Alex Dildine liderou o programa de mobilização digital do grupo Organizing for Action (OFA), um desdobramento da campanha presidencial de Barack Obama. Durante seu período no OFA, gerenciou os ativos digitais do ex-presidente, usando listas de e-mails e redes sociais para mobilizar comunidades que haviam se engajado na campanha. Dildine enfrentou uma série de desafios em seu trabalho: décadas de declínio do capital social, voluntários em locais remotos com dificuldade de encontrar propósito no ambiente online e baixas taxas de resposta nas plataformas digitais.
Hoje, Dildine é doutoranda em ciência política na Universidade Johns Hopkins e pesquisa como mobilizadores podem construir um senso de comunidade de maneira a sustentar o engajamento no longo prazo.
“Quando Trump foi eleito em 2016, as taxas de participação voluntária dispararam”, conta Dildine. “Mas eu sabia que, sem uma infraestrutura organizacional e um esforço intencional para criar um senso de comunidade, virtual ou presencial, as pessoas não saberiam como continuar engajadas.”
Dildine se perguntou: quais ferramentas poderiam ajudar a transformar entusiasmo online em ação offline? Como avaliar a profundidade e a qualidade do engajamento digital e entender se as pessoas encontravam significado, senso de comunidade e propósito ao se mobilizar?
Para responder a essas perguntas, a tese de Dildine analisa casos históricos, baseia-se em entrevistas com estrategistas organizacionais e explora bancos de dados, materiais de treinamento e relatórios anuais de organizações a fim de mapear os padrões de voluntariado ao longo do tempo, do período inicial de otimismo em relação à internet ao presente mais pessimista, marcado por anos de coleta acelerada de dados e vigilância online. Campanhas de microdirecionamento, por exemplo, oferecem uma maneira fácil de encontrar apoiadores para uma causa específica. No entanto, transformar essas pessoas em indivíduos dispostos a lutar ou até correr riscos por uma causa continua sendo um desafio sem solução. A maioria das organizações carece de estratégias online comprovadas e precisa competir com uma enxurrada de e-mails e notificações para conquistar a atenção das pessoas.
“Ela está respondendo a perguntas que, dez anos atrás, não seríamos capazes de formular”, diz David Karpf, professor associado de mídia e assuntos públicos na Universidade George Washington. “Sua pesquisa leva a sério o fato de que a voz e a ação política têm se deslocado cada vez mais para o ambiente online e, a partir daí, destrincha as consequências e implicações complexas para mobilização, organização e construção de poder.”
A maior parte dos profissionais desse campo foi ensinada a medir impacto por meio de taxas de cliques, assinaturas de petições ou número de visitas realizadas. Em parte, isso se deve à dificuldade de obter dados detalhados sobre o que os voluntários fazem. A abordagem longitudinal de Dildine acompanha a mobilização estratégica em paralelo à evolução das ferramentas digitais para destacar princípios ou premissas que sirvam de guia a líderes sobre o que inspira os voluntários.
“Meu ponto de inflexão talvez esteja no antes e depois da pandemia”, afirma Dildine. “Antes de março de 2020, as pessoas usavam algumas ferramentas digitais, mas não estavam totalmente envolvidas com a mobilização digital. Talvez fizessem transmissões ao vivo no Facebook para divulgar seus esforços, mas sem o elemento da mobilização, que é fundamental.”
A mobilização política e a construção de poder entraram em um novo paradigma, mostra a pesquisa de Dildine. As ferramentas digitais facilitaram o recrutamento, a formação de listas de membros e a redução dos custos de identificação de potenciais voluntários. No entanto, fomentar o engajamento de longo prazo exigirá outros tipos de métricas além de taxas de cliques, sugerem suas descobertas.
O modo como as organizações estruturam suas equipes e atividades torna-se ainda mais complexo quando elas fazem escolhas sabendo que as pessoas não vivem em comunidades separadas – ou online, ou offline –, mas sempre com um pé em cada um desses mundos.
“Como estamos prosperando se nossas vidas estão online?”, questiona Dildine. “Se é lá que vamos viver nossa vida coletiva, como podemos garantir que encontraremos significado, senso de comunidade e propósito? Isso vai muito além da política.”
Pesquisa: “The Promises and Perils of Digital Organizing: Building Community Power in the Age of Surveillance Capitalism”, tese de doutorado de Alexandra Dildine.
*Em junho de 2025, o Stanford Center on Philanthropy and Civil Society (Stanford PACS), sede acadêmica da SSIR, realizou seu Fórum de Acadêmicos Júnior em parceria com o Seminário Doutoral em Empreendedorismo Social e Filantropia (SEPHI, na sigla em inglês) na ESSEC Business School, em Paris. Os artigos da seção de Pesquisa da edição 14 apresentam trabalhos de pesquisadores que participaram do fórum.
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