Cultivar a agricultura regenerativa

A Healing Soils Foundation está revitalizando os solos e protegendo o meio ambiente enquanto apoia os agricultores do Meio-Oeste dos Estados Unidos

É difícil imaginar algo mais fundamental para o nosso bem-estar do que a comida que comemos. Ainda assim, a maioria das pessoas sabe pouco sobre como seus alimentos são cultivados e preparados. De onde eles vêm? Como são produzidos e processados? A qualidade do ar e da água influencia seu valor nutricional? O meio ambiente foi prejudicado nesse processo? Quais são os impactos dos produtos químicos sintéticos utilizados? 

Uma alimentação saudável começa com essas perguntas, mas o passo seguinte é fortalecer os agricultores que utilizam práticas ambientalmente responsáveis. A missão da Healing Soils Foundation (HSF), conduzida pela diretora-executiva Sarah Franz desde maio de 2024, é capacitar agricultores do Meio-Oeste dos Estados Unidos “a restaurar a vitalidade do solo de nosso planeta, promovendo o bem-estar das pessoas, comunidades e da própria Terra”, e, ao fazê-lo, “catalisar um futuro regenerativo”. 

Práticas regenerativas como minimizar o revolvimento do solo e utilizar culturas de cobertura, compostagem e rotação de pastagem são fundamentais para manter a saúde do solo, como tem enfatizado o Serviço de Conservação de Recursos Naturais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Extensas áreas agrícolas no país já apresentam solos degradados devido ao uso excessivo de pesticidas e herbicidas tóxicos, bem como à ampla disseminação de sistemas de cultivo geneticamente modificado. Esse solo tem um volume reduzido de microrganismos essenciais – como fungos e bactérias –, o que, por sua vez, diminui o valor nutricional das colheitas.

A HSF apoia agricultores que estejam implementando práticas orgânicas e regenerativas em larga escala. Em seu primeiro ano de atividade, concedeu mais de US$ 1 milhão em subsídios. No entanto, a fundação teve de mudar de rumo para enfrentar os desafios impostos pelo atual governo dos Estados Unidos, que reduziu drasticamente ou atrasou o financiamento de programas de conservação do USDA. 

O novo programa da HSF, chamado Fundo de Segurança para Agricultores Regenerativos (RFAF, na sigla em inglês), tem sido uma tábua de salvação para agricultores em dificuldade. “Este é um momento extremamente conturbado para os agricultores, já que eles se expõem economicamente, assumindo riscos em benefício do meio ambiente”, diz Franz. “Financiar o programa RFAF é agora nossa principal prioridade.”

Rachel Bouressa, proprietária da Bouressa Family Farm, localizada no estado de Wisconsin, recebeu US$ 30 mil do RFAF após seu subsídio do USDA ter sido abruptamente cancelado, como aconteceu com 99% dos US$ 2,4 milhões que o USDA havia originalmente alocado para o seu condado. Graças ao subsídio do RFAF, ela agora pode executar seu plano de converter 16 hectares de suas terras, antes alugadas para operações industriais de confinamento animal, em áreas de pastagem regenerativa para seu rebanho de 90 cabeças de gado.

“Já é difícil o bastante gerar renda em uma pequena fazenda para cobrir todas as despesas da vida”, diz Bouressa. “O subsídio do RFAF vai cobrir os custos de cercas perimetrais e internas, semeadura e instalação de sistema de irrigação, permitindo que a área seja convertida em pastagem perene.”

Além de apoiar agricultores individualmente, a HSF também investe em infraestrutura essencial, que permite aos produtores regenerativos levar seus produtos ao mercado e ampliar suas operações. O programa Rebuild Midwest, por exemplo, financia instalações como armazéns de grãos nas próprias fazendas, centros regionais de processamento e abatedouros, todos componentes críticos da cadeia de suprimentos.

Outro exemplo é o programa Restore Midwest, uma parceria entre a HSF e a organização sem fins lucrativos Zero Foodprint, que arrecada recursos junto à indústria alimentícia – geralmente com contribuições equivalentes a 1% das vendas – para investir em agricultura regenerativa. “Trabalharemos juntos a partir do final deste ano para formar um programa coletivo de regeneração no Meio-Oeste, aproveitando o financiamento inicial da HSF para captar recursos correspondentes”, explica Anthony Myint, diretor-executivo da organização.

A HSF mantém ainda o programa Land Access, que tem como foco os 4,5% de agricultores dos Estados Unidos que se enquadram na categoria de “socialmente desfavorecidos”, segundo as diretrizes do USDA. A fundação estabelece parcerias com instituições financeiras para oferecer taxas de juros hipotecárias reduzidas a esses agricultores.

Olhando para o futuro, uma das formas pelas quais a HSF pretende ampliar a adoção de práticas agrícolas regenerativas é fortalecendo sua própria capacidade de apoiar produtores. Atualmente, a fundação destina todas as suas contribuições na forma de subsídios; sua visão é criar e expandir, ao longo do tempo, um fundo patrimonial que permita aprofundar e ampliar os impactos vitais da agricultura regenerativa em todo o Meio-Oeste dos Estados Unidos.

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