A arquitetura do consumo

O Brasil produz mais do que nunca – e come cada vez mais a mesma coisa. Soja e milho dominam os campos; ultraprocessados avançam nos pratos. Essa uniformidade não é acidente: tem raízes históricas, causas estruturais e consequências que vão além da saúde individual. Entender o paradoxo de uma agricultura abundante e uma dieta empobrecida exige olhar para todo o sistema – da semente à prateleira, da política agrícola ao carrinho de supermercado

O paradoxo da comida

A reconstrução das políticas públicas de alimentação e nutrição fez o Brasil sair novamente do Mapa da Fome – e em tempo recorde. Mas esse avanço importante é confrontado por um cenário em que a fome e a obesidade coexistem como expressões de um mesmo sistema alimentar. Mais que garantir calorias, o desafio agora é melhorar a qualidade da alimentação de todos os brasileiros e deter a crescente prevalência de sobrepeso e obesidade

O clima na conta da infância

Mudanças climáticas, desigualdade e fragilidade dos sistemas alimentares formam uma combinação capaz de agravar a insegurança alimentar infantil. Ao integrar dados climáticos, sociais e nutricionais, a Plataforma FomeS busca identificar territórios vulneráveis e antecipar crises antes que a escassez se transforme em fome

Além da fome

Entre os Yanomami, a desnutrição infantil não se explica apenas pela falta de comida. Doenças, pressões sobre o território e transformações nos modos de vida redesenham o acesso à alimentação. Ao mesmo tempo, as respostas à crise ainda operam com pouca aderência ao contexto local. O desafio é construir sistemas de saúde capazes de dialogar com diferentes formas de compreender o corpo, a alimentação e o cuidado