O neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias explica como a IA pode transformar nosso modo de pensar, aprender e viver – e os desafios sociais que emergem dessa transformação
Ao operar como instituições, algoritmos moldam escolhas coletivas sem passar pelos filtros democráticos tradicionais. Traçam caminhos, impõem bloqueios, sugerem atalhos e afetam padrões de decisão – reorganizando a ação humana e política com regras que não foram debatidas, nem autorizadas. Concebê-los como instituições permite imaginar um movimento em direção à sua democratização, tarefa urgente para as sociedades que ainda desejam se governar
A inteligência artificial pode ser instrumento de transformação social ou mais uma fronteira de exclusão. Para que seja uma aliada das organizações da sociedade civil, é preciso derrubar barreiras técnicas, financeiras e políticas que ainda excluem milhões de pessoas dessa tecnologia
Com sua heterogeneidade cultural, genética, social e ecológica, o Brasil surge como exemplo de solo prolífico para a criação de sistemas de inteligência artificial mais robustos, capazes de mitigar vieses e exclusões, responder a realidades locais e oferecer soluções globais mais humanas, sustentáveis e alinhadas aos desafios do nosso tempo
No processo educacional, o decisivo não é a tecnologia, mas quem a controla e a desenha. Oferecer a velha educação com uma roupagem tecnológica, embora lucrativo e fácil, não garante preparar as crianças para os grandes desafios que terão de enfrentar
A chegada da inteligência artificial às escolas provoca entusiasmo, mas exige cautela. Sem evidências claras sobre os impactos pedagógicos, cresce o risco de a IA reproduzir desigualdades e desviar a escola de seu propósito fundamental: formar cidadãos críticos, criativos e livres
Ao mesmo tempo que expande territórios criativos, a inteligência artificial nos força a repensar autoria e originalidade. E torna inevitáveis as perguntas fundamentais: O que é arte? O que são os algoritmos? Quem são os artistas? Como tudo isso se conecta?
Navegar com facilidade nas telas não significa compreender as lógicas invisíveis que moldam narrativas e produção de sentido nos ambientes digitais. Tornar o letramento midiático um direito fundamental é essencial para formar cidadãos capazes de participar ativamente de uma sociedade cada vez mais mediada pela inteligência artificial
Tasso Azevedo conta a história do MapBiomas: de ferramenta criada para aprimorar medição de emissões de gases de efeito estufa no Brasil a rede que monitora uso da terra em 14 países, guiada pela colaboração e pelo compartilhamento aberto de dados
Muito além dos mitos de máquinas conscientes ou de ameaças apocalípticas, o desafio real é entender como a inteligência artificial impacta democracias, valores humanos e esferas públicas
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