No dia 24 de fevereiro de 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia, desencadeando a escalada dramática de um conflito que já se arrastava desde ao menos 2014, quando Moscou anexou a Crimeia e avançou sobre a região de Donbass. Apesar de tentativas diplomáticas de vários países para negociar uma trégua ou pôr fim às hostilidades, o presidente russo, Vladimir Putin, intensificou a ofensiva militar e os bombardeios em meados de 2025.
Na medida em que a guerra se prolonga, fica claro que não dá para esperar o fim do conflito para iniciar a reconstrução. “Para nós, é um exemplo nítido de que, apesar da guerra, a vida deve continuar”, declarou em 2024 Mustafa Nayyem, ex-diretor da Agência de Restauração e Desenvolvimento de Infraestrutura da Ucrânia, a propósito do projeto de reconstrução de uma ponte. “Ninguém pode dar uma pausa na vida, pois todo mundo continua a ter obrigações […]. Então, apesar da guerra, o esforço de recuperação está em andamento.”
As rupturas institucionais causadas pela invasão, sobretudo no plano nacional, abriram espaço para que novas coalizões locais transformassem o modelo de políticas de infraestrutura e uso do solo – antes marcado pela abordagem centralizada típica do período soviético – em favor de um processo de reconstrução de baixo para cima, que valoriza o conhecimento local e coloca a equidade social no centro das decisões.
A Ucrânia entrou na guerra com um marco legal de infraestrutura herdado da era soviética e que gera pouco valor público para os ucranianos (aqui, “valor público” remete ao conceito formulado pelo cientista político Mark Moore para indicar os benefícios que um governo eficaz produz para a sociedade)¹. Esse arcabouço reduz a capacidade de governos locais de incentivar – ou exigir – práticas de proteção ambiental frente ao agravamento da crise climática, por exemplo. Limita a autoridade municipal, desestimula o planejamento adaptativo do uso do solo e não oferece mecanismos legais para a participação das comunidades nesses processos.² Como resultado, projetos de infraestrutura frequentemente excluem áreas verdes, ignoram riscos climáticos locais e avançam sem consulta pública. A inércia institucional também tem retardado a adoção de modelos de infraestrutura modernos e resilientes ao clima. Sistemas obsoletos e reformas insuficientes em marcos legais e nas estruturas administrativas têm dificultado a implementação de metas climáticas da Ucrânia, especialmente no que se refere a investimentos em infraestrutura sustentável.³
Ironicamente, a tentativa da Rússia de aumentar a distância entre a Ucrânia e o Ocidente, por meio da intensificação das hostilidades em 2021, teve o efeito contrário. Embora persistam limitações institucionais e legais, a guerra acabou abrindo espaço para reformas. Diante da destruição generalizada da infraestrutura erguida na era soviética, o país passou a reconstruir estradas, pontes e edifícios de acordo com padrões europeus de proteção ambiental e resiliência climática.
O Parlamento ucraniano tem impulsionado essa guinada. Um projeto de lei propõe redirecionar o foco do governo central para a ampliação do valor público gerado por projetos de infraestrutura. O texto “Fundamentos da recuperação verde na Ucrânia”, divulgado pelo Ministério de Proteção Ambiental e Recursos Naturais em junho de 2025, busca acelerar uma reconstrução justa e sustentável ao estabelecer critérios legais para a avaliação de projetos de infraestrutura verde, permitir o alinhamento com a classificação da União Europeia (UE) para atividades sustentáveis e incorporar a sustentabilidade ao marco legal nacional. A proposta permitiria à Ucrânia direcionar recursos internos e internacionais para o desenvolvimento de infraestrutura de baixo carbono com foco no futuro.⁴
Embora o projeto de lei seja um passo fundamental, sua implementação vai depender da colaboração entre governos locais, atores comunitários e empresas em cidades e comunidades país afora. Em tempos de crise, como em conflitos armados e desastres naturais, o aval da sociedade é essencial para garantir que projetos de reconstrução atendam às necessidades da população mais vulnerável, com sensibilidade cultural e atenção aos traumas vividos.
Foi nesse cenário que, em abril de 2023, surgiu na Ucrânia uma nova plataforma de colaboração entre universidades, comunidades locais e financiadores: a Aliança de Universidades Ucranianas. Sua criação foi uma resposta aos desafios desencadeados pela guerra em curso, que expôs a urgência não apenas da reconstrução material, mas também de uma redefinição do papel das comunidades no processo mais amplo de transformação social que o país atravessa em meio à turbulência. Nos últimos dois anos, a aliança se converteu em um mecanismo de formação de coalizões, reunindo conhecimento acadêmico, demandas locais e apoio financeiro de doadores internacionais e empresas.
Exemplos de Lutsk e Lviv mostram que, mesmo sob a lei marcial, o orçamento participativo pode se adaptar às exigências da guerra, bancando abrigos e ajuda humanitária
No início de 2024, uma sondagem da aliança com governos locais, organizações comunitárias e empresas revelou a importância de uma colaboração maior, mais flexível. O levantamento expôs, em especial, a relação entre a baixa resiliência comunitária, medida por autodeclaração, e o baixo nível de interação entre governos locais e grupos de interesse, como organizações comunitárias e empresas.5
Diante disso, a aliança passou a priorizar a colaboração com a comunidade para a recuperação sustentável, incluindo gestão de projetos, fortalecimento da governança local e elaboração de estratégias de desenvolvimento inclusivas e com foco na justiça social. Foi como disse Taras Dobko, reitor da Universidade Católica Ucraniana, na primeira reunião da aliança, realizada em Lviv:
Em um contexto no qual muitos estão na linha de frente, outros deixaram o país e tantos se deslocaram internamente, há uma escassez aguda de capacidade humana. Surge então a pergunta: o que [as universidades] podem fazer para fortalecer, desenvolver e ampliar sua capacidade operacional? Que ajuda podemos dar para que trabalhem com doadores? As universidades têm um conhecimento interdisciplinar único a oferecer às comunidades – por exemplo, em gestão de projetos, restauração de infraestrutura, melhoria da qualidade da água e do ar, ou no desenvolvimento de estratégias comunitárias. Estamos falando de instituições que não ficam à margem, que se envolvem na vida comunitária e convidam a comunidade a fazer parte da sua.6
Essas mudanças institucionais e inovações cívicas revelam a urgência e a oportunidade de desenvolver novos modelos de colaboração. Com as estruturas tradicionais de governança sob forte pressão, a reconstrução da Ucrânia depende cada vez mais de parcerias que combinem conhecimento local, resiliência comunitária e recursos externos. A seguir, veremos como essas parcerias se materializam na prática e os modelos de cocriação, capacitação e prestação de contas que estão reconfigurando iniciativas de recuperação em tempo real.7
Ferramentas de cocriação e responsabilidade compartilhada
No início de 2023, seis instituições de ensino superior – a Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kiev, a Universidade de Tecnologia de Dnipro, a Universidade Nacional de Recursos Hídricos e Engenharia Ambiental, a Universidade Estadual de Sumy, a Universidade Católica Ucraniana e a Escola de Economia de Kiev – criaram a Aliança de Universidades Ucranianas como uma resposta institucional coordenada aos desafios enfrentados pelo Estado e pela sociedade após a invasão russa do ano anterior.
A aliança é registrada como uma organização não governamental sem fins lucrativos. Seu órgão máximo de governança é o Conselho de Membros, composto pelos reitores das universidades participantes. Esse conselho, que é responsável pelo planejamento estratégico das atividades e do desenvolvimento da aliança, se reúne duas vezes por ano para avaliar os resultados da organização e definir prioridades futuras.
A coordenação operacional é feita pela equipe de gestão da aliança, formada pelos vice-reitores das universidades membros. Cabe a esse grupo implementar as decisões do conselho e supervisionar o funcionamento da organização no dia a dia. O comando da equipe muda todo ano, permitindo que cada universidade, em seu turno, inicie projetos de grande escala, fortaleça a cooperação com comunidades locais, identifique temas prioritários e defina estratégias para a captação de recursos externos. A rotatividade assegura uma distribuição equitativa das responsabilidades de chefia entre as instituições e reforça a cooperação institucional baseada na parceria.

A aliança apoia iniciativas lideradas pelas comunidades para promover a corresponsabilidade entre governo local e atores comunitários. Cinco ferramentas básicas de parceria ajudam a estimular a colaboração na Ucrânia em meio à guerra:
Orçamento participativo é um mecanismo transparente e democrático que permite a participação da população na definição de prioridades de recuperação e fortalece a confiança nas autoridades locais. Exemplos de Lutsk e Lviv mostram que, mesmo sob a lei marcial, o orçamento participativo pode se adaptar às exigências da guerra, bancando abrigos e ajuda humanitária.
Plataformas de coalizão aproximam doadores, mundo acadêmico e comunidades locais para reunir expertise, fortalecer capacidades e gerir projetos complexos.
Modelos de parceria público-privada criam canais para investimentos de doadores e do setor privado em áreas essenciais como saúde, equipamentos municipais e portos. Esses modelos podem simplificar a participação de investidores, reduzir entraves burocráticos e facilitar o alinhamento a padrões da UE.
Modelos de cluster são colaborações público-privadas cuja função é criar um ecossistema de inovação, formação de mão de obra e planejamento da recuperação a longo prazo. Nesse arranjo, empresas vão além do papel tradicional de doadoras e passam a ser parceiras cívicas de longo prazo. Enquanto modelos de parceria público-privada em geral operam em escala nacional ou setorial, clusters são mais localizados, concentrando recursos e participantes em uma região específica para promover a inovação e apoiar uma recuperação sustentável.
Indicadores de desempenho e sistemas de prestação de contas são ferramentas de avaliação que medem o número de projetos implementados e de empregos gerados, a sustentabilidade financeira e o impacto social no longo prazo. Exemplos incluem projetos conduzidos pela aliança para monitorar resultados como o acesso à água por populações deslocadas, calefação ininterrupta para escolas e fortalecimento do atendimento médico de emergência.
Juntas, essas ferramentas constituem um modelo replicável de planejamento da recuperação. E mostram que, mesmo em situações de grande instabilidade, é possível organizar parcerias capazes de entregar respostas imediatas e resultados estruturais duradouros. Vejamos, a seguir, cada uma delas em detalhes.
Orçamento participativo
O orçamento participativo é uma das ferramentas mais visíveis e democráticas para envolver cidadãos na vida comunitária. Ele permite que a população proponha e escolha iniciativas a ser bancadas com recursos públicos locais. É um processo concorrencial: em vez de automaticamente aprovado, todo projeto apresentado precisa disputar o apoio público. Moradores avaliam as propostas e votam, e apenas as que recebem maior respaldo da comunidade são priorizadas na hora de receber verbas públicas. Esse caráter de concorrência garante transparência e equidade nas decisões, além de incentivar os participantes a formular propostas realistas e de impacto voltadas diretamente às necessidades locais.
Antes da invasão russa, o orçamento participativo já era uma abordagem comum na Ucrânia para a definição de prioridades orçamentárias, como no caso de financiamento de novos espaços públicos ou na ampliação de serviços sociais. Em 2022, porém, a prática foi interrompida. Nenhuma cidade lançou concorrências para novos projetos e apenas 27% das iniciativas de anos anteriores foram executadas. Mas à medida que a guerra progredia, algumas cidades retomaram o orçamento participativo, aos poucos, adaptando-o à nova realidade e às metas de recuperação e reconstrução. A aliança tem contribuído para esse esforço. A Universidade Católica Ucraniana, em parceria com o Centro de Pesquisa em Política Fiscal, organizou um programa de certificação para ajudar representantes de organizações da sociedade civil (OSCs) e membros comunitários a desenvolver competências para influenciar o processo orçamentário local.
Em 2023 e 2024, foram realizadas concorrências em 39 comunidades, com a priorização de projetos de construção de abrigos, apoio a forças de defesa e integração de pessoas deslocadas pela guerra.8
A retomada do orçamento participativo revela, assim, que a prática pode ser uma ferramenta relevante, capaz de fortalecer a confiança em autoridades locais, promover transparência e aumentar a resiliência comunitária.
Governança horizontal
A invasão russa desestruturou a governança na Ucrânia, abrindo lacunas que foram preenchidas por atores, organizações e instituições locais, e por parcerias entre eles – como a Aliança de Universidades Ucranianas.
A aliança constatou que muitos governos locais, OSCs, empresas e doadores não dispõem de capacidade organizacional nem qualificação necessárias para negociar e executar seus programas, seja na elaboração de propostas de financiamento, comunicação, gestão de projetos ou planejamento estratégico. Muitas vezes, seus representantes carecem de formação ou motivação para superar tais limitações. Por isso, a equipe da aliança investiu na construção de confiança entre diferentes atores, por meio da valorização do contato presencial, da adequação de seu apoio às necessidades específicas de cada parceiro e da adoção de um planejamento flexível. Essas medidas reduzem as dificuldades enfrentadas por indivíduos menos experientes ou desmotivados, pois é uma orientação prática que aumenta sua segurança para participar de forma mais ativa.
A aliança encontrou, por exemplo, uma séria escassez de pessoas qualificadas nas comunidades locais. Muitas localidades não contam com profissionais nas áreas de gestão de projetos, análise técnica, captação de recursos, comunicação, desenvolvimento econômico ou planejamento territorial – lacuna que restringiu a autonomia das comunidades e as deixou dependentes de consultores externos. Com o apoio das universidades da aliança, algumas comunidades conseguiram fortalecer as próprias capacidades. Em Sheptytskyi, membros da aliança ajudaram moradores a preparar propostas de financiamento mais competitivas; em Marhanets, conduziram oficinas sobre ferramentas práticas de gestão. Além dessa formação, a aliança orientou comunidades na seleção de prestadores de serviço e no estabelecimento de parcerias para a implementação de projetos bem-sucedidos.9
Uma das estratégias mais transformadoras do grupo de universidades tem sido o uso da pedagogia de aprendizagem-serviço (service-learning). Com essa abordagem, a universidade dá à comunidade soluções, ferramentas e acesso a conhecimento especializado; aos universitários, experiências reais de aprendizagem e engajamento cívico; e às próprias instituições, uma plataforma para promover a inovação social. A prática aproxima educação e ação, transformando a sala de aula em laboratório de participação democrática. A atuação conjunta de alunos e docentes em projetos comunitários tem fortalecido a autonomia local. Em 2024, por exemplo, cursos da Universidade Católica Ucraniana ajudaram a tirar do papel 41 projetos orientados por esse modelo.
Naturalmente, tais iniciativas enfrentaram sérios desafios: tempo exíguo para planejamento e pesquisa devido à guerra; dificuldade de coleta de dados em áreas próximas à linha de frente; falta de pessoal qualificado nas comunidades; autoridades locais sobrecarregadas e sem disponibilidade para atividades formativas; interrupções na comunicação devido a bombardeios e danos à infraestrutura; e pouca cooperação internacional por restrições de mobilidade. Essas condições refletem o contexto adverso no qual as universidades precisam operar e encontrar maneiras de inovar.
O governo ucraniano, por sua vez, passou por transformações profundas desde o início da invasão russa. Com a dissolução das estruturas burocráticas que existiam antes da guerra, organizações da sociedade civil, desde muito tempo na vanguarda da defesa de direitos e do desenvolvimento local, tornaram-se, na prática, prestadoras de serviços: dão assistência médica, coordenam a logística e apoiam populações deslocadas – não por meio de uma autoridade centralizada, mas com redes e parcerias surgidas da mobilização cívica e de vínculos anteriores com doadores.10 Em vez de restabelecer as configurações administrativas anteriores à guerra, a sociedade ucraniana tem mostrado que mesmo em contextos de recursos escassos é possível catalisar sistemas de prestação de serviços centrados na cidadania – sistemas adaptáveis, legítimos e que atendam às necessidades das comunidades.
Em muitos casos, ferramentas digitais aprimoraram os vínculos entre sociedade e Estado, acelerando respostas e possibilitando um planejamento conjunto em sistemas descentralizados.11 A plataforma Diia, um portal de dados abertos na nuvem, simboliza a transição da burocracia soviética para um Estado digital. Ao reunir documentos digitais com validade jurídica e acesso a serviços públicos em um único ambiente, a Diia concilia a coordenação centralizada com a prestação descentralizada de serviços e funciona como uma base que permite a governos locais uma atuação mais ágil e eficaz.
Nesse cenário de governança transformada, as universidades também passaram a atuar como agentes cívicos relevantes, muitas vezes ao lado de OSCs e administrações municipais, para fortalecer a recuperação local. Um exemplo emblemático é a parceria entre a Escola de Economia de Kiev (KSE, na sigla em inglês) e a ONG Mariupol Reborn por meio da Community Recovery Academy, que prepara gestores públicos para o trabalho específico de reconstrução com capacitação em desenvolvimento econômico, apoio ao retorno da população deslocada e captação de recursos.12 O reitor da KSE, Tymofii Brik, destaca que a educação tem papel central na resiliência ucraniana, observando que toda comunidade precisa ter conhecimento e competências para reconstruir segundo suas próprias prioridades.13 A iniciativa mostra como universidades estão inserindo sua expertise diretamente em campanhas de recuperação lideradas pelas próprias comunidades.
A escalada da invasão acelerou a transição da economia ucraniana – antes fortemente influenciada pelo Estado, um legado da era soviética – para um modelo mais ágil, com ênfase em parcerias público-privadas
A articulação entre academia e sociedade civil é reflexo do modelo horizontal de governança que vem se consolidando durante a guerra. Governos locais têm aberto espaço para atores cívicos e educacionais, inaugurando formas conjuntas de prestação de serviços mais flexíveis e sintonizadas com a comunidade – e, portanto, de maior legitimidade – do que velhos sistemas burocráticos.14 Essas parcerias combinam confiança cívica, conhecimento acadêmico e necessidades locais, criando coalizões legítimas e viáveis mesmo em condições adversas. O que se delineia não é uma mera solução improvisada, mas uma reorganização mais duradoura do modelo de entrega de serviços no qual universidades e OSCs assumem um papel central – algo difícil de conceber antes da guerra.15 Não que a cooperação seja sempre igual: em certas regiões há fragmentação e falhas de coordenação que expõem os limites de arranjos informais.16
Essa colaboração é particularmente visível na educação, na capacitação e na recuperação de comunidades, onde o conhecimento técnico de universidades se alia à capilaridade de OSCs. Na Ucrânia, universidades deixaram de ser meras produtoras de conhecimento e viraram parceiras ativas na reconstrução da governança, ajudando a consolidar uma nova forma de autoridade baseada em responsabilidade compartilhada, urgência e confiança cívica. Também atuam como uma ponte que conecta fontes de recursos internacionais e capacidade de pesquisa com necessidades locais, aproximando recursos globais do cotidiano das comunidades. Longe de ser uma solução transitória para o tempo de guerra, essa cooperação sinaliza uma mudança de longo prazo no modo como a governança e serviços públicos deverão operar ao longo da reconstrução da Ucrânia.17
Parcerias público-privadas
A dissolução de hierarquias prévias à guerra também abriu espaço para colaborações intersetoriais. A escalada da invasão acelerou a transição da economia ucraniana – antes fortemente influenciada pelo Estado, um legado da era soviética – para um modelo mais ágil, com ênfase em parcerias público-privadas (PPPs). Como reconhecimento do potencial de PPPs para acelerar a reconstrução, o Parlamento ucraniano aprovou, em 2025, uma lei que simplificou a participação do setor privado em projetos de recuperação. Além de reduzir entraves burocráticos, dar garantias financeiras a investidores e acelerar a implementação de projetos, a nova lei também permite que parceiros internacionais deem apoio financeiro diretamente ou por meio do orçamento público.
“A parceria público-privada é um mecanismo fundamental para atrair investimentos”, disse Yuliia Svyrydenko, primeira-ministra da Ucrânia, após a promulgação da lei. “Embora o conceito de PPP já existisse na Ucrânia há certo tempo, só dois grandes contratos de concessão tinham sido fechados. Com essa mudança na lei, esperamos que o mecanismo finalmente funcione de forma adequada e possa atrair até US$ 1 bilhão em investimento nos próximos anos. Isso valerá sobretudo para setores como portos, hospitais e instalações municipais. Além disso, a lei aproxima a legislação nacional aos padrões da UE.”18
Um dos exemplos mais contundentes de colaboração entre empresas, governo local e instituições de ensino é o Lviv IT Cluster. O aglomerado, anterior à invasão do país, ganhou especial relevância durante a guerra e reúne mais de 270 empresas de tecnologia, universidades e representantes de governos locais no desenvolvimento de um ecossistema de inovação dinâmico na região.
“Em matéria de governo local, foi o Conselho Municipal de Lviv que inaugurou o sistema de clusters”, diz Stepan Veselovsky, CEO do Lviv IT Cluster. “A própria ideia de clusters, e todos os clusters na Ucrânia, nasceram ali. Depois que nós comprovamos que a ideia funciona e que os resultados aparecem rapidamente, outras cidades começaram a copiar e a implementar o modelo.”19
Diante dos desafios da guerra, o Lviv IT Cluster não só manteve suas operações, mas intensificou o esforço para apoiar a cidade e a região. Uma de suas principais iniciativas é o IT Research Resilience, que coleta e sistematiza dados sobre o mercado de TI no período de guerra, e o IT Generation, um programa que oferece formação gratuita em tecnologia para quem busca iniciar uma carreira no setor. Outro destaque é o ReStart Ukraine, um esforço estratégico que envolve o cluster no planejamento de longo prazo da recuperação pós-guerra em áreas como infraestrutura, educação, segurança e economia urbana.20
O Lviv IT Cluster também investe em infraestrutura crítica, o que inclui conectividade ininterrupta, espaços de abrigo para equipes e cocriação de novos programas acadêmicos com universidades parceiras. Essa abordagem fortalece as comunidades locais, já que empresas passam a atuar não só como doadoras ou empregadoras, mas como parceiras de longo prazo em iniciativas de recuperação e desenvolvimento.
Isso significa que, na Ucrânia, os clusters não são apenas instrumentos de desenvolvimento econômico: são plataformas de parcerias sustentáveis e sistêmicas entre empresas, governo, comunidades e organizações internacionais. O Lviv IT Cluster é um belo exemplo de como iniciativas locais podem ganhar escala e transformar sistemas mesmo em contextos de crise.
Mensuração de resultados e prestação de contas
Com o avanço das negociações para a adesão da Ucrânia à UE, sob a liderança do presidente Volodymyr Zelensky, a definição de critérios transparentes para medir resultados e garantir a responsabilização de atores públicos e privados ganha centralidade. A estrutura de governança da Aliança de Universidades Ucranianas prevê uma avaliação sistemática dos resultados da cooperação entre universidades e comunidades locais. Entre os critérios de desempenho adotados estão o número e a escala dos projetos conjuntos implementados; o número de pessoas beneficiadas; a geração de novos empregos; a sustentabilidade financeira das iniciativas; e o impacto estimado de longo prazo.
Uma das ações da aliança foi o trabalho desenvolvido com a comunidade de Zelenodolsk para ampliar o acesso a fontes alternativas de água. O principal objetivo era perfurar novos poços a fim de garantir água potável a mais de 18 mil moradores da comunidade e a 17 mil pessoas deslocadas pela guerra. Além de se destacar pela escala e o amplo alcance social, a iniciativa contribuiu para fortalecer a resiliência da infraestrutura regional crítica.21

Outro exemplo é o da comunidade urbana de Sheptytskyi, que, diante de falhas nos sistemas de aquecimento central e do fechamento da mina de carvão Nadiya – principal fonte de energia térmica da cidade de Sosnivka –, viabilizou a construção de três caldeiras modulares a combustível sólido para escolas locais. Com o apoio das universidades, foi possível conceber uma solução que garantirá o aquecimento ininterrupto a três escolas, atendendo 1.046 estudantes e 157 funcionários. Além de gerar novos empregos e melhorar as condições de ensino, o projeto contribui para a redução das emissões de CO₂ e o aumento da eficiência energética.22
A comunidade de Varash, por sua vez, desenvolveu com a aliança um projeto para modernizar o setor de recepção e triagem do Hospital Multidisciplinar de Varash, com o propósito de elevar a qualidade e a acessibilidade dos serviços de saúde. A meta é acelerar a resposta a emergências e garantir atendimento rápido a militares, trabalhadores da Usina Nuclear de Rivne e moradores da comunidade e localidades vizinhas. O projeto prevê a atualização de equipamentos técnicos, melhorias na ergonomia dos espaços e a incorporação de tecnologias médicas modernas. O principal objetivo é reduzir o tempo de resposta das equipes de saúde a situações de emergência para cinco a dez minutos, o que pode aumentar significativamente a eficiência do atendimento – em especial para militares e funcionários da estratégica usina nuclear, responsável por mais de 40% da eletricidade produzida no país. Essa iniciativa é crucial frente aos constantes bombardeios russos contra instalações energéticas ucranianas.23
Limitações
Em síntese, a experiência da Ucrânia é um exemplo singular de colaboração entre sociedade civil e Estado e pode inspirar modelos mais amplos de recuperação em contextos pós-crise. Contudo, embora parcerias lideradas por atores cívicos tenham se mostrado eficazes no país, nosso estudo também identificou limitações contextuais importantes:
Riscos de fragmentação | Organizações da sociedade civil normalmente preenchem lacunas na entrega de serviços à população com mais rapidez do que instituições formais. Estruturas muito descentralizadas e informais, no entanto, podem levar à fragmentação, à duplicação de esforços ou a uma cobertura desigual. Esses aspectos expõem uma fragilidade: apesar de sua agilidade e legitimidade no território, sistemas informais podem ter dificuldade de expansão se não contarem com uma coordenação competente.
Urgência de curto prazo versus equidade de longo prazo | Em tempos de guerra, a governança privilegia a agilidade e a sobrevivência imediata, o que pode levar os envolvidos na recuperação a priorizar soluções de curto prazo, como o aquecimento emergencial ou abrigos temporários, em detrimento de metas de equidade mais sistêmicas, como o desenho inclusivo ou o planejamento atento a impactos psicossociais.
Dependência de intermediários | Muitas comunidades, em geral pequenas ou rurais, dependem do apoio de universidades ou organizações não governamentais para poder receber recursos internacionais. Embora possa ser mitigada por coalizões intersetoriais, essa dependência evidencia desigualdades estruturais persistentes no acesso a recursos, na capacidade de comunicação e na expertise administrativa. A experiência da Aliança de Universidades Ucranianas ilustra bem essa realidade: comunidades menores, em geral carentes de pessoas qualificadas em gestão de projetos, análise de dados ou comunicação internacional, precisam da intermediação de universidades para conectá-las a doadores e a oportunidades de financiamento externo.
Limitações operacionais sob bombardeios | A guerra impôs restrições severas de tempo, planejamento e mobilidade. A aliança relata que universidades e comunidades em áreas próximas à linha de frente enfrentam interrupções frequentes de comunicação devido a bombardeios, danos à infraestrutura e apagões elétricos. A coleta de dados torna-se extremamente difícil, há escassez de pessoal qualificado e a cooperação internacional é limitada por restrições de deslocamento. Quando a capacidade operacional básica não pode ser garantida, até mesmo os esquemas mais sólidos de parceria ficam fragilizados.
Volatilidade política e de doadores | Tanto esquemas de parceria público-privada como modelos de cluster pressupõem um certo grau de estabilidade no financiamento e legitimidade institucional. Na Ucrânia, mudanças em prioridades políticas, desmotivação de doadores ou choques geopolíticos podem prejudicar até parcerias bem estruturadas, criando vulnerabilidades na implementação de longo prazo.
Assimetria de confiança | Em sociedades pós-soviéticas, em geral há alta confiança entre vizinhos, mas baixa em instituições formais. Nesse contexto cultural, manter a confiança entre comunidades, governos locais e doadores exige renovação constante e transparência.
Essas tensões não anulam o valor dos modelos analisados. Antes, ajudam a delimitar seu alcance. Reconhecê-las é fundamental para evitar que as lições da reconstrução ucraniana sejam romantizadas – são lições que devem ser compreendidas como estratégias adaptáveis que exigem calibração cuidadosa em função da capacidade de governança, da confiabilidade dos doadores e da resiliência das comunidades.
Relevância global
A experiência ucraniana deixa claro que um processo eficaz de recuperação – seja após guerras, seja depois de desastres naturais – depende não só do volume de recursos disponíveis, mas da forma como parcerias são concebidas e regidas. Alianças universitárias, coalizões lideradas pela sociedade civil e clusters empresariais mostram que quando a comunidade tem protagonismo no processo, quando governos e doadores garantem marcos institucionais favoráveis, e quando empresas atuam como parceiras ativas – e não apenas como financiadoras passivas –, a legitimidade e a resiliência surgem naturalmente.
Para doadores internacionais, há claras lições: financiar processos de orçamento participativo para garantir transparência e cocriação; investir em esquemas de articulação que conectem universidades, governos locais e comunidades; priorizar projetos que incorporem a aprendizagem com a própria prestação de serviços, o que fortalece simultaneamente a capacitação local e a formação de uma nova geração de lideranças cívicas; e exigir, desde a concepção das iniciativas, mecanismos robustos de prestação de contas que permitam avaliar tanto os resultados sociais como os financeiros.
Para empresas, o modelo da Ucrânia aponta para novos papéis: adotar o modelo de clusters como instrumento de inovação e resiliência; abraçar oportunidades de parcerias público-privadas em áreas como saúde, portos, energia, infraestrutura e serviços municipais; e apoiar a requalificação e a formação de trabalhadores com iniciativas de cluster ou parcerias com universidades – ações que fortalecem a resiliência de economias regionais no longo prazo. Essas abordagens posicionam empresas não apenas como investidoras, mas como cocriadoras do processo de recuperação.
Para comunidades, essas parcerias reafirmam que o conhecimento local e a legitimidade social são ativos insubstituíveis. Mesmo em contextos de deslocamento forçado, bombardeios e escassez de recursos, as vozes da comunidade continuam a ditar prioridades da reconstrução e a garantir que as soluções respondam a necessidades reais.
O caso ucraniano evidencia o potencial de universidades no mundo todo de criar estruturas colaborativas que ampliam o intercâmbio acadêmico e aumentam a resiliência da população em contextos de ruptura e incerteza
A recuperação da Ucrânia mostra ao mundo como um contexto de escassez de recursos pode catalisar parcerias adaptativas, equitativas e duradouras entre sociedade civil e Estado. Em diferentes situações, como desastres associados ao clima ou a reconstrução pós-conflito, instrumentos surgidos no país servem como um modelo de ação com alcance global. Ao promover essas ferramentas, estamos não só reforçando a defesa de um apoio contínuo da comunidade internacional à reconstrução da Ucrânia, mas posicionando esse modelo como um arcabouço adaptável para promover resiliência, legitimidade e desenvolvimento a longo prazo em sociedades em crise.
Embora ancorada no contexto específico de uma Ucrânia em guerra, a experiência da Aliança de Universidades Ucranianas tem implicações mais amplas. Seu modelo de cooperação interuniversitária, baseado na solidariedade e no engajamento com a sociedade, pode ser adaptado para enfrentar desafios complexos vividos por comunidades em outras realidades, incluindo desastres naturais, conflitos armados ou crises econômicas.
Alianças universitárias internacionais já existem e podem desempenhar um papel relevante no apoio a comunidades, inclusive por meio da cooperação transfronteiriça. Um exemplo é a CIVICA, uma aliança europeia que reúne dez universidades de excelência e que ampliou suas atividades para a Ucrânia no âmbito do projeto CIVICA for Ukraine. A iniciativa busca fortalecer parcerias e promover intercâmbios entre as universidades da aliança CIVICA e instituições ucranianas, com foco em ciências sociais, humanas, administração e políticas públicas.
As universidades ucranianas, por sua vez, têm compartilhado sua própria experiência no trabalho com a sociedade, abrindo espaço para o aprendizado mútuo e a disseminação de práticas inovadoras em escala global. O caso ucraniano evidencia o potencial de universidades no mundo todo de criar estruturas colaborativas que não só ampliam o intercâmbio acadêmico, mas aumentam a resiliência da população em contextos de ruptura e incerteza.
Notas
1 Mark H. Moore, Creating Public Value: Strategic Management in Government, Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1995.
2 Ver Vadym Anisimov, “Problems of Social Infrastructure in the Context of Sustainable Development in Ukraine”, Economics of Nature and the Environment, 2016; OCDE, “Trends in Ukraine’s Sustainable Infrastructure Investments”, Green Finance and Investment: Sustainable Infrastructure for Low-Carbon Development in the EU Eastern Partnership, Paris: OECD Publishing, 2021.
3 Oleksandra Tverezovska et al., “Infrastructure Projects as a Sustainable Tool for Ukraine’s Recovery and Development: A Bibliometric Perspective”, Buhalterinės Apskaitos Teorija Ir Praktika, v. 30, 2024.
4 Ministério de Proteção Ambiental e Recursos Naturais da Ucrânia, “Про оприлюднення проєкту Закону України ‘Про засади зеленого відновлення України’”, [Sobre a publicação do projeto de lei da Ucrânia “Fundamentos da recuperação verde da Ucrânia”], 18 jun. 2025.
5 D. Karakay et al., “Report on the Needs Assessment of 12 Territorial Communities for Resilience, Recovery, and Development”, Aliança de Universidades Ucranianas, maio 2024.
6 Universidade Católica Ucraniana, “В Україні створили Альянс університетів – заради відбудови України та розбудови громад [Aliança de Universidades Ucranianas criada para a reconstrução da Ucrânia e o desenvolvimento de comunidades]”, 4 ago. 2023.
7 A pesquisa apresentada neste artigo deriva, em parte, do trabalho realizado por alunos do curso “Leadership for Sustainable Reconstruction of Ukraine”, oferecido em 2024 pela Escola de Saúde Pública T. H. Chan, da Universidade Harvard. A turma criou um modelo, o Marco Comunitário Centrado na Equidade (ECCF, na sigla em inglês), para reunir estudos de caso e lições tiradas de inovações em curso em diferentes regiões da Ucrânia que colocam a equidade social no centro do processo de reconstrução. O ECCF dá uma abordagem estruturada para a reconstrução sustentável, com foco nas vozes e na legitimidade da comunidade. Embora tenha sido concebido para a Ucrânia, o marco pode ser usado em outros contextos de crise, como conflitos armados e desastres naturais. Os estudos de caso apresentados ilustram tendências cada vez mais respaldadas por evidências de campo, incluindo pesquisas sobre democracia local e resiliência na Ucrânia, que mostram como atores comunitários se tornaram centrais na governança em contextos de crise, por meio de parcerias não hierárquicas com instituições públicas baseadas na confiança. Longe de serem marginais, essas inovações surgem em condições que a maioria dos sistemas não foi projetada para suportar e, ainda assim, trazem lições concretas sobre como a governança pode se adaptar em situações de crise. Ver Oleksandra Keudel et al., “Local Democracy and Resilience in Ukraine: Learning from Communities’ Crisis Response in War”, Swedish International Centre for Local Democracy, jan. 2024.
8 Natalka Bahament, “Participatory Budgets: Cities Where This Idea Survived During the War”, Chesno, 6 fev. 2025; Karakay et al. “Report on the Needs Assessment”.
9 Aliança de Universidades Ucranianas, A Guide for Universities: How to Develop Partnerships with Communities, Lviv, Ucrânia: Litopys, 2024.
10 Maryna Shevtsova, “Friend or Foe? Foreign Donors’ Role in the Formation of Civil Society in Ukraine”, Socio.Hu: Social Science Review, edição especial em inglês n. 5, 2017.
11 Keudel et al., Local Democracy and Resilience in Ukraine.
12 Mariupol Reborn, “Community Recovery Academy and Kyiv School of Economics Will Train Managers in Ukraine’s Reconstruction”, 30 jan. 2025.
13 Mariupol Reborn, “Community Recovery Academy: Completion of the KSE Lecture Series”, 5 fev. 2025.
14 Yevhen Revtiuk e Tetiana Ivanova, “Implementation of the Community Resilience Approach in the System of Crisis Management of Ukraine in 2022-2024”, European Research Studies Journal, v. 27 (edição especial A), 2024; Hannah Teräs e Nellie Kartoglu, “Resilience to Emergencies and Civil Society Organizations”, Bulletin of the World Health Organization, v. 101, 2023.
15 Igor P. Gudima e Nadiia Y. Nerovna, “Особливості розвитку громадянського суспільства в Україні після початку повномасштабного російського вторгнення [Características do desenvolvimento da sociedade civil na Ucrânia após o início da invasão russa]”, Вісник Маріупольського Державного Університету. Серія: Філософія, Культурологія, Соціологія, v. 26, 2023.
16 Hannah Teräs e Nellie Kartoglu, “Resilience to Emergencies and Civil Society Organizations”, Bulletin of the World Health Organization, v. 101, 2023.
17 Felip Daza, “Civil Resistance in Ukraine: Exploring the Dynamics and Impacts of Social Emancipation Forces to Counter the 2022 Russian Invasion”, Peace Review, v. 36, 2024.
18 Ministério da Economia da Ucrânia, “Public-Private Partnership: Verkhovna Rada Improved the Mechanism for Attracting Private Investment for Ukraine’s Recovery”, 19 jun. 2025.
19 Olga Perekhrest e Vitaliy Solopchuk, “Stepan Veselovskyi: Lviv IT Cluster Is Building a City of the Future”, The Ukrainians, 11 fev. 2022.
20 Lviv IT Cluster, “Victory Projects”, 17 dez. 2024.
21 Aliança de Universidades Ucranianas, “Joint Projects of Universities and Communities”, 2024.
22 Ibid.
23 Ibid.
*Os autores agradecem aos professores Jack Spengler e Linda Tomasso, cuja disciplina Leadership for Sustainable Reconstruction of Ukraine, na Escola de Saúde Pública T. H. Chan da Universidade Harvard, foi diretamente responsável pela pesquisa que fundamenta este artigo.
Leia também: Tecnologia para salvar o patrimônio









