A 17ª edição da Stanford Social Innovation Review Brasil reúne reflexões sobre como a filantropia pode ir além do financiamento de iniciativas pontuais e contribuir para a criação de instituições fortes, duradouras e capazes de responder a desafios estruturais ao longo do tempo. O especial de capa, “Filantropia que constrói para durar”, traz três artigos que discutem o que é preciso para que o dinheiro doado hoje gere impacto capaz de atravessar gerações.
Em “Onde estão os filantropos construtores?”, Sarah Cone examina uma mudança importante no campo nos Estados Unidos. Enquanto alguns dos grandes filantropos do passado ficaram conhecidos pela criação de universidades, fundações, bibliotecas e outras instituições que atravessaram gerações, muitos grandes doadores contemporâneos preferem direcionar recursos a organizações já existentes, sem criar algo novo.
A discussão ganha uma perspectiva brasileira em “A filantropia brasileira e os desafios de construir instituições”, de Daniela Schmid. A reportagem explora como a formação econômica, o papel do Estado e os incentivos à doação ajudam a explicar os diferentes caminhos percorridos pela filantropia no Brasil e nos Estados Unidos. Já o artigo “O que faz o impacto filantrópico perdurar?”, de Talia Milgrom-Elcott e Justin D’Angona, propõe cinco dimensões para avaliar a durabilidade do impacto.
Outro artigo de destaque, “A ciência do design de normas”, de Jeff Leitner, chama atenção para as convenções sociais muitas vezes invisíveis que moldam comportamentos e ajudam a manter problemas aparentemente resistentes à mudança. Em “Por uma economia dos refugiados”, John Kluge Jr. e Christine Mahoney defendem uma participação mais ativa do setor privado na integração econômica de refugiados e apresentam três casos que oferecem modelos para estratégias de investimento.
A seção Panorama reúne experiências de diferentes partes do mundo que mostram como iniciativas locais podem responder a problemas sociais, econômicos e ambientais. “Na biblioteca delas, o futuro de todos” acompanha uma iniciativa na Índia que cria bibliotecas administradas por mulheres e oferece a estudantes, especialmente meninas, espaços seguros para estudar. “O exemplo de Fundão”, de David A. Taylor, mostra como uma cidade agrícola no centro de Portugal tem integrado imigrantes a estratégias de prevenção de incêndios, resiliência climática e revitalização rural. Já “Mulheres muçulmanas na liderança”, de Neha Bhatt, apresenta o trabalho da Fundação Led By no apoio a mulheres muçulmanas indianas em suas trajetórias profissionais e no enfrentamento à discriminação.
O Estudo de Caso traz “Uma universidade transformadora”, de Nimesh Ghimire, sobre a trajetória da Universidade Ashesi, fundada em Gana por Patrick Awuah. Criada inicialmente com ideias, métodos e referências vindos de outros contextos, a instituição desenvolveu ao longo do tempo uma identidade genuinamente ganesa e se tornou uma referência de inovação social para outras organizações, na África e no mundo.
Em Ponto de Vista, Camilla Griffiths, Trevor Smith, Christina Pao e Justin Morgan assinam “Precisamos superar o déficit de esperança”. O artigo defende que mobilizar pessoas em torno de uma causa exige mais do que convencê-las da sua importância: é necessário também construir a percepção de que a mudança é possível. “Além da Usaid”, de N Hlaing e Jose Ravano, discute os efeitos do declínio dos recursos destinados ao desenvolvimento internacional e a infraestrutura necessária para que organizações locais se aproximem do financiamento privado. Já “Uma transição injusta”, de Hazem Almassry, examina projetos de hidrogênio verde no Oriente Médio e na África do Norte e questiona processos que deixam organizações da sociedade civil à margem das decisões.
A seção Pesquisa apresenta estudos sobre temas que atravessam o debate público contemporâneo: ativismo de CEOs, defesa da democracia, mudanças climáticas e processos de triagem de inquilinos.
Em Livros, Gabriel Cardoso resenha Brasil no espelho: Um guia para entender o Brasil e os brasileiros, de Felipe Nunes, obra que convida atores do campo de impacto socioambiental a confrontar pressupostos e repensar estratégias de atuação. A edição se encerra com o Último Olhar, em “A jardineira da floresta”, sobre o documentário ANTA – O filme.
O conteúdo completo da 17ª edição da SSIR Brasil está disponível online gratuitamente. Cadastre-se para acessar a revista na íntegra.
Escreva sua história
A Stanford Social Innovation Review Brasil é uma plataforma em português que tem como objetivo aproximar a comunidade acadêmica e profissionais do terceiro setor, investimento social privado, movimentos sociais e o público mais amplo interessado em inovação social no país. Além de publicar traduções dos textos das edições globais da Stanford Social Innovation Review, também destaca artigos nacionais, escritos por e para quem se dedica à transformação social positiva no Brasil.
Você também pode ser autor ou autora de um artigo na SSIR Brasil! Clique aqui para conferir as diretrizes de submissão dos artigos.
Siga ainda a SSIR Brasil no Instagram e no LinkedIn para acompanhar todo o conteúdo.









