadados que permite ao usuário realizar downloads e acessar as informações essenciais sobre cada indicador, ou seja, fonte original do dado, periodicidade de atualização, nível de desagregação territorial, método de cálculo e histórico de revisões, assegurando rastreabilidade e transparência.
  2. Atualização automatizada e adaptabilidade: A atualização automatizada dos dados diretamente no BigQuery (plataforma em nuvem que organiza e processa grandes volumes de dados), além de contar com estrutura para incorporação de novos indicadores pelos usuários, garante que a plataforma construa a capacidade de manter-se atualizada e a flexibilidade fundamental para assim adaptar-se às necessidades dos usuários.
  3. Módulo de análises avançadas (ML): O painel permite aplicar diferentes modelos supervisionados de análise de dados e desenvolvimento de modelos preditivos, para diferentes indicadores, isoladamente ou integrados, articulando informações multidimensionais.
  4. Visualizações interativas e comparações territoriais multiescalares: Esta funcionalidade permite ao usuário gerar mapas, gráficos, séries temporais e painéis comparativos que possibilitam analisar os indicadores em diferentes escalas (municípios, estados, biomas e regiões).
  5. Quadros 5W2H para apoio à decisão: O painel conta com um módulo de geração automática de quadros 5W2H, ferramenta de gestão que sistematiza informações essenciais para orientar decisões de forma clara, objetiva e operacional.15 Esse módulo é derivado diretamente do processamento dos indicadores, que traduz análises de dados e padrões identificados nos indicadores em recomendações estruturadas para planejamento e ação. Essa funcionalidade organiza orientações nos componentes What (O que é feito); Why (Por que existe); Where (Onde se aplica); When (Quando ocorre); Who (Quem executa e coordena); How (Como é operacionalizado) e How much (Quanto custa), oferecendo ao usuário um instrumento sintético e objetivo para apoiar a formulação de respostas rápidas e planejadas. 
  6. Chatbot FomeS: O Chatbot FomeS foi desenvolvido como um agente conversacional inteligente integrado à plataforma, capaz de apoiar o usuário em diferentes etapas de uso do sistema, desde a elaboração das perguntas até a interpretação de resultados e a formulação de ações.

Em conjunto, essas funcionalidades estruturam a Dashboard FomeS como um ambiente integrado de análise, transparência, inteligência computacional e apoio à decisão. As etapas já concluídas e em curso estabelecem uma base sólida para o avanço das ações previstas nos eixos do projeto, que visam aprimorar, expandir e qualificar cada um desses componentes.


Antecipar vulnerabilidades como estratégia

A plataforma FomeS representa um avanço ao integrar dados sobre eventos climáticos extremos, insegurança alimentar, saúde e nutrição infantil em um ambiente analítico aberto e acessível. Mais do que uma ferramenta tecnológica, a plataforma reúne dados para antecipar vulnerabilidades, proteger a infância e fortalecer estratégias de mitigação e adaptação diante do cenário de crise climática.

Sua construção com alto rigor metodológico alia-se à flexibilidade e capacidade de adaptação, o que permite a incorporação de novos indicadores e a evolução contínua da inteligência artificial em resposta aos desafios emergentes no contexto nacional. Ao articular diferentes sistemas de informação e fontes de dados – tornando visíveis as conexões entre mudanças climáticas, insegurança alimentar e saúde infantil –, a iniciativa favorece a formação de parcerias institucionais, de modo a ampliar as possibilidades de análises de dados para subsidiar políticas públicas mais coerentes e territorializadas.

Iniciativas como o FomeS reforçam que os caminhos para a resiliência à mudança climática e a proteção de uma infância saudável passam pela construção coletiva e pela garantia do direito humano à alimentação adequada, reafirmando a centralidade da segurança alimentar e nutricional como eixo estruturante da justiça climática e da proteção social.

Notas

1. Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan). II Inquérito nacional sobre a insegurança alimentar no contexto da pandemia da covid-19 no Brasil (II VIGISAN). Disponível em: http://olheparaafome.com.br. Acesso em: 12 jan. 2026.

2. IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: segurança alimentar, 2024. Coordenação de Pesquisas por Amostra de Domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. 12 p. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102212. Acesso em: 20 jan. 2026.

3. Niederberger, M.; Spranger, J. Delphi Technique in Health Sciences: A Map. Frontiers in Public Health, v. 8, p. 457, set. 2020.

4. Niederberger, M. et al. Delphi studies in social and health sciences – Recommendations for an interdisciplinary standardized reporting (DELPHISTAR). Results of a Delphi study. PLoS ONE, San Francisco, v. 19, n. 8, p. e0304651, ago. 2024. 

5. De Carvalho A. M. et al. Exploring the Nexus between Food Systems and the Global Syndemic among Children under Five Years of Age through the Complex Systems Approach. Int J Environ Res Public Health. 2024 Jul 9;21(7):893. DOI: 10.3390/ijerph21070893.

6. UNICEF. Nutrition, for Every Child: UNICEF Nutrition Strategy 2020-2030. New York: UNICEF; 2020. Disponível em: https://www.unicef.org/media/92031/file/UNICEF%20Nutrition%20Strategy%202020-2030.pdf. Acesso em: 8 mar. 2025.

7. Santos-Degner, L. A. et al. Climate change, food insecurity, and the impacts on child health and nutrition in Brazil: proposal for a conceptual model. Cadernos de Saúde Pública, v. 41, n. 11, e00217824, 2025.

8. IPCC, 2018: Annex I: Glossary [Matthews, J.B.R. (ed.)]. In: Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report on the impacts of global warming of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable development, and efforts to eradicate poverty. Cambridge University Press, Cambridge, UK and New York, NY, USA, p. 541-562. Disponível em: https://doi.org/10.1017/9781009157940.008. Acesso em: 20 mar. 2025.

9. Segall-Corrêa, A. M. et al. Refinement of the Brazilian Household Food Insecurity Measurement Scale: Recommendation for a 14-item EBIA. Revista de Nutrição, v. 27, n. 2, p. 241-251, 2014. DOI: 10.1590/1415-52732014000200010.

10. World Health Organization; United Nations Children’s Fund (UNICEF); International Bank for Reconstruction and Development/The World Bank. Levels and trends in child malnutrition: UNICEF/WHO/World Bank Group joint child malnutrition estimates: key findings of the 2023 edition. Geneva: World Health Organization, 2023.

11. HLPE. High Level Panel of Experts on Food Security and Nutrition. Nutrition and Food Systems. Rome: FAO, 152 p., 2017. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/4ac1286e-eef3-4f1d-b5bd-d92f5d1ce738/content. Acesso em: 15 mar. 2025.

12. Stoler, Justin et al. Connecting the dots between climate change, household water insecurity, and migration. Current Opinion in Environmental Sustainability, v. 51, p. 36-41, 2021.

13. Young, Sera L. et al. The Household Water InSecurity Experiences (HWISE) Scale: development and validation of a household water insecurity measure for low-income and middle-income countries. BMJ Global Health, v. 4, n. 5, 2019.

14. Machado, F. L. Desigualdades sociais no mundo actual: teoria e ilustrações empíricas. Mulemba – Revista Angolana de Ciências Sociais, v. 9, p. 297-318, 2015.

15. Klock, A. C. T.; Gasparini, I.; Pimenta, M. S. 5W2H Framework: a guide to design, develop and evaluate the user-centered gamification. In: IHC ’16: Proceedings of the 15th Brazilian Symposium on Human-Computer Interaction. São Paulo: ACM, p. 1-10, 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1145/3033701.3033715.

Os Autores(as)

Lissandra Amorim Santos-Degner

Lissandra Amorim Santos-Degner é nutricionista com experiência em gestão de políticas de alimentação e nutrição. Atua como pesquisadora no Projeto FomeS.

Larissa Ferreira Tavares Nonato

Larissa Ferreira Tavares Nonato é nutricionista, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição da Universidade Federal da Paraíba (PPGCN/UFPB) e pesquisadora no Projeto FomeS.

Verena Macedo Santos

Verena Macedo Santos é nutricionista, gestora de equipe e pesquisadora no Projeto FomeS.

Ana Maria Segall-Corrêa

Ana Maria Segall-Corrêa é médica e livre-docente aposentada da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. Pesquisadora Palin/Fiocruz-BSB e da Rede Penssan.

Janaína Braga de Paiva

Janaína Braga de Paiva é nutricionista, gestora e pesquisadora no Projeto FomeS.

Poliana de Araújo Palmeira

Poliana de Araújo Palmeira é professora e pesquisadora na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Vice-coordenadora do Projeto FomeS.

Fabiola Figueiredo Nejar

Fabiola Figueiredo Nejar é nutricionista, doutora em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora adjunta no curso de nutrição da Universidade de Taubaté.

Elisabetta Recine

Elisabetta Recine é integrante do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional.

Valterlinda Alves de Oliveira Queiroz

Valterlinda Alves de Oliveira Queiroz é docente da pós-graduação em alimentos, nutrição e saúde da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

William Rosa de Souza

William Rosa de Souza é engenheiro de dados e pesquisador do Projeto FomeS.

Sandra Maria Chaves dos Santos

Sandra Maria Chaves dos Santos é professora e pesquisadora na Escola de Nutrição da UFBA. Coordenadora do Projeto FomeS.

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