Os temas do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 na SSIR Brasil

Evento discutiu como a filantropia pode inovar diante de desafios contemporâneos, sem perder sua identidade. Confira nossa seleção de artigos para aprofundar os debates

A escritora Conceição Evaristo encontra-se no meio do palco do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026
A escritora Conceição Evaristo em participação no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

A edição 2026 do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais foi realizada no dia 27 de agosto, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo Youtube. A Stanford Social Innovation Review Brasil é parceira de mídia do evento, organizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) e pelo Global Philanthropy Forum (GPF). Neste ano, o tema “Entre a essência e a reinvenção” discutiu características essenciais da filantropia, como ética e visão de longo prazo, e aspectos onde é preciso inovar para lidar com desafios contemporâneos.

O evento teve abertura da escritora Conceição Evaristo e contou com palestrantes de destaque no campo, entre eles: Somachi Chris-Asoluka (Tony Elumelu Foudation), Valcléia dos Santos (Fundação Amazônia Sustentável), Andrelissa Ruiz (Fundação Tide Setúbal), , Felipe Amaral (Instituto Caldeira), Roberta Faria (MOL Impacto), Célia Cruz (Skoll Center), Denise Aguiar (Fundação Bradesco), e Carolina Suárez (Latimpacto). Confira a lista completa de participantes e temas debatidos no site do evento.

Para aprofundar a discussão, a SSIR Brasil fez uma curadoria de artigos publicados em suas edições trimestrais, especiais e no site. Confira:


As 13 intenções da filantropia

Por Ariel Simon

Um ano de turbulência expôs os riscos da monocultura filantrópica e subverteu ideias preconcebidas sobre impacto, eficácia e escala. Acolher as diversas intenções que levam as pessoas a doar oferece um caminho mais resiliente e pluralista para o futuro

Publicado na edição 16 da SSIR Brasil. Assista também à Conversa com autores entre Ariel Simon e Paula Fabiani, CEO do Idis


Como financiar soluções criadas pela comunidade

Por Sofia Tomljanovic, Sanjith Gopalakrishnan, Rachel Kiddell-Monroe e Vanitha Virudachalam

No Canadá, um fundo voltado a apoiar soluções para povos indígenas tem operado com uma estratégia de financiamento na qual a própria comunidade decide como enfrentar desafios sociais, em um modelo inovador de pagamento por resultados

Publicado na edição 14 da SSIR Brasil


Um novo caminho para a filantropia brasileira

Por Patrícia Kunrath e Sara Costa

O investimento social privado deve repensar prioridades, governança e relações com a sociedade civil para fortalecer seu papel transformador

Publicado na edição 13 da SSIR Brasil


Conectar pessoas, inspirar ação e reimaginar futuros

Por Katianny Gomes Santana Estival

Histórias reais de impacto podem influenciar a tomada de decisão em investimentos, parcerias e avaliações, ajudando a construir pontes entre investidores e empreendedores sociais

Publicado na edição especial Finanças inovadoras


Coragem e colaboração para construir o futuro

Por John Palfrey (Fundação John D. e Catherine T. MacArthur), Beatriz Bracher e Rafael Poço (Instituto Galo da Manhã), Michelle Morales (Woods Fund Chicago), Anna Nascimento (Porticus), Olivia Leland (Co-Impact), Hugo Aguilaniu (Instituto Serrapilheira) e Benjamin Soskis (Urban Institute)

Diante dos cortes drásticos do governo estadunidense nos investimentos sociais e das ameaças à sociedade civil, lideranças da filantropia nos Estados Unidos e no Brasil compartilham estratégias para reagir e fortalecer o setor

Artigos publicados na edição 14 da SSIR Brasil


Frases de impacto do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

“Talvez esse possa ser o caminho mais espinhoso, mais desconcertante a ser pensado na filantropia, e de ser dito, e de ser praticado pelas instituições filantrópicas: o reconhecimento de que a abundância, a fartura, o excesso, a sobra de uns, significam justamente a carência, a escassez, aquilo que é inalcançável pelo outro. Entender e praticar a filantropia como um ato de justiça, como uma espécie de reparação, uma busca de promoção de justiça numa sociedade em que o acesso à educação, à cultura, ao lazer, ao atendimento médico, ao direito, à moradia, numa sociedade em que a justiça é tão desigual.” – Conceição Evaristo, escritora 

“Segurança pública é um direito humano, mas é um direito humano que está muito longe do reconhecimento, inclusive da filantropia de uma maneira geral. A maior dificuldade que a gente tem é acessar recursos para trabalhar essa perspectiva de criar um ambiente em que segurança pública é vista dentro desse lugar. Todo mundo entende que educação, saúde, cultura, arte, são direitos que são negligenciados, e a gente tem muita iniciativa nesse lugar. Mas a questão da segurança pública está muito longe de ser vista, mas na verdade é o que estrutura. A Maré tem 50 escolas públicas, mas tem anos que tem 33 dias que não tem aula.” – Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da Redes da Maré

“Toda empresa tem que entender a sua capacidade de fazer filantropia, mas 1% do lucro realmente é muito viável para todas as empresas, que podem olhar de uma forma estratégica. A filantropia pode ser muito estratégica para o seu negócio: causas com que os seus clientes se preocupam, causas que estão na sua comunidade, ao redor da sua empresa, realmente podem gerar muito valor, até dez vezes valor de volta para você. O setor privado tem muito para oferecer além de gerar dinheiro, eu penso muito em criação de valor financeiro, social e ambiental. O setor privado deve pensar dessa forma se quer um mundo melhor para o futuro.” – Emily Ewell, CEO e cofundadora da Pantys (sobre o Compromisso 1%)

“Temos um povo latino-americano e caribenho extremamente generoso. A generosidade faz parte do nosso dia a dia. Vemos inúmeros exemplos de generosidade todos os dias em todos os países. Isso para mim é a expressão mais pura da filantropia – fazer o bem. Isso nem sempre está estruturado, mas existe. A filantropia está nas comunidades, nas ruas, nas empresas, no voluntariado corporativo e disseminado por toda a região.” – João Paulo Vergueiro, diretor para a América Latina e Caribe do GivingTuesday

“O fundo patrimonial nos dá tempo para experimentar e segurança para aprender e errar, e fazer isso pensando em uma visão de longo prazo. (…) Ter um recurso de longo prazo faz com que eu planeje uma estratégia já com um planejamento financeiro que assegure que eu vou conseguir de fato entregar aquilo com o que estou me comprometendo com as comunidades. Se você está no território e assume esse papel, você tem um vínculo e uma responsabilidade de honrar a sua palavra e o seu compromisso, e o fundo patrimonial nos dá segurança e um espaço de atuação mais confortável.” – Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen

“Ao pensar qual é o projeto de país que a gente tem, temos que colocar sobre a mesa se faz sentido ou não trabalhar uma cultura de doação de maneira apenas voluntária ou ter incentivos para a doação. Isso está no nosso projeto: que história eu quero contar para meus filhos, netos, bisnetos? Eu quero dizer que tenho um país no qual as pessoas doam com intensidade, e essa cultura de doação é um ciclo virtuoso, porque se eu vi meus pais doando, eu vou passar a doar também.” – Cassio França, secretário-geral do Gife