ESG estratégico para alinhar impacto e valor econômico

Diante da pressão por resultados, iniciativas de sustentabilidade corporativa precisam deixar de ser simbólicas e se tornar estratégicas. A gestão em portfólio e o intraempreendedorismo podem ajudar a conectar impacto socioambiental, retorno sobre o investimento e competitividade no longo prazo
Ilustrações de Clarice Wenzel

“Fomos longe demais, rápido demais”, disse Murray Auchincloss, então CEO da petroleira multinacional BP, em fevereiro de 2025, quando a empresa anunciou que reduziria seus investimentos em energias renováveis e dobraria sua aposta em petróleo e gás. “Reajustamos nossa estratégia para focar no valor de longo prazo para os acionistas”, explicou.1 Suas palavras captaram uma tendência emergente para gestores de sustentabilidade corporativa: projetos que não conseguem demonstrar valor para o negócio estão perdendo financiamento, influência e apoio institucional. A era em que iniciativas ESG  – ambiental, social e de governança, na sigla em inglês – podiam ser justificadas principalmente por ganhos reputacionais está chegando ao fim.

Essa mudança é visível nos mercados financeiros e na governança corporativa. Somente no primeiro trimestre de 2025, fundos de investimento sustentável registraram saídas líquidas de aproximadamente US$ 8,6 bilhões.2 Ao mesmo tempo, conselhos e altos executivos passaram a priorizar cada vez mais o retorno sobre o investimento e o alinhamento com o valor econômico da empresa, em detrimento de iniciativas orientadas por valores e princípios.3 Declarações de CEOs relacionando sustentabilidade ao valor do negócio aumentaram significativamente entre 2018 e 2024, refletindo uma expectativa mais ampla de que iniciativas ESG devem gerar retornos tangíveis.4

Desdobramentos geopolíticos reforçaram essa tendência. Nos Estados Unidos, o governo Trump retirou o país do Acordo de Paris (principal acordo internacional para o combate das mudanças climáticas), reduziu o apoio a veículos elétricos e contestou políticas corporativas de diversidade.5 Na Europa, o aumento dos gastos com defesa e a revisão de diretrizes éticas por grandes investidores reduziram a alocação de capital em projetos de sustentabilidade.6 Como resultado, iniciativas ESG enfrentam orçamentos cada vez menores e maior escrutínio.

Nos anos iniciais da década de 2020, muitos programas de sustentabilidade corporativa avançaram sem demonstrar de maneira clara como reduziam custos, mitigavam riscos ou geravam receitas. A atividade ESG era recompensada, enquanto os resultados ESG eram opcionais. Com o tempo, esse padrão criou uma lacuna de credibilidade. Sem respostas claras sobre economia de custos, redução de riscos, geração de receitas ou fortalecimento da marca, a sustentabilidade tornou-se vulnerável quando as estratégias corporativas passaram a ser mais conservadoras, tornando-se um alvo fácil para cortes. Departamentos de sustentabilidade foram reduzidos, cargos seniores foram eliminados e profissionais perderam influência.7

Essa dinâmica tem consequências que vão além da carreira dos profissionais da área. Quando a liderança não consegue enxergar como a sustentabilidade contribui para o valor do negócio, o engajamento corporativo no enfrentamento de grandes desafios – mudanças climáticas, resíduos plásticos, inclusão social – começa a enfraquecer. A escala e a velocidade desses desafios ultrapassam a capacidade de resposta de governos, ONGs e da filantropia. Mobilizar o poder corporativo é essencial não apenas pelo capital, mas também pela expertise e pelo alcance global capazes de transformar soluções potenciais em mudanças sistêmicas. Sem uma integração efetiva entre sustentabilidade, estratégia e criação de valor, esse potencial permanece inexplorado.

Nesse ponto, a mentalidade torna-se decisiva. Se a sustentabilidade é tratada como uma restrição ou um custo, o investimento seca assim que a pressão externa – regulatória, financeira ou reputacional – diminui. A redução de emissões, o redesenho de embalagens ou as iniciativas de inclusão perdem financiamento justamente quando começam a exigir transformações reais no negócio. Por outro lado, quando a sustentabilidade é entendida como motor de inovação, resiliência e crescimento, as empresas tendem a mobilizar suas capacidades para resolver desafios sociais e ambientais.

É aqui que a perspectiva de portfólio ESG se torna crítica. Tratar iniciativas de sustentabilidade como um portfólio de investimentos impõe priorização, escolhas e responsabilização. Lucratividade e impacto não enfraquecem a sustentabilidade – ao contrário, a protegem. Iniciativas que geram lucro dificilmente podem ser tratadas como apenas simbólicas ou performáticas. Um dos antídotos mais eficazes contra o greenwashing não é uma narrativa melhor, mas projetos ESG que combinem impacto mensurável com valor claro para o negócio.

Quem pode ajudar executivos a conectar estratégia e sustentabilidade em termos práticos? Uma resposta está no intraempreendedor de impacto: o funcionário que transforma desafios sociais e ambientais em oportunidades lucrativas. Como Beth Jenkins define na Stanford Social Innovation Review, trata-se de “um funcionário empreendedor que desenvolve um novo produto, serviço ou modelo de negócio lucrativo que cria valor para a sociedade e para sua empresa”.8

Na atual era pós-ESG, marcada por orçamentos mais restritos e demandas crescentes de retorno sobre investimento, intraempreendedores de impacto desempenham um papel central na tradução de desafios globais em valor tangível para os negócios. À diferença dos gestores de sustentabilidade, cujas funções durante o auge do ESG muitas vezes se concentraram em relatórios e conformidade, os intraempreendedores conectam impacto diretamente à estratégia.

Muitas organizações já investiram nessa abordagem. Empresas como Microsoft, BASF, Nike, Meta e Google treinaram funcionários por meio de programas como First Movers Fellowship (conduzido pelo Business & Society Program do Aspen Institute), Unusual Pioneers (estabelecido por Yunus Negócios Sociais, Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social e Porticus) e Jovens Inovadores em ODS (uma iniciativa do Pacto Global da ONU). Minha própria atuação docente nesses programas fundamentou a publicação em 2024 do livro The Corporate Hero’s Journey, que documenta uma série de iniciativas de intraempreendedores.

Do ponto de vista corporativo, no entanto, a próxima evolução do intraempreendedorismo de impacto está em um alinhamento mais forte com a estratégia. Em vez de apoiar projetos isolados, gestores de sustentabilidade podem usar a Matriz do ESG Estratégico – uma ferramenta para conectar iniciativas ESG a custos, riscos, crescimento e objetivos estratégicos, transformando a sustentabilidade em fonte de vantagem competitiva. A Matriz baseia-se em quatro formas arquetípicas de intraempreendedorismo de impacto, cada uma criando valor para o negócio ao reduzir riscos, fortalecer a reputação, gerar receitas ou remodelar mercados. Transitar entre esses quadrantes permite que as organizações se adaptem mais depressa à evolução das estratégias corporativas.

Adotar uma perspectiva de portfólio – e capacitar intraempreendedores para operacionalizá-la – pode ser uma forma prática de conectar propósito e lucro. Os casos a seguir mostram como essa abordagem pode funcionar em diferentes setores e contextos organizacionais.

Intraempreendedores respondem a incentivos externos

Pressão de stakeholders, mudanças nas expectativas dos consumidores e incentivos governamentais pressionam as corporações a integrar o ESG em suas estratégias. Essas forças operam principalmente por meio da motivação extrínseca, seja desestimulando comportamentos prejudiciais por meio de custos, multas e publicidade negativa, seja recompensando a conformidade com reconhecimento, financiamento e novas oportunidades de receita. Como resultado, muitas iniciativas de intraempreendedorismo concentram-se em evitar danos, reduzindo riscos operacionais e reputacionais. A iniciativa de reutilização de contêineres da Corbion oferece um exemplo dessa dinâmica na prática.

Corbion: reutilização para reduzir custos

Para muitas empresas, o primeiro passo para alinhar ESG e estratégia de negócios começa com a gestão de riscos e a redução de custos. Na Corbion, empresa global de conservação de alimentos e embalagens, essa mudança foi impulsionada por três jovens funcionários que buscavam repensar uma prática operacional rotineira.

Em 2019, Anselmo Domingues (então analista de pesquisa e desenvolvimento de produtos), Patrick Lima (analista de software) e Waldyr Trivellato (analista de contabilidade e controladoria) foram selecionados para participar do programa Jovens Inovadores em ODS do Pacto Global da ONU no Brasil. Eles analisaram processos internos da Corbion e identificaram uma ineficiência crítica: a empresa dependia fortemente de contêineres intermediários para entregar produtos, mas a maioria dos contêineres não era reutilizada nem reciclada adequadamente após a entrega.

Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório brasileiro relativo à gestão de resíduos e embalagens tornava-se mais rigoroso. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, já havia estabelecido a responsabilidade compartilhada entre produtores, distribuidores e consumidores. Em 2022, um novo decreto fortaleceu ainda mais os requisitos relacionados à logística reversa, ao rastreamento do transporte e ao monitoramento da conformidade. Esses desenvolvimentos aumentaram os riscos operacionais e regulatórios associados às práticas da Corbion.

Diante desse desafio, os três intraempreendedores projetaram um sistema de logística reversa baseado em tecnologia blockchain. O sistema permitiu à empresa rastrear cada contêiner desde a entrega até a devolução, registrando cada etapa em um livro digital inviolável. Isso possibilitou à Corbion saber onde estavam seus contêineres, se haviam sido devolvidos e com que frequência eram reutilizados.

A solução foi uma abordagem direta de múltiplas preocupações da empresa. Reduziu custos operacionais ao aumentar a reutilização, minimizou riscos regulatórios ao fortalecer a conformidade e melhorou a transparência em toda a cadeia de suprimentos. Ao mesmo tempo, reforçou o relacionamento com clientes ao introduzir maior responsabilidade e confiabilidade nas operações logísticas.

Ao responder à pressão regulatória com uma solução baseada em tecnologia, o projeto fortaleceu a resiliência e a eficiência operacional da Corbion, além de avançar princípios da economia circular. Ele mostra como iniciativas de sustentabilidade focadas na redução de riscos e no controle de custos podem proteger o desempenho dos negócios quando as condições financeiras e políticas se tornam menos favoráveis.

Projetos dessa natureza representam Melhorias incrementais em ESG e são motivados em especial pela redução de custos e pela gestão de riscos reputacionais. Em resposta às expectativas dos consumidores e ao escrutínio público, as empresas buscam defender seus modelos de negócio contra críticas sociais e ambientais, muitas vezes por meio de esforços incrementais para tornar suas operações ligeiramente menos prejudiciais. Embora essas iniciativas possam ajudar a estabilizar o desempenho e administrar a exposição da empresa, elas costumam gerar valor estratégico limitado e impacto social ou ambiental modesto. Em uma perspectiva macro, uma agenda ESG corporativa restrita a esse nível dificilmente será suficiente para avançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O que representa risco para algumas empresas torna-se oportunidade para outras. O quadrante inferior direito da Matriz reflete uma renovação sustentável em busca de crescimento, não apenas mitigação de riscos. Em vez de focar na contenção de custos ou na conformidade, essas iniciativas visam gerar novas receitas e abrir novos mercados. A linha de crédito para energia solar do Sicredi ilustra essa forma de inovação intraempreendedora.

Sicredi: linha de crédito para energia limpa

Enquanto iniciativas como a da Corbion ilustram de que modo projetos ESG podem ajudar empresas a reduzir custos e gerenciar riscos, outras mostram como a sustentabilidade pode ser um motor de crescimento. No Sicredi, instituição financeira cooperativa com mais de 120 anos de história e 3 mil agências em todo o país, a sustentabilidade tornou-se a base para a expansão em novos mercados.

Embora mais de 80% da eletricidade no Brasil provenha de fontes renováveis, a maior parte ainda é gerada por hidrelétricas, o que deixa o país vulnerável a secas e escassez de energia. Em resposta, a geração distribuída solar emergiu como prioridade estratégica, apoiada por incentivos governamentais como a Lei 14.300, de 2022 – que regula a geração de energia por consumidores, como instalações solares residenciais ou comerciais, para uso próprio ou compartilhado –, e por uma demanda local em rápida expansão, com investimentos estimados em R$ 60 bilhões.9

Foi nesse contexto que Ana Goffredo, gerente de desenvolvimento de negócios, e Gabriela Ottoboni, gerente de sustentabilidade do Sicredi, começaram a desenvolver uma nova ideia. Em 2019, ao participarem do programa Jovens Inovadores em ODS, elas projetaram uma linha de crédito que oferecia condições de financiamento favoráveis para clientes que desejavam instalar painéis solares e produzir energia renovável.

A iniciativa atraiu atenção e financiamento internacionais. Em março de 2020, o Sicredi firmou um acordo de empréstimo de até US$ 100 milhões com a Agência de Cooperação Internacional do Japão e o Citibank para financiar o programa de crédito solar.10 Em 2021, captou US$ 120 milhões com a Corporação Financeira Internacional, do Banco Mundial, para o mesmo fim.11 Somente no primeiro semestre de 2022, o Sicredi disponibilizou mais de R$ 1,6 bilhão em crédito para energia solar no Brasil.12

Diferentemente de projetos ESG orientados pela conformidade, a linha de crédito solar do Sicredi baseou-se nas competências centrais da organização. Oferecer crédito já era central em seu modelo de negócio; a inovação esteve em alinhar essa expertise à transição para energias renováveis. Ao integrar a sustentabilidade a um produto financeiro familiar, o Sicredi criou uma oferta diferenciada que atendeu a crescente demanda do mercado e abriu novas fontes de receita.

Essa abordagem reflete o que a Matriz do ESG Estratégico define como Renovação sustentável: iniciativas motivadas não pela evasão de riscos, mas pela busca de novas oportunidades de mercado. Em vez de responder defensivamente à pressão externa, o Sicredi aproveitou mecanismos de financiamento disponíveis e o interesse crescente em energias renováveis para posicionar a sustentabilidade como fonte de vantagem competitiva.

O projeto ilustra como o ESG pode deixar de ser um fator de custo para se tornar uma estratégia de crescimento. Ao combinar desempenho financeiro com impacto ambiental, o Sicredi demonstrou que iniciativas de sustentabilidade, quando alinhadas às competências do negócio e aos incentivos do mercado, podem fortalecer tanto a lucratividade como a resiliência de longo prazo.

Tanto as Melhorias incrementais em ESG como a Renovação sustentável são orientadas principalmente por forças externas. No primeiro caso, as empresas respondem à pressão regulatória, reputacional e de stakeholders. No segundo, são atraídas por oportunidades de mercado, como acesso a financiamento ESG e aumento da demanda por soluções renováveis. Em ambos os casos, as iniciativas de sustentabilidade são moldadas, em grande parte, por incentivos que se originam fora da organização.

Intraempreendedores guiados por propósito interno

As duas categorias seguintes operam segundo uma lógica diferente daquela dos exemplos citados anteriormente. Em vez de reagirem à pressão externa ou a incentivos financeiros, são impulsionadas por propósito interno. Sua principal motivação é enfrentar desafios sociais ou ambientais, usando o negócio como veículo de mudança, mesmo em contextos em que não há demanda de mercado estabelecida ou modelo comercial comprovado. 

A primeira delas é a dos Vetores de reputação. Essas iniciativas concentram-se na criação de valor intangível, fortalecendo a legitimidade da empresa e o propósito organizacional. A água AMA, da Ambev, é um exemplo dessa forma de inovação intraempreendedora. 

Ambev: construindo reputação por meio do propósito

Para Carla Crippa, o ponto de virada ocorreu durante uma apresentação à alta liderança da Ambev.13 No segundo slide de sua apresentação, o CEO da empresa a interrompeu e disse: “Já entendi. O que você precisa de mim?”. Depois de trabalhar no departamento jurídico da Ambev e, posteriormente, como gerente de sustentabilidade, Crippa passou mais de dois anos ouvindo críticas dirigidas aos executivos da empresa. Uma pergunta se repetia: como a maior produtora de cerveja do mundo poderia justificar operar em comunidades de baixa renda que não tinham acesso à água potável?

Segundo o Instituto Trata Brasil, 33 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável. A resposta de Crippa foi desenhar um modelo de negócio que enfrentasse essa contradição na atuação da empresa. O resultado foi a AMA, uma linha de água estruturada como um negócio sem perdas. A AMA não geraria lucros nem imporia custos à empresa. Toda a receita seria reinvestida em projetos que fornecessem acesso a água potável, primeiro em regiões afetadas pela seca no Nordeste brasileiro e, depois, em outras comunidades de baixa renda.

Esse modelo afastou-se deliberadamente de iniciativas ESG focadas em ganhos de eficiência ou gestão de riscos. A AMA não foi concebida para ampliar margens de lucro ou abrir novos mercados. Seu propósito era demonstrar que a Ambev estava disposta a agir em relação às suas responsabilidades sociais mesmo quando não havia retorno financeiro imediato. Nesse sentido, o projeto funcionou como uma forma extrema de marketing relacionado à causa, combinando operações comerciais com filantropia.

Os benefícios reputacionais para a Ambev foram substanciais. A imprensa destacou a iniciativa, e Crippa observou um interesse crescente de jovens profissionais que queriam trabalhar em uma empresa guiada por um senso mais amplo de propósito. Até fevereiro de 2026, segundo a Ambev, a AMA havia arrecadado mais de R$ 11 milhões e ajudado a fornecer acesso a água potável para mais de
1 milhão de pessoas.

O projeto foi de início incentivado pela Yunus Negócios Sociais Brasil, que desafiou a empresa a ir além da filantropia corporativa tradicional e desenvolver uma iniciativa social financeiramente sustentável. Contudo, a iniciativa permanece dependente do compromisso da liderança. Como cria sobretudo valor intangível, sua continuidade depende de executivos que reconheçam a importância estratégica da legitimidade e da credibilidade social oriundas do projeto. Assim, a AMA ilustra tanto o potencial como as limitações de projetos ESG orientados pela reputação: eles podem gerar benefícios sociais significativos e valor de marca, mas exigem convicção interna sustentada para perdurar.

A segunda categoria de projetos motivados intrinsecamente consiste nos Revolucionários: iniciativas que fazem a empresa crescer ao enfrentar desafios sociais e ambientais em escala. Enquanto a AMA da Ambev ilustra como o propósito pode fortalecer a reputação, alguns esforços intraempreendedores vão além, remodelando mercados inteiros. O M-Pesa destaca-se como um dos exemplos mais citados de inovação social em contexto corporativo. Permanece como referência do potencial do intraempreendedorismo de impacto, demonstrando como soluções para problemas sociais podem redefinir setores e criar modelos de negócio inteiramente novos. Por isso, representa um caso arquetípico de inovação revolucionária.

Vodafone e M-Pesa: redefinindo a inclusão financeira

Em 2007, enquanto trabalhavam no Quênia para a Vodafone, uma empresa global de telecomunicações, Susie Lonie e Nick Hughes se depararam com um contraste marcante. Apenas cerca de 20% da população tinha acesso a serviços financeiros formais, deixando a grande maioria sem contas bancárias, cartões de débito ou crédito. Ao mesmo tempo, quase 60% dos quenianos possuíam um telefone celular. Essa lacuna entre exclusão financeira e acesso tecnológico suscitou uma pergunta simples, porém poderosa: e se os telefones celulares pudessem ser usados para transferir dinheiro?

Na época, a ideia estava longe de ser óbvia. Serviços financeiros móveis ainda estavam em seus estágios iniciais, e poucas empresas de telecomunicações os viam como parte de seu núcleo estratégico. Lonie e Hughes reconheceram que a infraestrutura e o alcance da Vodafone posicionavam a empresa de forma única para enfrentar esse problema sistêmico. Eles desenvolveram então o M-Pesa, uma plataforma móvel que permitia aos usuários enviar e receber dinheiro com a mesma facilidade com que enviavam uma mensagem de texto.

Em seu primeiro ano, o M-Pesa atraiu 1,2 milhão de clientes.14 Nos anos seguintes, o serviço se expandiu por vários países africanos. Em 2022, tornou-se o maior provedor de serviços financeiros móveis da África, atendendo mais de 52 milhões de clientes.15

Além de seu sucesso comercial, o M-Pesa alterou fundamentalmente o acesso a serviços financeiros. A plataforma permitiu que milhões de pessoas guardassem, transferissem e administrassem dinheiro pela primeira vez. Estudos indicam que ela ajudou a tirar cerca de 194 mil famílias da pobreza,16 o que demonstra como a infraestrutura digital pode se traduzir diretamente em mobilidade social e econômica.

Segundo Lonie, o M-Pesa começou como um pequeno projeto de responsabilidade social corporativa que não se alinhava à estratégia da empresa.17 Executivos seniores demonstraram pouco interesse até que o serviço começasse a apresentar resultados tangíveis. Quando a adoção se acelerou, porém, a Vodafone reconheceu seu valor estratégico. A plataforma não apenas abriu acesso a novos mercados, como também fortaleceu a retenção de clientes, já que os usuários ficavam menos propensos a trocar de operadora quando seus serviços financeiros estavam vinculados às suas contas de celular.

O M-Pesa evoluiu de um experimento social periférico para um ativo central do negócio. Passou a gerar receitas e lucros substanciais, ao mesmo tempo que ampliava a inclusão financeira em escala sem precedentes. Seu sucesso mostrou como a resolução de um desafio social pode redefinir um setor e criar uma vantagem competitiva sustentável.

O M-Pesa exemplifica as características definidoras de uma inovação Revolucionária. Em vez de responder à pressão externa ou a oportunidades incrementais de mercado, emergiu de um esforço motivado internamente para repensar como as capacidades corporativas poderiam enfrentar barreiras estruturais. Onde outros viam a exclusão financeira como um problema social, Lonie e Hughes identificaram uma oportunidade estratégica. Ao construir um mercado inteiramente novo em torno do dinheiro móvel, eles alinharam lucratividade a impacto em larga escala.

Enquanto muitas iniciativas ESG corporativas permanecem confinadas à conformidade ou a melhorias incrementais, o M-Pesa demonstra o que é possível quando inovação e propósito social convergem. O intraempreendedorismo orientado por propósito, quando apoiado por compromisso organizacional e visão de mercado, pode remodelar setores e ao mesmo tempo entregar benefícios para milhões de pessoas. Projetos revolucionários são, portanto, os mais contundentes tanto do ponto de vista empresarial como do impacto: eles colocam o poder dos negócios a serviço dos ODS.

Como usar a Matriz do ESG Estratégico

A Matriz do ESG Estratégico foi concebida para conectar a estratégia corporativa ao portfólio de iniciativas ESG de uma empresa. Em vez de tratar projetos de sustentabilidade como esforços isolados, a ferramenta ajuda gestores a compreender como cada iniciativa contribui para a redução de custos, a gestão de riscos, o crescimento, a reputação ou a transformação de mercados. Ao fazer isso, permite que as organizações adaptem seus portfólios ESG a prioridades estratégicas em evolução e a diferentes contextos de negócios.

A primeira aplicação da Matriz é apoiar o ajuste estratégico. Quando a estratégia corporativa enfatiza o controle de custos, os gestores podem concentrar-se em projetos no quadrante de Melhorias incrementais em ESG. Quando o crescimento por meio de produtos e serviços sustentáveis se torna prioridade, os investimentos podem ser redirecionados para Renovação sustentável. Se a liderança busca fortalecer reconhecimento de marca e legitimidade, os Vetores de reputação podem ganhar destaque. E quando a inovação disruptiva é necessária, iniciativas com potencial Revolucionário merecem maior atenção. Dessa forma, a Matriz fornece uma estrutura prática para alinhar investimentos em sustentabilidade a objetivos corporativos em evolução.

O segundo passo é usar a ferramenta para mapear o portfólio ESG existente. Ao posicionar todas as iniciativas em andamento nos quatro quadrantes, as organizações podem interpretar seu portfólio ESG e identificar padrões subjacentes. Em alguns casos, as organizações descobrem que têm projetos distribuídos por três ou quatro quadrantes, sem foco estratégico claro. Nessas situações, torna-se difícil responder a perguntas básicas: essas iniciativas estão reduzindo custos, gerenciando riscos ou gerando novas fontes de receita?

Outras empresas percebem que seu portfólio é dominado por Melhorias incrementais em ESG, concentradas no quadrante inferior esquerdo. Esse padrão é comum em setores avessos ao risco, nos quais os esforços de sustentabilidade tendem a se concentrar em conformidade e proteção reputacional. Embora essas iniciativas possam ajudar as empresas a operar com um pouco menos de dano, raramente sustentam diferenciação, inovação ou crescimento de longo prazo. Portanto, fazem pouco para fortalecer a posição da organização como líder em ESG ou para criar novas fontes significativas de receita.

Em alguns casos, o mapeamento revela a ausência de iniciativas no espaço de alta criação de valor representado pelos dois quadrantes à direita. Quando isso ocorre, as empresas deixam de traduzir desafios sociais e ambientais em produtos e serviços pelos quais os clientes estejam dispostos a pagar, efetivamente cedendo essas oportunidades aos concorrentes.

Por fim, algumas organizações descobrem que não possuem nenhum projeto no quadrante superior direito. A ausência de Revolucionários sinaliza falta de ambição em alinhar impacto à geração de lucro. Embora iniciativas desse tipo sejam raras e difíceis de desenvolver, sua escassez é precisamente o que as torna tão valiosas. Empresas que nunca investem nesse espaço correm o risco de perder grandes oportunidades de impacto social e de renovação estratégica.

Depois que as empresas mapeiam seu portfólio ESG usando a Matriz, o próximo passo é definir caminhos claros de desenvolvimento. Isso ajuda as organizações a avançar de sua posição atual para um alinhamento mais forte entre sustentabilidade, estratégia e criação de valor.

Para empresas que se encontram presas à conformidade e à gestão de riscos reputacionais, o primeiro passo é deslocar o foco da redução de riscos para o crescimento. Para isso, pode ser necessário transferir a responsabilidade pela sustentabilidade das áreas jurídica ou de compliance para equipes orientadas à inovação. Ao reformular a sustentabilidade como potencial habilitadora de receitas, identificar demandas dos clientes e incentivar funcionários a atuarem como intraempreendedores, as organizações podem começar a transformar práticas ESG defensivas em fontes de vantagem competitiva.

Outras empresas descobrem que geram alto impacto social e ambiental, mas têm dificuldade em traduzir esses esforços em valor para o negócio. Muitas criaram fundações corporativas ou conduzem projetos que atraem e retêm talentos, mas permanecem desconectados das atividades comerciais centrais. Nesses casos, é essencial conectar impacto à criação de valor. Isso envolve revisar portfólios de projetos existentes, identificar iniciativas com potencial de receita, engajar equipes comerciais para avaliar a demanda de mercado e desenvolver estratégias de marketing baseadas em conquistas comprovadas. Com o tempo, essa abordagem pode transformar a expertise organizacional em sustentabilidade em fluxos de receita sustentáveis.

O terceiro caminho consiste em tornar-se um Revolucionário. Organizações que nunca atuaram nesse espaço podem alocar uma pequena parcela de seu portfólio – como 10% dos projetos – a iniciativas mais ambiciosas. As equipes podem ser desafiadas a refletir sobre como aplicar as competências centrais da empresa na solução de grandes problemas sociais e ambientais, apoiadas por teorias de mudança claras. Produtos e serviços ESG existentes podem ser ampliados para aumentar seu alcance e impacto. Embora tais investimentos exijam paciência e gestão cuidadosa, eles revelam oportunidades de negócio que combinam alto impacto social com potencial substancial de receita.

Motivação e gerenciamento

Para aplicar a Matriz do ESG Estratégico, as empresas devem examinar tanto as motivações por trás de suas iniciativas de sustentabilidade como as ferramentas que usam para identificar e priorizar projetos. A maioria das organizações investiu em ESG principalmente em resposta a pressões externas, como exposição negativa na mídia, aumento de custos, regulamentações socioambientais mais rigorosas e ativismo de stakeholders. Essa abordagem reativa tende a limitar o impacto ao enfrentamento de questões levantadas por atores externos, em vez de buscar ativamente oportunidades para gerar mudanças positivas impulsionadas pelo negócio. Assim, os esforços de sustentabilidade acabam se concentrando na mitigação de riscos e na proteção da reputação, em vez de criar novas fontes de valor. 

As experiências da Corbion e do Sicredi ilustram esse padrão. As iniciativas de reciclagem da Corbion foram moldadas pelo crescente escrutínio da imprensa e por exigências regulatórias, enquanto a estratégia de sustentabilidade do Sicredi seguiu incentivos dos mercados financeiros internacionais preocupados com os riscos climáticos. Em ambos os casos, a priorização de projetos baseou-se fortemente na matriz de materialidade, uma ferramenta projetada para identificar quais temas – como clima, resíduos ou diversidade – são mais relevantes para stakeholders e para o negócio. Ao classificar tópicos segundo sua importância percebida, as matrizes de materialidade ajudam a alinhar ações corporativas às expectativas externas. No entanto, também tendem a reforçar uma postura defensiva, limitando a inovação a preocupações estabelecidas e desestimulando agendas mais prospectivas e orientadas a oportunidades.

Iniciativas de alto impacto, por outro lado, em geral estão enraizadas na motivação intrínseca e em um forte senso de propósito. Em vez de reagir a demandas externas, esses projetos emergem de reflexões internas, nas quais funcionários e líderes exploram como as competências, os ativos e as redes da empresa podem ser mobilizados para enfrentar desafios sociais, ao mesmo tempo que criam valor estratégico para o negócio.

Não é responsabilidade de uma produtora de cerveja garantir acesso a água potável, nem dever de uma empresa de telecomunicações promover inclusão financeira. Ainda assim, Ambev e Vodafone reconheceram que suas capacidades as posicionavam para responder a esses desafios de maneiras que também apoiavam seus objetivos de longo prazo. Questões como acesso à água ou inclusão financeira raramente aparecem como prioridades em avaliações convencionais de materialidade, justamente porque estão fora das expectativas imediatas dos stakeholders. No entanto, podem tornar-se poderosas fontes de impacto e inovação quando abordadas estrategicamente.

Nesses casos, a ferramenta habilitadora mais relevante não vem dos marcos de conformidade, mas do campo da filantropia: a teoria da mudança. Ao articular caminhos claros e intencionais entre atividades e resultados, essa metodologia ajuda as organizações a ir além de respostas reativas e adotar uma abordagem mais proativa e orientada à inovação para o impacto. Usada em conjunto com a Matriz do ESG Estratégico, ela apoia o desenvolvimento de iniciativas que combinam propósito, estratégia e criação de valor de longo prazo.

Do ponto de vista empresarial, a distinção entre iniciativas ESG de baixo e alto valor pode ser compreendida a partir de quatro dimensões inter-relacionadas: o tipo de valor que criam, a abordagem de gestão dominante que as governa, seu impacto sobre o portfólio de produtos e serviços da empresa e seu retorno atual e futuro sobre o investimento. Juntas, essas dimensões revelam se os esforços de sustentabilidade estão apenas protegendo operações existentes ou contribuindo para a renovação estratégica de longo prazo.

Iniciativas de baixo valor para o negócio são normalmente geridas sob a ótica da mitigação de riscos. Elas se concentram na redução de vulnerabilidades operacionais, na garantia de conformidade regulatória e na obtenção de eficiências de custo ou benefícios intangíveis, como proteção reputacional. Embora esses esforços sejam necessários, poucas vezes contribuem para renovação ou expansão de produtos e serviços. À medida que os ambientes de negócios evoluem e as expectativas aumentam, seu retorno sobre o investimento tende a permanecer baixo e, ao longo do tempo, cada vez mais limitado.

Já empresas que geram alto valor a partir de seus projetos ESG adotam uma abordagem orientada à inovação. Em vez de se concentrarem em minimizar riscos, desenvolvem iniciativas para criar novas fontes de receita por meio da renovação ativa e da expansão de ofertas. Essa orientação incentiva as organizações a assumir riscos calculados na busca por novos mercados, modelos de negócio e vantagens competitivas. Quando bem-sucedidos, esses investimentos entregam retornos mais fortes no curto prazo e maior potencial de crescimento no longo prazo, reforçando a sustentabilidade como motor central do desempenho corporativo.

De projetos individuais a sistemas estratégicos

As experiências dos intraempreendedores de impacto na Corbion, no Sicredi, na Ambev e na Vodafone mostram que a inovação impulsionada por propósito pode fortalecer a competitividade, reduzir riscos e abrir novos mercados. No entanto, a próxima fronteira do ESG estratégico não está em heróis corporativos individuais, mas na transformação da maneira como as organizações inovam, incluindo como gerenciam e priorizam seus portfólios de projetos ESG. Em um ambiente cada vez mais moldado por métricas financeiras de curto prazo, empresas que não conseguem vincular a sustentabilidade à criação de valor correm o risco de perder relevância, talentos e confiança de investidores. Já aquelas que tratam o ESG como motor estratégico tendem a obter vantagens nos próximos anos, incluindo custos mais baixos, novas fontes de receita, ciclos de inovação mais rápidos e maior engajamento dos funcionários.

Ao mesmo tempo, a eficácia da Matriz do ESG Estratégico é limitada não por sua lógica analítica, mas pela política organizacional. Ao vincular iniciativas ESG a direcionadores de negócio, parte-se do pressuposto de racionalidade decisória; no entanto, prioridades corporativas costumam ser moldadas por dinâmicas de poder, influência interna e incentivos de curto prazo. Em organizações nas quais gestores de ESG carecem de capital político ou onde resultados trimestrais dominam o pensamento estratégico, mesmo a lógica de portfólio mais robusta pode ter dificuldade em redirecionar recursos.

A Matriz também se baseia na lógica de que iniciativas de sustentabilidade podem ser claramente vinculadas a fatores como redução de custos, gestão de riscos e geração de receitas. Na prática, esse processo de mapeamento pode gerar tensões, já que diferentes quadrantes se alinham aos interesses de diferentes departamentos. Enquanto áreas jurídicas e operacionais tendem a focar custos e riscos, equipes de inovação e marketing costumam preferir desenvolver projetos revolucionários. O contexto organizacional importa: em setores altamente avessos ao risco, os portfólios costumam se concentrar em melhorias incrementais, limitando o potencial transformador.

Há também o risco de instrumentalizar o ESG como apenas mais uma ferramenta estratégica, reduzindo objetivos sociais e ambientais a indicadores de desempenho, em vez de tratá-los como uma lente para repensar a inovação. A verdadeira força da Matriz do ESG Estratégico reside em sua capacidade de conectar valor econômico e valores éticos e sociais. Esse potencial só pode ser concretizado se as empresas resistirem à tentação de transformá-la em um checklist de conformidade.

Ao final da década de 2020, a sociedade global avaliará quanto progresso foi feito em relação aos ODS. Ficará claro quais empresas incorporaram a sustentabilidade em sua lógica central de criação de valor e quais continuaram a tratá-la como atividade periférica. As primeiras vão atrair investidores de longo prazo, garantir legitimidade social e desempenhar um papel crucial no enfrentamento de desafios globais. As segundas terão dificuldade em permanecer relevantes em mercados cada vez mais moldados por regulação, transparência e confiança dos stakeholders.

A questão central é quem, dentro das organizações, terá coragem e habilidades para conectar propósito e lucro antes que a janela para uma transformação significativa se feche. Se gestores de sustentabilidade adotarem uma mentalidade de portfólio e cultivarem a próxima geração de intraempreendedores de impacto, o ESG poderá evoluir de um complemento corporativo para um poderoso motor de renovação estratégica.

Notas

1 Julia Kollewe, “BP boss says oil company went ‘too far, too fast’ in green energy transition – as it happened”, The Guardian, 26 fev. 2025.

2 Steve Johnson, “ESG fund outflows hit record as sustainable investing backlash grows”, Financial Times, 25 abr. 2025.

3 Sara Braun, “Exclusive: It’s not just DEI – corporate ESG initiatives are under threat in the Trump era and 80% of companies say they’re adjusting their policies”, Fortune, 29 maio 2025.

4 Bain & Company, “Sustainability is not dead – CEOs, consumers and B2B buyers continue to act sustainably, and tie it to business value”, 15 set. 2025.

5 Greg Iacurci, “Trump-fueled backlash ‘intensified’ flight from ESG funds, Morningstar finds”, CNBC, 28 abr. 2025.

6 Naomi Rovnick, Iain Withers e Simon Jessop, “Europe’s top money managers start to bring defence stocks in from the cold”, Reuters, 14 mar. 2025.

7 Heather Clancy, “Sustainability pros join jobless ranks as ESG priorities shift”, Trellis, 6 mar. 2025.

8 Beth Jenkins, “Cultivating the Social Intrapreneur”, Stanford Social Innovation Review, 4 jan. 2018.

9 Ministério de Minas e Energia, “R$ 60 bilhões serão investidos até 2027 no sistema de geração distribuída”, 28 ago. 2019.

10 Agência de Cooperação Internacional do Japão, “Signing of Loan Agreement for ‘Distributed Solar Power Generation System Project’in Brazil (Private Sector Investment Finance): Teaming Up with Brazil’s Largest Credit Union Alliance to Promote Solar Power”, 1 abr. 2020.

11 Natália Viri, “Sicredi levanta US$ 120 milhões com IFC para energia solar com selo verde”, Capital Reset, 17 maio 2021.

12 Henrique Hein, “Financiamento para energia solar soma mais de R$ 1,6 bi no Sicredi”, Canal Solar, 11 out. 2022.

13 O relato de Carla Crippa está no livro Rebeldes corporativos, de Heiko H. Spitzeck, publicado pela Editora Voo em 2025.

14 Michael Joseph, “M-Pesa: creating the leading mobile money service”, Vodafone, 6 mar. 2017.

15 Bernhard Warner, “More than half of Kenya’s entire GDP is now transacted on this African fintech app”, Fortune, 8 mar. 2022.

16 Tavneet Suri e William Jack, “The long-run poverty and gender impacts of mobile money”, Science, v. 354, n. 6.317, 9 dez. 2016.

17 Leaders League, “Susie Lonie (M-PESA): ‘I knew it was going to be big’”, 23 mar. 2015.

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